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EPE projeta 117 novas usinas até 2050 e moagem acima de 1 bilhão de toneladas de cana

Relatório prevê a entrada de 37 usinas de etanol de primeira geração e 80 de segunda geração em 31 anos. Capacidade de moagem das unidades já existentes aumentaria em 188 milhões de toneladas

NovaCana 11 min de leitura

Planejar é preciso. E projetar o crescimento para a próxima década é uma das funções do governo. Porém, desta vez, a Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), foi mais longe: enquanto as estimativas anteriores do órgão em relação ao setor de etanol iam até 2030, um novo relatório avança o horizonte até 2050.

Entre as projeções estão uma taxa de crescimento constante de novas usinas e uma moagem final acima de um bilhão de toneladas – desde que sejam feitos investimentos na expansão da capacidade já instalada. A análise, que esteve disponível para comentários até domingo (17), é um dos documentos disponibilizados pela EPE como parte das referências para o Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050).

O que a pesquisa identificou, por meio de um levantamento feito entre agentes de financiamento público, foi a entrada de duas novas unidades até 2021. Além disso, a partir de 2022, a EPE enxerga um novo ciclo de expansão, mesmo que moderado, para o setor sucroenergético, com incentivos do governo e investimentos feitos pelas próprias companhias.

“As fusões e aquisições que já vêm ocorrendo, simultaneamente à internacionalização do setor sucroenergético, tendem a deixá-lo mais robusto e resistente às variações do mercado”, afirma a EPE, que completa: “Essa menor vulnerabilidade deve diminuir o custo de capital e facilitar os empréstimos e financiamentos a médio e longo prazos”.

Com isso, é projetada a entrada de 37 unidades de etanol de primeira geração até 2050, considerando reativações e fechamentos, além de novas 80 de segunda geração. Por sua vez, a capacidade de moagem das usinas já existentes deverá aumentar em 188 milhões de toneladas de cana, considerando as ampliações já planejadas.

O documento também considera os efeitos do RenovaBio no setor. O programa é citado como uma “hipótese de recuperação da competitividade do etanol” em um cenário com novas unidades de primeira geração, seja de cana ou de milho, além das de segunda geração.

Confira, na versão completa:

- Histórico e projeção ano a ano para a abertura de novas usinas até 2050
- Projeção da produtividade e da qualidade da cana até 2050
- Papel do manejo, das novas variedades e da mecanização
- Perspectivas de redução de custos agrícolas e industriais
- Projeção da produção de açúcar em 2050 e da participação nacional no mercado global

Planejar é preciso. E projetar o crescimento para a próxima década é uma das funções do governo. Porém, desta vez, a Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), foi mais longe: enquanto as estimativas anteriores do órgão em relação ao setor de etanol iam até 2030, um novo relatório avança o horizonte até 2050.

Entre as projeções estão uma taxa de crescimento constante de novas usinas e uma moagem final acima de um bilhão de toneladas – desde que sejam feitos investimentos na expansão da capacidade já instalada. A análise, que esteve disponível para comentários até domingo (17), é um dos documentos disponibilizados pela EPE como parte das referências para o Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050).

O que a pesquisa identificou, por meio de um levantamento feito entre agentes de financiamento público, foi a entrada de duas novas unidades até 2021. Além disso, a partir de 2022, a EPE enxerga um novo ciclo de expansão, mesmo que moderado, para o setor sucroenergético, com incentivos do governo e investimentos feitos pelas próprias companhias.

“As fusões e aquisições que já vêm ocorrendo, simultaneamente à internacionalização do setor sucroenergético, tendem a deixá-lo mais robusto e resistente às variações do mercado”, afirma a EPE, que completa: “Essa menor vulnerabilidade deve diminuir o custo de capital e facilitar os empréstimos e financiamentos a médio e longo prazos”.

Com isso, é projetada a entrada de 37 unidades de etanol de primeira geração até 2050, considerando reativações e fechamentos, além de novas 80 de segunda geração. Por sua vez, a capacidade de moagem das usinas já existentes deverá aumentar em 188 milhões de toneladas de cana, considerando as ampliações já planejadas.

