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Executivo da Tereos explica motivações para fechamento de capital da companhia

Tereos internacional BDO diretor de RI destaca que é preciso analisar separadamente o mercado de açúcar e etanol e o mercado de capitais

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Após a Tereos Internacional noticiar que realizará uma oferta pública de aquisição (OPA) na tentativa de sair da bolsa, as ações da empresa tiveram alta de 128,71% na última sexta-feira (04), chegando a R$ 51,69.

Com a oferta, a empresa busca cancelar seu registro ou, pelo menos, migrar para a listagem básica da bolsa.

Em entrevista ao NovaCana, o diretor de relações com investidores (RI) da Tereos, Marcus Thieme...

Após a Tereos Internacional noticiar que realizará uma oferta pública de aquisição (OPA) na tentativa de sair da bolsa, as ações da empresa tiveram alta de 128,71% na última sexta-feira (04), chegando a R$ 51,69.

Com a oferta, a empresa busca cancelar seu registro ou, pelo menos, migrar para a listagem básica da bolsa.

Segundo o diretor de relações com investidores (RI) da Tereos, Marcus Thieme, o controlador entende que o mercado de capitais no Brasil passa por um momento ruim e não é interessante manter papéis em negociação no segmento de Novo Mercado.

O diretor destaca que é preciso analisar separadamente o mercado de açúcar e etanol e o mercado de capitais. Para ele, as perspectivas do primeiro são bastante positivas, visto o déficit previsto para o adoçante, os bons preços de etanol e o câmbio favorável aos negócios.

No entanto, a perspectiva para o mercado de capitais no Brasil não é benéfica. Thieme atribui ao atual cenário econômico e político as amarras que têm travado a economia brasileira. “O setor [sucroenergético] está indo bem? Sim. Mas é só uma parte da composição da Tereos Internacional”.

Como a aquisição das ações será realizada pela controladora indireta, a Tereos Participations, tanto a Tereos Internacional quanto a Guarani permanecerão funcionando da mesma maneira após a conclusão do processo.

“A Guarani está embaixo da Tereos Internacional, então o caixa do controlador não vem para a usina. A Tereos internacional é a holding que detém os artigos de Guarani e tem sua geração de caixa e composição de dívida”, esclarece Thieme.

A companhia possui, além das unidades de processamento de cana-de-açúcar no Brasil – por meio do controle da Guarani –, usinas na Ilha da Reunião e Moçambique e unidades de processamento de cereais e tubérculos na França, Bélgica, Itália, Espanha, Reino Unido, Brasil, China e Indonésia.

Inicialmente, a Tereos ofereceu R$ 65 por ação aos acionistas minoritários. “A nossa liquidez é muito baixa. A ideia do controlador foi oferecer uma possibilidade para saírem do papel a um preço atraente”, diz o diretor de RI.

Reduzindo custos

A medida vem em um momento de necessidade de custos mais baixos e processos mais simples. Thieme explica que no Novo Mercado há uma série de requerimentos que deixam de existir na listagem básica. Da mesma maneira, se a empresa tiver o registro cancelado.

“De uma certa forma, os custos para manter a operação de RI são muito mais baixos. E hoje, temos pouca cobertura”, explica. Atualmente apenas dois bancos cobrem os papéis da Tereos: BTG e Morgan Stanley.

As instituições Deutsche Bank, Votorantim e Fator deixaram de cobrir as ações. De acordo com Thieme, o banco alemão encerrou suas operações no Brasil e os outros dois deixaram de negociar os papéis por falta de analistas. Conforme o executivo, é mais um motivo que apoia o fechamento de capital.

“Houve o enxugamento dos bancos que cobriam o papel e a possibilidade de usar a ação como veículo de captação é muito remota. Não faz sentido ficar no Novo Mercado”.

Pelo regulamento da bolsa, após a saída do Novo Mercado, os valores mobiliários de emissão da companhia não poderão retornar a ser negociados no ambiente por um período mínimo de dois anos.

Entenda o processo

Proposta pelos acionistas majoritários da companhia, a OPA visa o fechamento de capital da empresa ou migração para o segmento básico da Bovespa. Após o anúncio, é necessário que a Tereos Internacional seja avaliada por uma instituição independente que deve ser escolhida em assembleia geral extraordinária, marcada para o próximo dia 23.

A escolha, feita pelos acionistas minoritários (os afetados pela OPA), optará entre três instituições: Santander, Bradesco e Modal. Os bancos foram indicados pelo controlador e a escolha se baseia em critérios como experiência e valor cobrado.

Feita a seleção do banco responsável, inicia-se um prazo de cerca de 30 dias para que seja apresentado um laudo de avaliação que, por sua vez, será analisado pela Bovespa e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Se o parecer for positivo, o laudo segue para sanção dos minoritários e do controlador, que decidem se aceitam ou não a proposta.

O Grupo Tereos ofereceu R$ 65 por ação no anúncio da OPA, mas o valor presente no laudo de avaliação pode ser diferente, para mais ou para menos.

A empresa espera que o processo seja finalizado ainda no primeiro semestre de 2016.

Jorge Mariano – NovaCana

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