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Para FS e Cerradinho, valor agregado de subprodutos é trunfo do etanol de milho

Representantes das empresas analisam cenário do renovável produzido a partir do grão no país

NovaCana 18 min de leitura

A produção de etanol de milho tem se destacado cada vez mais no Brasil e os dados mais recentes divulgados pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) são a prova disso. Entre 1º de abril e a primeira quinzena de novembro, o país chegou a um volume acumulado de 1,52 bilhão de litros, 87,4% acima do volume visto no mesmo período da temporada passada.

Para a safra 2021/22, a perspectiva da Datagro, apresentada durante o evento da companhia realizado no final de outubro, é de que sejam produzidos 3,3 bilhões de litros de etanol proveniente do milho. Entretanto, a própria consultoria pontuou que o cenário-base da análise ainda estava sendo questionado por conta da alta nos preços do grão.

“Se [os preços] continuarem elevados, é provável que muitos produtores, principalmente os flex [que produzem etanol a partir das duas matérias-primas], não produzam etanol de milho na mesma intensidade”, disse o presidente da consultoria, Plínio Nastari.

Em painel dedicado ao etanol de milho e sua integração com a cana, ocorrido no mesmo evento, o sócio da Datagro Financial, Ingo Kaldar, questionou dois representantes de usinas sobre a projeção de volume para a próxima temporada e ambos creem que, sim, ela é possível.

O presidente da FS Bioenergia, Rafael Abud, chega a ter uma visão ainda mais otimista. Para ele, é plausível “chegar tranquilamente” neste número.

“A FS vai produzir em torno de 1,5 bilhão de litros e há outro produtor grande no Mato Grosso que deve fazer acima de 1 bilhão”, afirma e detalha: “Só com essas duas companhias, temos 2,5 bilhões. Há outros produtores no estado que já podem complementar os 3,3 bilhões e não estou nem contando Mato Grosso do Sul e Goiás”.

Atualmente, a FS Bioenergia possui duas usinas em Mato Grosso dedicadas somente ao processamento de milho. A unidade em Lucas do Rio Verde opera desde junho de 2017, enquanto a usina de Sorriso foi inaugurada este ano.

Por sua vez, o presidente do conselho de administração do grupo Cerradinho Bioenergia, Luciano Sanches Fernandes, também acredita ser possível chegar aos 3,3 bilhões de litros, mas faz algumas ressalvas. De acordo com ele, a Cerradinho não prevê grande crescimento para a próxima safra, pois questiona a aquisição do milho por parte das usinas.

“O grande crescimento está no Mato Grosso. A única questão é o milho, se as empresas compraram o grão e estão bem posicionadas quanto a isso. Se não estão, vai ficar mais difícil”, disse.

O grupo também agrupa duas unidades. A Neomille, voltada para etanol de milho, começou a operar em novembro de 2019, em Chapadão do Céu (GO), ao lado da CerradinhoBio, planta da companhia que processa cana-de-açúcar.

Confira, na versão completa, restrita a assinantes, as análises feitas pelos especialistas abordando temas como produtos derivados do etanol de milho, mercado de carbono, logística, entre outros.

A produção de etanol de milho tem se destacado cada vez mais no Brasil e os dados mais recentes divulgados pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) são a prova disso. Entre 1º de abril e a primeira quinzena de novembro, o país chegou a um volume acumulado de 1,52 bilhão de litros, 87,4% acima do volume visto no mesmo período da temporada passada.

Para a safra 2021/22, a perspectiva da Datagro, apresentada durante o evento da companhia realizado no final de outubro, é de que sejam produzidos 3,3 bilhões de litros de etanol proveniente do milho. Entretanto, a própria consultoria pontuou que o cenário-base da análise ainda estava sendo questionado por conta da alta nos preços do grão.

“Se [os preços] continuarem elevados, é provável que muitos produtores, principalmente os flex [que produzem etanol a partir das duas matérias-primas], não produzam etanol de milho na mesma intensidade”, disse o presidente da consultoria, Plínio Nastari.

Em painel dedicado ao etanol de milho e sua integração com a cana, ocorrido no mesmo evento, o sócio da Datagro Financial, Ingo Kaldar, questionou dois representantes de usinas sobre a projeção de volume para a próxima temporada e ambos creem que, sim, ela é possível.

