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EPE projeta abertura de 12 usinas de cana e 33 plantas de milho até 2031

Projeção feita pela empresa governamental aponta para uma oferta anual de até 46 bilhões de litros de etanol

NovaCana 12 min de leitura

Depois das incertezas que acompanharam a pandemia de covid-19 nos dois últimos anos, a perspectiva é que entre nos trilhos a tão esperada retomada econômica, facilitando a transição energética já discutida na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP) e assinada pelo Brasil no Acordo de Paris.

Foi com base nessas premissas que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), elaborou o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) referente ao período de 2022 a 2031.

O documento, utilizado para o desenvolvimento de políticas públicas, busca trazer o contexto atual e, também, projeções para diferentes ramificações do setor energético do país. Desta forma, são traçadas perspectivas de investimentos e de avanços para a década.

O setor sucroenergético tem grande parte nesse cenário. Entretanto, nos dois últimos documentos disponibilizados pela EPE, a projeção para novas usinas diminuiu. A perspectiva atual é que, ao final dos próximos dez anos, existam 374 usinas sucroenergéticas operantes no Brasil – no estudo anterior, com horizonte até 2030, este número era de 377.

A EPE também considera que, até lá, a produção de etanol celulósico, ou de segunda geração (E2G), já esteja bem implementada no país, contribuindo para o aumento da oferta do renovável. Da mesma forma, o etanol de milho deverá crescer, chegando a mais de 50 unidades no recorte de tempo feito pela entidade.

Confira no texto completo, exclusivo para assinantes, mais detalhes sobre a análise decenal da EPE:

- Principais mudanças para o setor
- Projeções para a fabricação de açúcar e etanol
- O futuro do E2G
- Expectativas para o etanol de milho
- Investimentos necessários para novas usinas
- Valores aplicados em expansão até 2031
- Análise de sensibilidade: o pior cenário possível

Depois das incertezas que acompanharam a pandemia de covid-19 nos dois últimos anos, a perspectiva é que entre nos trilhos a tão esperada retomada econômica, facilitando a transição energética já discutida na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP) e assinada pelo Brasil no Acordo de Paris.

Foi com base nessas premissas que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), elaborou o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) referente ao período de 2022 a 2031.

O documento, utilizado para o desenvolvimento de políticas públicas, busca trazer o contexto atual e, também, projeções para diferentes ramificações do setor energético do país. Desta forma, são traçadas perspectivas de investimentos e de avanços para a década.

O setor sucroenergético tem grande parte nesse cenário. Entretanto, nos dois últimos documentos disponibilizados pela EPE, a projeção para novas usinas diminuiu. A perspectiva atual é que, ao final dos próximos dez anos, existam 374 usinas sucroenergéticas operantes no Brasil – no estudo anterior, com horizonte até 2030, este número era de 377.

A EPE também considera que, até lá, a produção de etanol celulósico, ou de segunda geração (E2G), já esteja bem implementada no país, contribuindo para o aumento da oferta do renovável. Da mesma forma, o etanol de milho deverá crescer, chegando a mais de 50 unidades no recorte de tempo feito pela entidade.

Ainda assim, o estudo acredita que o setor sucroenergético tradicional tem espaço para crescimento. A perspectiva da EPE é que o Brasil consiga manter uma boa produção para atender ao mercado interno e ainda se estabilize como um grande exportador de açúcar, com capacidade para aumentar ainda mais a sua fabricação do biocombustível com investimentos no E2G.

O cenário para as sucroenergéticas

De acordo com o EPE, houve uma redução na perspectiva de investimentos para novas usinas, com redirecionamento para expansão ou revitalização de unidades já existentes. O movimento, segundo o texto, evidencia o nível de endividamento das companhias.

Para a EPE, os débitos das sucroenergéticas e a consequente dificuldade para obter novos recursos podem gerar reflexos negativos no desenvolvimento de alguns canaviais, “afetando seus parâmetros de produtividade e endividamento”. Em 2021, o setor diminuiu sua captação junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

Sendo assim, entre o PDE 2030 e a mais recente edição, a EPE revisou suas previsões para novas usinas. O documento projeta que, entre 2025 e 2031, será construída uma unidade por ano; e elas terão uma capacidade média de moagem de 3,7 milhões de toneladas por safra.

Conforme dados atualizados do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em dezembro de 2020, o Brasil contabilizava 361 usinas produtoras de etanol e açúcar a partir da cana-de-açúcar. No ano seguinte houve a reativação de uma unidade na contagem do órgão, chegando a 362 usinas.

