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Com dívida de R$ 2 bilhões, Grupo Moreno entra com pedido de recuperação judicial

Companhia analisa a possibilidade de venda das usinas Moreno e Nova Moreno


novaCana.com - 19 set 2019 - 09:38

Na mesma safra em que completa 60 anos de atuação, o Grupo Moreno traçou mais um marco em sua história – ainda que ele não seja motivo de comemorações. Controladora de três usinas em São Paulo, a companhia entrou na justiça ontem (18) com um pedido de recuperação.

Segundo informações do Valor Econômico, a decisão foi tomada após problemas nas negociações com bancos e um período de inadimplência. No total, as dívidas da sucroenergética somam R$ 2 bilhões, com os credores concursais (sujeitos às regras da recuperação judiciais) correspondendo a R$ 1,5 bilhão.

No processo de recuperação judicial, o Grupo Moreno é representado pelo escritório Felsberg Advogados. Além disso, a empresa também contratou a assessoria financeira da Pantalica Partners.

Usinas à venda

Conforme a fonte consultada pelo Valor, a venda de usinas está sendo considerada, mas ainda não há uma decisão. Entre as “candidatas” estão a Nova Moreno, em Monte Aprazível (SP) – que possui a maior capacidade de moagem do grupo, superando 3 milhões de toneladas por safra – e a Moreno, em Luís Antônio (SP), que é próxima a Ribeirão Preto, localização considerada estratégica. Nenhuma das unidades realiza cogeração de eletricidade a partir de bagaço de cana.

De acordo com uma fonte de ouvida pelo novaCana, e que pediu para não ser identificada, o processo de recuperação judicial pode facilitar a venda das unidades. “Comprar uma usina por meio de uma UPI [Unidade Produtiva Isolada] é muito melhor porque não tem nenhuma sucessão, nenhuma responsabilidade”, afirma e completa: “Às vezes, o próprio comprador exige o processo de recuperação para poder formalizar aquela compra e, assim, fechar o negócio de uma forma mais ‘blindada'".

No caso do Grupo Moreno, especificamente, a fonte comenta que há também uma preocupação com o retorno aos acionistas, que pode ser maior quando a venda ocorre por meio de uma UPI do que pela venda direta, quando seriam descontadas contingências da empresa.

A possível venda de unidades já estava sendo considerada pela empresa há meses. O Grupo Moreno até mesmo contratou, no primeiro semestre deste ano, a consultoria Czarnikow com o objetivo de encontrar compradores para as usinas e levantar recursos para quitar parte das dívidas.

Em abril deste ano, o presidente-executivo do grupo, Carlos Moreno, afirmou à Bloomberg que tomaria uma decisão sobre a venda de usinas. Naquele momento, a dívida era estimada em R$ 1,4 bilhão.

Além disso, em setembro do ano passado, a Cofco International teve conversas iniciais para adquirir duas usinas do Grupo Moreno, conforme fontes ouvidas pela Bloomberg. Porém, na ocasião, Carlos Moreno disse que sua empresa estava considerando apenas a venda de terras agrícolas e da estrutura de cogeração, localizada na usina Coplasa, em Planalto (SP).

Fornecedores também não estão sendo pagos

Além de estar inadimplente com bancos, a companhia também não está mais pagando seus fornecedores de cana – que são responsáveis por cerca de 40% da matéria-prima das usinas – desde o final de agosto. A informação foi dada ao Valor Econômico pelo presidente da Associação dos Plantadores de Cana e Outras Culturas da Região de Monte Aprazível (Aplacana), Juliano Maset. “Os últimos três pagamentos não foram feitos”, disse.

A associação tinha marcado uma reunião com o Grupo Moreno para tratar do assunto, mas o encontro foi adiado para hoje (19). Além disso, a reportagem também aponta que, nos últimos três meses, a companhia passou a ser acionada na justiça com cobranças e pedidos de rescisão de contratos de parceria agrícola.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que o Grupo Moreno busca uma renegociação de dívidas. Em 2016, a companhia assinou um acordo com credores, obtendo 18 meses de carência para negociar condições do alongamento da dívida, que então totalizava R$ 1,5 bilhão. Naquele momento, já era considerada a possibilidade de venda de ativos ou de participação na empresa.

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Com informações adicionais do Valor Econômico e da Bloomberg