O presidente da FS Bioenergia, Rafael Abud, chega a ter uma visão ainda mais otimista. Para ele, é plausível “chegar tranquilamente” neste número.

“A FS vai produzir em torno de 1,5 bilhão de litros e há outro produtor grande no Mato Grosso que deve fazer acima de 1 bilhão”, afirma e detalha: “Só com essas duas companhias, temos 2,5 bilhões. Há outros produtores no estado que já podem complementar os 3,3 bilhões e não estou nem contando Mato Grosso do Sul e Goiás”.

Atualmente, a FS Bioenergia possui duas usinas em Mato Grosso dedicadas somente ao processamento de milho. A unidade em Lucas do Rio Verde opera desde junho de 2017, enquanto a usina de Sorriso foi inaugurada este ano.

Por sua vez, o presidente do conselho de administração do grupo Cerradinho Bioenergia, Luciano Sanches Fernandes, também acredita ser possível chegar aos 3,3 bilhões de litros, mas faz algumas ressalvas. De acordo com ele, a Cerradinho não prevê grande crescimento para a próxima safra, pois questiona a aquisição do milho por parte das usinas.

“O grande crescimento está no Mato Grosso. A única questão é o milho, se as empresas compraram o grão e estão bem posicionadas quanto a isso. Se não estão, vai ficar mais difícil”, disse.

O grupo também agrupa duas unidades. A Neomille, voltada para etanol de milho, começou a operar em novembro de 2019, em Chapadão do Céu (GO), ao lado da CerradinhoBio, planta da companhia que processa cana-de-açúcar.

Milho caro impacta pouco a usina preparada

Ainda que os preços do milho estejam elevados, o mercado à vista normalmente é pouco acessado pelas usinas – pelo menos esta é a realidade da FS e da Cerradinho.

“O mercado à vista está muito caro agora, com 130% de aumento, e o milho está chegando no Mato Grosso a quase R$ 60 a saca. Mas isso é praticamente irrelevante para nós”, garante Abud, da FS, explicando que estas negociações são pontuais, pois a usina adota a estratégia de comprar a matéria-prima com muita antecedência.

“O que importa é o preço futuro do milho, formado em reais e trazido logisticamente para o Mato Grosso”, afirma. “Temos a nossa programação para este ano totalmente completa; o programa de milho de junho de 2021 até maio de 2022 também está bastante preenchido; e até mesmo o milho que será colhido em junho de 2022 já está programado”.

Assim, ele acredita que o volume a ser adquirido pela companhia no mercado à vista será pequeno. O objetivo é justamente evitar uma dinâmica mais apertada de oferta e demanda, com descolamento em relação aos preços praticados antes da safra.

A estratégia da CerradinhoBio é bastante semelhante. De acordo com Fernandes, a matéria-prima para a atual safra está totalmente comprada, assim como boa parte do volume necessário para o próximo ano, que já foi negociado com preços fixos.

“Não estamos no mercado à vista comprando milho. Compramos adiantado e isso faz parte da inteligência de originação do milho”, Luciano Sanches Fernandes (Cerradinho Bioenergia)

Segundo ele, a estratégia de originação do milho ainda é nova e desafiadora para a Cerradinho, acostumada a adquirir apenas cana-de-açúcar.

DDG e DDGS em alta

Outro cenário positivo é que os produtos de nutrição animal, que também fazem parte das receitas das usinas que detêm o milho como matéria-prima, funcionam como um “hedge natural” para o grão.

Segundo Abud, dentro da gama de produtos destas usinas, alguns são precificados tendo o milho como base, já que substituem produtos relacionados a ele. Já outros substituem itens relacionados à soja e são precificados a partir dela. “A nossa venda de mercadorias de alimentação animal acompanha a precificação das commodities e cobrem entre 40% e 50% do nosso custo”, expõe.

Fernandes acrescenta que, quando o milho é transformado em etanol, boa parte da matéria-prima volta para cadeia produtiva a fim de originar a ração animal. “Com isso, o impacto no preço é diluído. A influência [sobre o preço do grão] é muito mais derivada da quantidade exportada do que do volume que vai para o etanol de milho”, explica.

