Usinas

Grandes sucroenergéticas não enxergam ameaça capaz de paralisar atividades

Disparidade do setor fica evidente em momentos de crise: enquanto grandes sucroenergéticas negam a possibilidade de parar atividades, especialistas estimam que 25% das usinas podem fechar as portas


novaCana.com - 05 mai 2020 - 08:47 - Última atualização em: 05 mai 2020 - 15:36

As quedas bruscas nos preços internacionais do petróleo e a redução no consumo doméstico de combustíveis coincidiram com o início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, maior região produtora de etanol do Brasil. Assim, as usinas estão vendendo o biocombustível por valores abaixo do custo de produção e a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) estima que pelo menos 20 unidades optaram por postergar o início da moagem.

Além disso, especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de São Paulo afirmam que 25% das usinas atualmente em operação podem fechar as portas até o fim do ano, o que equivale a quase 100 unidades. A “ameaça” é maior para as companhias menos capitalizadas, que não têm grande capacidade de estocagem e possuem uma saúde financeira comprometida.

No final de abril, o presidente da Unica, Evandro Gussi, fez um apelo ao governo por medidas de auxílio como isenção de PIS/Cofins para o etanol, aumento da Cide sobre a gasolina e a criação de uma linha de financiamento para estocagem. De acordo com ele, caso estas ações não sejam aprovadas em breve, o setor terá “notícias tristes”.

“O anúncio de medidas emergenciais é absolutamente urgente e necessário para reduzirmos o risco de colapso das atividades do setor”, ressaltou o diretor técnico da Unica Antonio de Padua Rodrigues durante a divulgação dos números iniciais da safra 2020/21. “Estamos no período da moagem em que ocorre o maior desembolso para pagamento dos custos de produção”, reforça.

Entre os maiores grupos sucroenergéticos, a Adecoagro já foi afetada pela atual conjuntura do mercado. Em comunicado divulgado em meados de abril, a empresa divulgou a suspensão dos contratos de uma parcela de seus colaboradores nas duas unidades sul-mato-grossenses – a usina em Minas Gerais, por sua vez, não foi afetada. De acordo com a companhia, um número relativamente pequeno do quadro de funcionários foi atingido pela decisão e não haverá paralisação das atividades nas usinas.

Outras grandes empresas do setor também garantem que não paralisaram as atividades nas usinas – e não possuem a perspectiva de parar. A pedido do novaCana, Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), Biosev, BP Bunge, Cerradinho, Coruripe, Raízen, São Martinho e Tereos confirmaram que as atividades de todas as suas unidades seguem normalmente. A Zilor, por sua vez, optou por não responder aos pedidos por informação feitos pela reportagem.

Conheça as ações e estratégias adotadas pelos maiores grupos do setor no texto completo (disponível exclusivamente para assinantes).


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