Em outro relatório do órgão, divulgado em maio do ano passado e com projeções para 2030, eram estimadas 19 novas unidades em um cenário de médio crescimento.

À época, o governo não havia divulgado oficialmente a projeção para unidades de etanol de segunda geração. Agora, com base nas 393 usinas estimadas para 2030 em cenário de médio crescimento, e considerando as usinas E2G, o Brasil teria 486 usinas em 2050.

EPE usinas 2050 13022019

O documento ainda considera os efeitos do RenovaBio no setor. O programa é citado como uma “hipótese de recuperação da competitividade do etanol” em um cenário com novas unidades de primeira geração, seja de cana ou de milho, além das de segunda geração.

Para a análise, a EPE preferiu dividir as suas projeções a curto (2019 a 2021) e longo prazo (2022 até 2050). Em relação ao primeiro período, a entidade afirma que consegue analisar os investimentos em novas unidades com mais assertividade, já que o tempo médio de construção e início de operação de uma usina é de cerca de três anos. Deste modo, considera inviável mensurar com precisão as expansões de capacidade industrial por meio de unidades novas, por conta das incertezas inerentes ao setor sucroenergético.

Moagem de 1 bilhão de toneladas de cana

A moagem projetada pela EPE para 2026 é de 826 milhões de toneladas de cana, um volume que, segundo o órgão, poderia ser atingido cinco anos antes. A capacidade em 2021 considera unidades que já operam, um projeto greenfield estimado para este ano, além do retorno das paralisadas e da expansão de usinas existentes em 32 milhões de toneladas de cana (considerando uso de 90% do potencial das unidades).

Contudo, seriam precisos novos investimentos para expandir a capacidade instalada em 134 milhões de toneladas, a fim de atingir a projeção de 1,03 bilhão de toneladas em 2050.

Assim, a EPE calculou o número de novas unidades a partir das expectativas quanto à moagem. Para determinar uma quantidade anual próxima da realidade, o órgão divide o déficit anual de capacidade de moagem pelo porte de uma unidade média adotada para o longo prazo, ou seja, 4 milhões de toneladas.

Quanto ao E2G, a EPE acredita que as unidades devem atingir capacidade plena e custos competitivos de produção comercial somente em 2023. Além disso, o órgão estima uma capacidade média de 80 litros por tonelada de cana entre 2023 e 2027. A partir de 2028, ela aumentaria para 100 litros por tonelada de cana.

Isso será possível, de acordo com o documento, por meio do uso mais eficaz das caldeiras e pela utilização de palha e pontas, além do bagaço de cana. A EPE também afirma que as unidades seriam integradas às de primeira geração para que o custo de implantação seja menor do que uma unidade de E2G independente.

Produtividade: trunfo é a cana-energia

De acordo com a análise apresentada, a produtividade dos canaviais brasileiros passaria de 76,9 toneladas de cana por hectare em 2015 para 99,3 t/ha em 2050. A projeção é de um crescimento de 0,73% ao ano em um contexto de boa taxa de renovação dos canaviais, dada pela entrada de novas usinas.

A EPE considera outros fatores para o progresso da produtividade dos canaviais: a melhoria dos tratos culturais e o posterior uso de novas variedades, mais produtivas e adequadas aos ambientes de produção, incluindo a cana-energia.

Inclusive, o fortalecimento da cana-energia é uma das principais potencialidades para o aumento dos índices, já que a variedade possui o dobro de produtividade, um maior número de cortes, suporta melhor o pisoteio e pode ser plantada em solos de qualidade menor do que a cana convencional.

Assim, a perspectiva da EPE é que cerca de 8% da área colhida na região Centro-Sul seja de cana-energia em 2050. Neste panorama foram considerados resultados de 203 toneladas de cana por hectare, 104 kg de ATR por tonelada de cana, 0,4 toneladas de bagaço de cana por tonelada, além de 0,3 toneladas de palhas e pontas por tonelada de cana.

O estudo ainda considera que a cana-energia será plantada somente no Centro-Sul, por conta de questões econômicas. A inserção dessa variedade junto à cana convencional, entretanto, requer adequação das colhedoras, melhoria nas moendas, programação de colheita e uso de uma variedade com menor teor de fibras.