Por sua vez, o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, pontuou que o etanol proveniente do grão estaria “levando a culpa” por inflacionar o preço da matéria-prima, o que ele não concorda. “Acredito que a alta é muito mais efeito do câmbio, já que o etanol de milho representa somente 6% da produção do grão nacional nesta safra”, relata.

Ingo Kaldar, da Datagro Financial, acrescenta que falar que o etanol de milho é responsável pela alta é, “no mínimo, um pouco leviano” e completa: “No fundo, [a produção de etanol] está fazendo com que o milho fique na origem para ser industrializado e tenha agregação de valor. Isso ajuda a economia local, cria uma oportunidade. Os coprodutos resultantes do etanol de milho são fantásticos”.

Os principais coprodutos seriam o DDG (grãos de destilaria, que podem ser secos ou úmidos) e o DDGS (grãos de destilaria secos com solúveis). Kaldar detalha que o DDGS ainda está sendo estudado, pois não são conhecidas todas as suas aplicações. “Quem está na indústria está fazendo seu papel para mostrar o valor, até para precificação”, completa.

Fernandes, por sua vez, afirma que o DDG é um mercado em evolução no Brasil e uma “oportunidade fantástica” de diversificação da renda das usinas. “Os Estados Unidos usam muito [o produto]. É uma questão de informação e desenvolvimento do mercado e estamos fazendo isso. A FS está no mesmo barco atingindo esse mercado que demanda uma ração animal, um produto melhor que agrega valor ao produtor”, relata.

Já Abud complementa que, além dos produtos de alimentação animal, a FS também produz óleo de milho, usado pela indústria de biodiesel.

Monitorar é vantagem no mercado de carbono

A unidade da FS Bioenergia em Lucas do Rio Verde (MT) está entre as usinas de etanol com as melhores notas no RenovaBio, com 70,70 gCO2/MJ para o hidratado e 71,10 gCO2/MJ para o anidro. Embora a unidade de Sorriso (MT) e a goiana Neomille, da Cerradinho, ainda não estarem certificadas, os executivos acreditam que os bons resultados devem se repetir.

De acordo com o presidente do conselho de administração da Cerradinho, a indústria de etanol de milho “é bem limpa” e não possui dejetos. “O circuito é fechado, não tem vinhaça, pois ela é secada e usada no DDG. Entra água, milho, vapor e energia, sai etanol, DDG e óleo de milho. Não tem problema ambiental de saída de subproduto indesejado”, completa.

Abud acrescenta que havia uma “percepção generalizada” de que o etanol de milho seria menos eficiente do que o de cana, ou que seria mais poluidor. “Com a evolução da tecnologia de produção e, especialmente, o milho de segunda safra, observamos que isso não é verdade”, diz.

Por outro lado, a elegibilidade das áreas que podem ser contabilizadas no programa é um problema. Fernandes detalha que há uma dificuldade em rastrear a produção do milho: “Geralmente não são grandes produtores e a indústria compra milho de muito mais unidades agrícolas do que acontece com a cana”.

No caso da usina em Lucas do Rio Verde, a elegibilidade é bastante baixa para o setor, de apenas 12,57%. Segundo o presidente do grupo, é preciso que a regulamentação do RenovaBio evolua e se adapte à produção do etanol de milho, capturando as externalidades positivas do grão.

Abud pontua a dificuldade em rastrear e trazer os dados individualizados de produção de cada uma das fazendas, ainda que elas tenham um pacote tecnológico muito uniforme. Segundo ele, a FS vem trabalhando em soluções para isso, com uma plataforma para monitorar desde os fornecedores de milho até tradings e revendas com quem negociam.

Segundo ele, ainda que tenha outras funções, a plataforma está ajudando a aumentar a elegibilidade no RenovaBio. “Esperamos sair da nossa elegibilidade bastante baixa para algo próximo de 90% na planta de Sorriso (MT), e entre 50% e 60% na planta de Lucas do Rio Verde (MT)”, projeta. Vale destacar que a certificação da segunda unidade, que iniciou as operações em fevereiro, ainda não entrou em consulta pública na ANP.