Assim, seguindo as projeções da EPE, o Brasil contará com 374 novas unidades produtoras até o final de 2031. O valor considera a reativação de seis unidades entre 2022 e 2025; a inauguração de nove, distribuídas ao longo do período; e o fechamento de três até 2024.

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De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 23 usinas de etanol estavam em construção no começo de março. Destas, nove pretendem utilizar apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima – duas já estão com as obras atrasadas, enquanto uma deve ser inaugurada em 2023 e outra em 2024. As outras cinco unidades não tiveram cronogramas apresentados.

Desta forma, os números da EPE e da ANP são relativamente similares quando se considera a perspectiva de curto prazo.

Mais usinas de milho virão

A partir de dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o PDE 2031 afirma que, em 2021, havia 21 unidades de etanol de milho em operação, sendo dez do tipo full, que operam apenas com milho, e 11 do tipo flex, associadas à produção de etanol com cana. Ao todo, as unidades podem produzir de forma conjunta até 3,7 bilhões de litros anuais.

Até o fim da década, a EPE estima que serão implantadas nove unidades flex e 24 full, totalizando 33 novas plantas. Assim, a capacidade produtiva de etanol de milho em 2031 será de 9 bilhões de litros, segundo a metodologia da EPE.

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Conforme levantamento da ANP, 10 usinas de etanol de milho estavam em construção no começo de março – destas, quatro estão previstas para 2022 e uma para 2023; além disso, três estão com as obras atrasadas e duas não tiveram previsão de inauguração divulgada. Entretanto, nenhuma usina flex constava no acompanhamento da agência, o que contradiz as expectativas da EPE.

Considerando a perspectiva de abertura de 12 usinas de cana-de-açúcar, entre novas e reativações, e a estimativa de 33 plantas de milho (incluindo as flex), a EPE projeta 45 novas unidades produtoras de etanol até 2031.

Projeções para a cana, o açúcar e o etanol

Em sua projeção, o PDE ainda estima que a área total de colheita da cana-de-açúcar passará de 8,3 milhões de hectares em 2021 para 9,3 milhões de hectares em 2031, um aumento de 12%. A empresa também considera que a produtividade irá crescer em torno de 1,4% ao ano, chegando a 83 t/ha ao final da década, enquanto a concentração de Açúcar Total Recuperável (ATR) estará em 141 kg/t.

Entre as perspectivas gerais para o setor, o documento aponta que a cana-energia, uma variedade modificada para melhorar a produção de biocombustível, representará 1,1% da área total plantada em 2031, o equivalente a 100 mil hectares.

Além de considerar o crescimento de área plantada e produtividade ao decorrer da década, a EPE projeta que o percentual de matéria-prima destinada à produção de etanol vai crescer de 54% em 2021 para 57% em 2031. “Aumento que se deve à maior demanda pela biocombustível”, afirma a empresa.

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Assim, a perspectiva é de que, em 2031, a moagem totalize 770 milhões de toneladas moídas. Deste volume, 439 milhões de toneladas irão para a fabricação de etanol e 331 milhões de toneladas para a de açúcar.

Em relação ao adoçante, a EPE afirma que considerou tanto o consumo interno quanto o volume de exportações para a próxima década, que deve totalizar 44,9 milhões de toneladas em 2031.

De acordo com a empresa, a demanda interna deve se manter em uma média de 10 milhões de toneladas nos próximos anos. Para chegar a esse valor, a EPE levou em conta a evolução da demanda nacional per capita, relacionando a aspectos como renda, envelhecimento da população e mudanças de hábitos alimentares.

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Na parcela referente ao mercado externo, a EPE acredita que o Brasil manterá sua posição de destaque como fornecedor mundial de açúcar, “sendo responsável por 42% do fluxo do comércio internacional”. A oferta deste lado tende a aumentar de acordo com o crescimento da demanda, especialmente em países dos continentes africano e asiático.

Já do lado do etanol, a EPE considerou a produção a partir do milho e do biocombustível celulósico (E2G), fabricado a partir de resíduos das usinas de cana. A empresa acredita que, no final da década, serão produzidos 46 bilhões de litros do biocombustível anualmente, um crescimento de 48,3% ante os 31 bilhões de litros de 2021.

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Do volume fabricado no ano passado, 12 bilhões de litros foram de anidro e 35 bilhões de litros de hidratado. Segundo a EPE, o biocombustível que é usado diretamente nos tanques terá um aumento de demanda devido a sua alta competitividade contra o combustível fóssil, o que, de acordo com o texto, é esperado como um efeito de longo prazo do programa RenovaBio e da melhora geral nos fatores produtivos.

