Usinas

CJ Selecta mantém planos para usina de etanol, apesar da queda na demanda


Reuters - 09 abr 2020 - 13:33

Atuante no mercado de processamento de soja, a CJ Selecta afirmou que continuará com a construção de sua primeira usina de etanol, prevista para o final do ano. A decisão foi tomada enquanto outros agentes do mercado se afastam do biocombustível em meio à queda na demanda e aos baixos preços da gasolina.

Considerada a maior fabricante mundial de concentrado de proteína de soja para a indústria de salmão, a CJ Selecta está construindo uma usina de etanol para diversificar seus produtos e fortalecer os compromissos de sustentabilidade, disse o CEO da empresa, Guilherme Tancredi, à Reuters.

“É um projeto de longo prazo. O cenário atual não nos preocupa”, afirmou Tancredi sobre possíveis problemas no mercado de etanol. Além disso, a perspectiva é que a maior parte da produção da nova usina seja utilizada na planta de esmagamento de soja da CJ Selecta em Araguari (MG), reduzindo os custos com combustível.

A usina da CJ Selecta terá capacidade para produzir 12 milhões de litros de etanol anualmente, disse Tancredi, que se recusou a dar o tamanho do investimento no projeto. Ainda segundo ele, a decisão pela construção foi tomada há um ano.

De acordo com estimativas da empresa, a produção excedente, que será comercializada, deve corresponder a menos de 0,5% da demanda por etanol no estado de Minas Gerais. Para a venda deste volume, a companhia deve obter uma autorização junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Atualmente, a CJ Selecta – que foi adquirida pelo conglomerado sul-coreano CJ CheilJedang Corp em 2017 – produz e exporta mais de 300 mil toneladas de proteína de soja para alimentos por ano, com a Europa recebendo 60% de suas exportações.

A empresa também está aumentando seus compromissos de sustentabilidade e se comprometeu a eliminar as compras de soja da região amazônica até 2022. A ação é uma resposta às crescentes preocupações de que os produtores de grãos possam estar causando desmatamentos na região. “Essas ações nos diferenciam na cadeia de fornecimento de soja”, disse Tancredi.

Ana Mano
Com tradução novaCana.com