Abud pontua que o sistema realiza um “checklist” socioambiental com os parceiros de negócios. É verificado se a área tem alguma atividade de desmatamento ou embargo ambiental, se o produtor foi inscrito em alguma lista de trabalho escravo ou infantil, e se a terra tem sobreposição com áreas indígenas, de proteção ambiental ou protegidas de quilombolas.

“Se não conseguimos garantir que eles chequem positivamente todos estes critérios, a gente não transaciona com esse fornecedor ou cliente que não está em absoluta conformidade com a legislação ambiental e social”, garante.

O presidente da companhia completa que o monitoramento permitiu aumentar a segurança para o capital investido. “É feito de maneira transparente e está publicado para que todo mundo que está fazendo negócio ou aplicando na FS saiba que a cadeia é livre de desmatamento e outros problemas relacionados ao agronegócio”, diz.

Além disso, a FS está trabalhando no processo de certificação no Padrão de Combustíveis de Baixa Emissão de Carbono (LCFS), programa desenvolvido pelo Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (Carb), nos Estados Unidos. “Achamos que vamos obter uma das melhores pontuações do programa”, comemora o presidente da companhia.

Ele acredita que algumas diferenças existentes entre o processo de produção do etanol de milho brasileiro e o estadunidense podem trazer vantagens para o produto nacional. Um dos fatores é que lá é utilizado o gás natural como fonte de vapor e, muitas vezes, as usinas estão conectadas na rede de eletricidade, que é majoritariamente fóssil. No Brasil, a principal fonte de energia é a biomassa proveniente do eucalipto.

Além disso, nos Estados Unidos, o milho é de terra única, com o solo totalmente dedicado ao grão, enquanto sua produção brasileira é feita em segunda safra. “Não toma terra adicional de produção, sendo a expansão puxada pela soja”, completa Abud.

Ele ainda acrescenta que o Brasil leva vantagens em relação à biomassa. “São usadas áreas marginais, que não produziam há duas safras e tinham baixa produtividade de soja. Elas foram transformadas em áreas de produção de eucalipto, que tem uma absorção de carbono muito mais elevada do que culturas anuais. É um movimento positivo”, expõe.

Caminhos abertos

A logística é uma das questões amplamente discutidas no setor e é necessário que ela seja eficaz e viável tanto para o etanol de milho quanto para o próprio grão. O transporte do biocombustível fabricado no Mato Grosso, aliás, já foi apontado como um dos principais gargalos do setor.

Fernandes pontua que a boa logística é fundamental para quem produz commodities e que a Cerradinho está bem posicionada neste quesito. “A indústria não pode estar tão longe da matéria-prima, senão o seu custo explode”, diz o presidente do conselho de administração da empresa.

Ele completa que a companhia controla um terminal ferroviário e que 90% da produção de etanol é distribuída pela ferrovia. “[Essa produção] vem em direção à Paulínia (SP) e isso nos coloca em uma posição bastante favorável de pegada de carbono na saída do produto”, explica.

A situação não parece ser diferente no caso da FS. O presidente da companhia pontua que as unidades estão bem localizadas do ponto de vista da aquisição do milho, pois ambas estão em Mato Grosso, maior estado produtor do grão.

“Atendemos a clientes em mais de dez estados com o nosso etanol, incluindo todos do Norte, o Nordeste de maneira pontual, além de Sudeste e Sul”, detalha. Ele complementa que mais de dez estados também recebem os produtos de alimentação animal, especialmente os com alta proteína, além de óleo de milho: “Usamos todos os modais disponíveis. Temos etanol sendo transportado por caminhões, barcaças, cabotagem, dutos, ferrovias e pela Logum”.

Abud também afirma que a logística teve boa evolução em Mato Grosso e, ainda que tenha muito a melhorar, a conclusão da BR 163 para acesso ao arco Norte foi um marco importante, assim como a possibilidade de movimentos de produtos para o Sudeste.

“Cada vez mais, [a logística] irá evoluir, dando condições melhores tanto para o produtor de commodities agrícolas, quanto aos produtos de valor agregado”, acredita.

Ganha-ganha

Sócio da Datagro Financial, Ingo Kaldar, acredita que o etanol de milho preencheu uma lacuna, considerando que as usinas que utilizam a cana têm beneficiado o açúcar em detrimento do renovável.

