Usinas

Empresário oferece R$ 900 milhões à vista por usinas do grupo Clealco

De acordo com fontes consultadas, credores da sucroenergética não devem aceitar a proposta, que foi recebida com desconfiança


novaCana.com - 16 out 2020 - 09:13

Um leilão de 33 lotes de terras do grupo Clealco foi realizado ontem, 15, e recebeu algumas propostas que devem ser analisadas pelos credores nos próximos dias. Dentre elas, chamou atenção a oferta realizada pelo empresário pernambucano Alfredo José Gonçalo Filho: ele pretende pagar R$ 900 milhões, à vista, pelas terras e por duas usinas do grupo.

Segundo noticiado pelo Valor Econômico, entretanto, o plano de recuperação da empresa não prevê este formato de transação. A princípio, a Clealco deve realizar separadamente o leilão das terras e o de uma das duas usinas, Queiroz ou Clementina. Já a usina Penápolis deve permanecer com a companhia. Todas as unidades estão localizadas nos municípios paulistas homônimos.

De acordo com uma das fontes consultadas pela reportagem, a oferta vem de uma empresa desconhecida no setor, o que trouxe dúvidas sobre sua credibilidade, e deve ser descartada por trazer um modelo de negócio distinto do previsto no plano já aprovado pelos credores e homologado pela justiça.

Gonçalo Filho, por sua vez, protocolou um documento em que argumenta que as usinas Queiroz e Clementina, além das terras colocadas em leilão, “são um corpo único” e “indispensáveis uma a outra”. Ele ainda pede a aprovação do juiz do processo para que a proposta seja analisada.

Conforme apuração do Valor, a proposta do empresário foi realizada por meio da AGF - Indústria Produtora de Açúcar, Etanol e Energia Elétrica Ltda. A companhia controla a usina Terra dos Palmares em Pernambuco. Além disso, o empresário também é sócio de uma trading de açúcar, a CPM Brazil Comércio, Importação e Exportação de Commodities.

A reportagem também nota que esta não é a primeira vez que Gonçalo Filho demonstra interesse por uma usina em dificuldade. O empresário já teria feito propostas para a Renuka e para a Guaxuma, da massa falida de João Lyra.

O Valor Econômico tentou entrar em contato com o advogado do empresário, mas ele não foi encontrado para comentar.

A Clealco está em recuperação judicial desde julho de 2018. Na safra passada, o grupo optou por fechar duas de suas unidades e atuar apenas com a Queiroz, registrando uma perda líquida de R$ 286,65 milhões ao final da temporada. De lá para cá, as operações da usina Clementina já foram retomadas. Recentemente, também foram aprovadas mudanças no plano de recuperação judicial da companhia, ampliando as formas para obtenção de novos recursos.

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Com informações do Valor Econômico