A mudança na gestão da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) segue atravancada. Após o fundo americano Lone Star obter aval da justiça para assumir o controle da empresa, o conselho de administração deve ser totalmente reformulado.
Conforme apuração realizada pelo Valor Econômico, os três conselheiros independentes da companhia renunciaram na última quarta-feira. São eles: José Alberto Torres Lima, com atuações na Shell e na Petrobras; Alexandre Figliolino, consultor da XP com passagem pelo Itaú BBA; e Michel Roy, que havia atuado na Glencore.
Os três haviam sido indicados pela Novonor (que ainda se chamava Odebrecht) e validados pelos bancos credores há quatro meses, quando foi criado o conselho.
Outros dois nomes do conselho já tinham sido substituídos anteriormente, uma vez que eram os postos ocupados pelos diretores da Novonor Ruy Sampaio e Rogério Moreira. Agora, a mesa é composta por Gustavo Alvares e Alexander Hesse, ambos diretores da Lone Star.
Segundo duas fontes ouvidas pelo Valor, o fundo também tem a intenção de substituir a diretora da Atvos, Juliana Baiardi, por Alvares. Outro cargo que deve sofrer mudanças é a diretoria financeira, atualmente ocupada por Alexandre Perazzo, vindo da Braskem.
Para realizar estas alterações, entretanto, a Lone Star necessita de um conselho de administração completo. Novos nomes foram submetidos aos credores na sexta-feira, 15, mas precisam ser validados em assembleia geral. A reunião, que ocorrerá de forma virtual, está marcada para 25 de janeiro, às 14h30.
De acordo com reportagem do Valor Econômico, cinco profissionais estão sendo considerados: Julio Toledo Piza, consultor de agronegócios da McKinsey e conselheiro da Terra Santa e do Grupo Roncador; Alberto Ferreira Pedrosa Neto, que presidiu por quatro anos o grupo Clealco; Luciano Sfoggia, sócio da Beta Finance Consultoria; Rodrigo Monteiro Castro, advogado especialista em direito comercial e societário; e Timothy Eugene Powers, advogado norte-americano da Haynes Boone, com experiência no mercado financeiro.
Ainda conforme apuração do Valor, a aprovação de um conselheiro depende da concordância de ao menos 72% do total dos créditos detidos pelos credores elegíveis. Neste grupo, é necessária a presença de um credor das classes com garantia real, quirografária (sem garantia) e extraconcursal aderente.
Além da assembleia de credores, outro encontro importante deve ocorrer no futuro próximo da Atvos. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a Novonor solicitou uma reunião do conselho de administração da Atvos Agroindustrial, que detém as ações da Atvos Bioenergia. A primeira convocação está marcada para 21 de janeiro e a segunda, no dia seguinte.
Os representantes do grupo baiano querem tratar da contratação de um seguro de responsabilidade civil para administradores de sociedades – que é acionado quando gestores cometem falhas – e do cumprimento do plano de recuperação. Além disso, eles pretendem questionar os processos judiciais que a Lone Star move, na condição de credora, contra a Atvos.
De acordo com as fontes consultadas, a Novonor quer evitar que a Lone Star avance sobre a gestão da Atvos enquanto espera o fim do recesso do judiciário. O grupo pretende recorrer da decisão do TJ-SP em terceira instância.
novaCana.com
Com informações do Valor Econômico