Neste sentido, Fernandes acrescenta que o etanol de milho complementa o mercado atual. Ele afirma que, mesmo com a queda na demanda devido à pandemia, a produção elevada de açúcar fez com que a produção do biocombustível fosse necessária. “Vejo com bastante positividade o mercado, com recuperação para o ano que vem”, completa.

“Foi muito importante este crescimento do grão para o etanol, de forma geral. Se não tivéssemos essa produção crescente do milho, perderíamos o mercado do biocombustível e consumiríamos mais gasolina, ou iríamos importar mais etanol”, Luciano Sanches Fernandes (Cerradinho Bioenergia)

Kaldar visualiza uma conjunção de fatores “ganha-ganha”. Ele explica: “Todos estão sendo levados a produzir etanol da melhor maneira e da forma mais eficiente para atender a um mercado em crescimento e com uma demanda alta”.

Ele também pontua a questão das exportações. “O Brasil, levando em consideração a questão de câmbio, tem os grãos mais baratos do mundo, fazendo com que a demanda também seja direcionada para exportação”, relembra.

Tais fatores, para Kaldar, favorecem o aumento do plantio e da produtividade, sem deixar de lado a demanda interna pelo grão não só para a produção do biocombustível, mas também para a conversão para proteína animal e vegetal.

Flex e full

Enquanto as usinas “full” utilizam somente uma matéria-prima, as “flex” combinam a produção entre cana e milho.

No caso da Cerradinho, Fernandes considera que a planta que entrou em operação este ano é “full integrada”, pois compartilha apenas a geração de energia e vapor com a unidade de cana. “O restante é totalmente independente e funciona o ano inteiro, estando moendo cana ou não”, afirma.

O ponto positivo desta configuração, de acordo com ele, é a estabilidade do funcionamento das caldeiras de vapor, algo de que a produção de etanol de milho é bastante dependente. “Temos biomassa suficiente para manter a caldeira funcionando e temos duas caldeiras para poder fazer a manutenção em uma enquanto a outra está funcionando”, explica.

Ainda conforme Fernandes, a ideia de investir em uma planta de etanol proveniente do grão iniciou há mais de cinco anos, antes mesmo da definição quanto aos investimentos na segunda onda de cogeração.

“Nesse momento, adquirimos uma capacidade de caldeira que suportaria a construção de uma planta de etanol de milho. Essa decisão foi assertiva, assim como ter uma cogeração de energia bastante robusta que hoje nos dá a condição de flexibilidade, de conduzir a planta de etanol de milho de forma integrada com a usina”, relata.

Enquanto isso, ambas as unidades da FS operam apenas com milho. As conversas iniciais para construção da primeira delas ocorreram em 2012, com início da construção em 2015. No período, segundo Abud, Mato Grosso estava em crescimento exponencial de produção de milho, mas com dificuldade de liquidez e logística para fazer com que o grão saísse do estado para outros mercados de consumo, afinal, está longe dos portos.

De acordo com ele, dos anos 1990 para cá, o Brasil saiu de uma produtividade de 30 para 120 sacas por hectare, tornando-se o segundo maior exportador de milho do mundo. Além disso, Mato Grosso é responsável por um terço do volume total do país, sendo que toda a produção é de segunda safra.

“Em 2014, tínhamos uma situação de excesso de produção de milho em Mato Grosso e o governo federal vinha subsidiando a logística do grão para dar condições de preços mínimos ao produtor”, relembra. “Enquanto isso, havia uma enorme oportunidade no Brasil, país do etanol, com um mercado crescente e tecnologia amplamente disponível, desenvolvida nos Estados Unidos para que pudesse transformar o milho em biocombustível”.

Conforme Abud, neste cenário, foi possível usar um produto com baixa liquidez, baixo valor agregado e dificuldade de escoamento, e o transformar em um mix de produtos de alto valor agregado, muitas vezes abastecendo mercados que estavam carentes destes itens.

Em 2019/20, a unidade de Lucas do Rio Verde (MS) foi a que mais produziu etanol de milho dentre as usinas brasileiras, totalizando 520,30 milhões de litros. A CerradinhoBio, por sua vez, elencou o terceiro lugar nesta mesma análise, com 430,54 milhões.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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