Etanol de segunda geração

Além disso, a EPE traçou perspectivas para o mercado de etanol celulósico. Atualmente, de acordo com o documento da EPE, existem duas plantas de E2G em atividade, pertencentes aos grupos GranBio e Raízen. Mas esta última já tem planos para uma nova unidade e possui contratos para comercializar, ao longo de nove anos, 460 milhões de litros de E2G.

Este volume, aliás, é próximo ao que a EPE projeta para a produção deste tipo de etanol em todo o ano de 2031: 400 milhões de litros. O estudo considerou que cada tonelada de bagaço seco produz 300 litros do biocombustível.

“Em outros países, os projetos de E2G não têm conseguido alcançar a produção comercial e muitas plantas pararam suas operações, sem previsão de retomada”, afirma. Ainda assim, a EPE aponta que, de acordo com suas próprias projeções, é mais econômico e competitivo realizar a integração da planta de etanol celulósico a uma convencional de cana-de-açúcar.

Investimentos para produção de etanol

Já em relação aos futuros investimentos do setor sucroenergético, a EPE considera valores médios para a construção de usinas novas (greenfield) e também para expansão de unidades operantes (brownfield).

Para projetar o capital necessário para erguer uma nova unidade, a empresa levou em conta uma capacidade média de moagem em 3,5 milhões de toneladas. Desta forma, seria necessário arcar com um custo de R$ 360 por tonelada, somando despesas industriais (R$ 287,6/t), gastos com maquinário agrícola (R$ 67,9/t) e arrendamento na região Centro-Oeste (R$ 4,3/t).

Assim, segundo a análise da EPE, as companhias precisariam desembolsar cerca de R$ 1,26 bilhão para construir uma nova usina. De acordo com o texto, considerando a projeção de unidades até o fim da década, as aplicações deverão somar R$ 7,6 bilhões.

Por outro lado, para a expansão de usinas operantes, o valor médio fica em R$ 256/t, o que somaria R$ 500 milhões até o final de 2031.

Ao todo, segundo os cálculos feitos pela EPE, mais de R$ 8 bilhões seriam investidos no setor sucroenergético nos próximos dez anos.

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Já o capital necessário para novas unidades de etanol de milho ou de E2G foi contabilizado pela EPE em reais por litro de biocombustível.

As novas plantas de etanol celulósico, segundo a entidade, precisariam aplicar R$ 5,6/L, alcançando um total de R$ 2,24 bilhões até o fim do decênio. Entretanto, o documento aponta que o valor poderá cair “em função da curva de aprendizagem do setor”.

Já para o etanol de milho, as plantas flex, que produzem biocombustível de forma conjunta com as de cana, precisariam de R$ 1,60/L. Por sua vez, o investimento para as usinas full, que usam apenas o grão como matéria-prima, seria de R$ 1,80/L. Assim, de acordo com a EPE, o valor aplicado na década alcançaria R$ 9 bilhões.

“Desta forma, os investimentos em capacidade produtiva de etanol e açúcar totalizam R$ 19,4 bilhões”, conclui.

O pior cenário

A EPE também considera possíveis ameaças às projeções ao trazer uma análise de sensibilidade envolvendo o contexto do etanol nacional, tanto na questão de oferta quanto na de demanda. Neste caso, a empresa supôs fatores como: políticas públicas com diferenças tributários que desfavoreçam o etanol, ações ineficientes das empresas para redução de custos de produção e problemas na reestruturação dos grupos endividados.

Para a EPE, neste cenário, o RenovaBio não conseguiria contemplar seu principal objetivo e o etanol hidratado perderia competitividade perante a gasolina. Assim, “a atratividade econômica do setor sucroenergético não seria suficiente para induzir investimentos relevantes”.

Ainda seguindo essa linha, seriam processadas 673 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2031, 12% abaixo da perspectiva inicial de 770 milhões de toneladas. Já a produtividade agrícola ficaria em 75,4 t/ha, 9,2% abaixo do total indicado no cenário de referência. Por fim, a oferta de etanol cairia 26%, para 34,1 bilhões de litros.

De acordo com a EPE, apenas três unidades de cana-de-açúcar entrariam em operação, além das usinas de etanol de milho que já constam no acompanhamento da ANP. Ou seja, mesmo dentro desta perspectiva ainda haveria uma pequena expansão.

Giully Regina – NovaCana

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