EPE produtividade 2050 13022019

Além disso, com a elevada produtividade e a necessidade de expansão da capacidade de moagem das unidades, a EPE visualiza uma redução de área plantada na região Centro-Sul. Também foi considerado um perfil de canavial próximo ao ideal, com área de cana-planta ocupando de 18% a 20% da área.

Por outro lado, mesmo com a disponibilidade de variedades de cana transgênicas, o aumento será gradual até 2030. Segundo a EPE, esse tempo é necessário para que exista uma quantidade relevante de variedades disponíveis e para que seja possível testar o comportamento de cada uma. Atualmente, o CTC possui duas variedades transgênicas liberadas para comercialização.

Enquanto a EPE projeta a entrada de novas variedades mais produtivas somente no Centro-Sul, para a região Norte-Nordeste o estudo considerou um limite de 50 t/ha. O valor é baseado na média de produtividade entre 2015 e 2017.

Qualidade da cana: papel do manejo

A EPE projeta uma qualidade da cana de 143,3 kg de ATR por tonelada em 2050, ante um indicador de 131,3 kg/t em 2015. Para isso, o estudo cita a importância do manejo varietal, que proporciona o plantio de uma variedade de cana adequada para cada solo e colheita, e do manejo agronômico, que adequa o espaçamento entre linhas do canavial e o dimensionamento do talhão para que não haja pisoteio na manobra das colhedoras, além do agrupamento de variedades e altura das leiras para que o corte da cana seja o mais rente possível do solo.

EPE qualidade cana 2050 13022019

Neste ponto, a EPE destaca a importância da mecanização no plantio como uma aliada da colheita mecanizada, que é de 90% na média nacional. “Para que se alcancem os resultados desejados de produtividade e concentração de açúcar, é necessário que esse avanço na colheita seja acompanhado pela mecanização do plantio, o que vem sendo observado nos últimos anos, mesmo que com certa defasagem no tempo”, afirma.

Em 2017, no Centro-Sul, a média de mecanização na colheita era de 96%, chegando a 99% em estados como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Em São Paulo e Goiás, a média era de 96%. Sistemas de plantio mecanizado, por sua vez, alcançavam 79% da área do Centro-Sul no mesmo ano.

EPE mecanizacao 2050 13022019

Mais açúcar e menos custos

A EPE projeta uma produção anual de 57,6 milhões de toneladas de açúcar para a metade do século. A entidade fez a projeção a partir do consumo interno e da parcela exportada da commodity. Para a análise do primeiro índice, o governo considera aspectos de renda, população, envelhecimento e mudança em hábitos alimentares.

Além disso, a expectativa é que o Brasil aumente sua participação no mercado mundial, saindo de 40% para 48% do volume total exportado no comparativo entre 2015 e 2050. Os motivos seriam o crescimento do consumo em países da África e da Ásia e a participação na produção mundial da Índia, Tailândia e União Europeia. A EPE, entretanto, não detalhou como será a evolução da produção nestes locais.

A empresa ainda espera uma redução dos custos de produção a longo prazo, principalmente na área agrícola, que representa 65% do total para a fabricação de etanol. Essa redução viria com a adequação da mecanização tanto do plantio quanto da colheita e com o aumento da produtividade e do rendimento da cana a partir da expansão e da renovação dos canaviais, além da inserção das novas variedades.

Já a redução dos custos industriais deve acontecer com menor intensidade. Segundo a EPE, o que se espera é uma melhoria nos processos de fermentação do etanol.

Outros custos com previsão de redução são os de arrendamento de terras, pois há uma tendência de maior produção no Centro-Oeste. Nesta região, o custo da área é menor do que em São Paulo e já há uma mecanização avançada. Ainda conforme a EPE, novas áreas agrícolas podem ser liberadas no Sudeste por conta do adensamento de gado, aumentando a área agrícola.

Por fim, outra área que terá ganhos, segundo o governo, é a da bioeletricidade. Os investimentos em novas usinas já devem contar com este ativo desde o início e os projetos de modernização (retrofits) tendem a acrescentar esta possibilidade para diversificar a receita e reduzir os riscos das usinas.

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Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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