Usinas

Fornecedores viram usineiros com R$ 100 milhões e Ener Sugar abre em abril


Money Times - 07 jan 2020 - 12:12

A Ener Sugar terá a programação do mix definida até o fim de fevereiro. Até lá, seus acionistas, fornecedores que virarão usineiros, seguem acelerando as obras de restauração da unidade, orçada em R$ 100 milhões, à espera de uma melhor clareza dos preços do açúcar e do etanol.

Mas já estão negociando 250 mil toneladas de cana com os produtores.

A Ener Sugar é a antiga Usina Pau D’Alho, em Ibirarema, na região de Assis (SP), massa falida adquirida por Sylvio Ribeiro do Valle e pelos irmãos Finotti, Dorival e Dirceu. Eles não recorreram a bancos e estão despejando recursos próprios, além de uma parte que virá de investidores, que deverão ser anunciados proximamente. A diretoria executiva ainda vai ser anunciada igualmente.

Ribeiro do Valle prefere não detalhar a composição acionária, “até porque ela é complexa, entre três empresas (dos sócios), envolvendo a indústria (a usina) e a parte agrícola (dos três, mais os 3 mil hectares alienados dos antigos proprietários), além os investidores”.

“Pra valer”

Money Times adiantou antes um pouco dessa história que começou em 2017. Desde então, aparadas as arestas com alguns credores, “agora é para valer e nossa data-alvo de início de moagem é 2 de abril”, afirma o também presidente da Associação dos Fornecedores e Plantadores de Cana da Média Sorocabana (Assocana). Dez equipes de empreiteiros estão na unidade.

A caldeira é que demanda maior esforço e recursos na sua modernização.

A mais nova usina que vai entrar em funcionamento no Brasil, portanto, começará junto com a abertura oficial da safra 20/21 do Centro-Sul, e moerá 1 milhão de toneladas no primeiro ano, das 2,2 milhões de capacidade instalada.

A configuração da Ener Sugar é para 900 toneladas/dia de açúcar e 600 m3 de etanol/dia. E Sylvio Ribeiro do Valle e os sócios vão esperar até final de fevereiro para a decisão de qual chave será mais acionada, em um novo ciclo que ainda se mostra com tendência mais alcooleiro e de preços achatados do açúcar.

Cogeração

A cogeração de energia elétrica independe do mix. Bagaço é um só. São 33 MW/hora de capacidade e as instalações estão em boas condições. Os contratos de exportação para o sistema elétrico já foram renegociados com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

À parte os mil empregos diretos e indiretos que vão ser gerados, Ribeiro do Valle explica que a cana que vão precisar de terceiros será paga acima do Consecana – colegiado que define os preços em ATR (total de açúcares recuperáveis) e sempre contestado pelos produtores diante da pressão das usinas.

Ele e os irmão Finotti possuem 3 mil hectares de cana, estão plantando mais 1,2 mil (nas terras alienadas), vão entrar com 750 mil/t de cana na 1ª safra e as 250 mil/t que virão do mercado local serão, portanto, dos associados da Assocana.

A Raízen, joint-venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell, e a Cocal, de Paraguaçu Paulista, e a Raízen e a Água Bonita, de Tarumã, terão agora um pequeno concorrente novo pela cana da região.

Giovanni Lorenzon