Para Andy Duff, há três mercados potenciais para o biocombustível, que pode tornar as sucroenergéticas “ainda mais verdes”
O investimento de alguns grupos sucroenergéticos na geração de biogás chamou a atenção do gerente do departamento de pesquisa do Rabobank, Andy Duff. Em artigo publicado pelo banco, ele afirma que os grupos “mais progressivos” do setor – Raízen, Adecoagro, São Martinho, Cocal e Jalles Machado – já estão estudando a aplicação de recursos ou efetivamente investindo na área.
De acordo com ele, há três opções de mercado para o biogás. Destas, a mais simples seria queimá-lo para a geração de energia elétrica, em um processo similar ao já feito pelas usinas que queimam resíduos do campo em unidades termelétricas.
A queima também seria a escolha mais fácil para as sucroenergéticas, acredita ele. Duff defende que esse seria o modelo simples e que envolve menos desafios.
A segunda opção seria a purificação do biogás para que ele alcance o índice de 95% metano. O biometano, por sua vez, pode ser introduzido nos gasodutos para uso residencial ou industrial, funcionando como um substituto do gás natural.
“Inclusive, um dos projetos anunciados envolve a colaboração entre a usina Cocal e uma empresa distribuidora de gás, com o objetivo de produzir metano na usina e distribuir para duas grandes cidades na região”, reforça Duff. Os investimentos da Cocal e da GasBrasiliano devem somar R$ 160 milhões.
“Para entrar em fornecimento de gás, [as usinas] têm que buscar parceiros do setor de gás e se conectar com o sistema de gasoduto. Isso traz complicações adicionais”, Andy Duff (Rabobank)
Por fim, o terceiro possível mercado para o biogás é o uso pelo setor automotivo, como um substituto do diesel em veículos pesados como caminhões e tratores. Neste caso, uma das principais oportunidades estaria dentro das próprias usinas, gerando uma redução de custos.
“Para cada tonelada de cana que uma usina produz, ela gasta, em média, quatro litros de diesel entre as operações no campo e o transporte para a usina. Há emissões de gases de efeito estufa associadas com esse uso de diesel e há um custo”, relata Duff em podcast setorial, também lançado pelo próprio Rabobank.
No texto completo, saiba mais sobre o potencial do mercado de biogás, o impacto do novo produto no contexto do RenovaBio e as vantagens do uso da vinhaça para sua produção.
O investimento de alguns grupos sucroenergéticos na geração de biogás chamou a atenção do gerente do departamento de pesquisa do Rabobank, Andy Duff. Em artigo publicado pelo banco, ele afirma que os grupos “mais progressivos” do setor – Raízen, Adecoagro, São Martinho, Cocal e Jalles Machado – já estão estudando a aplicação de recursos ou efetivamente investindo na área.
De acordo com ele, há três opções de mercado para o biogás. Destas, a mais simples seria queimá-lo para a geração de energia elétrica, em um processo similar ao já feito pelas usinas que queimam resíduos do campo em unidades termelétricas.
A queima também seria a escolha mais fácil para as sucroenergéticas, acredita ele. Duff defende que esse seria o modelo simples e que envolve menos desafios.
A segunda opção seria a purificação do biogás para que ele alcance o índice de 95% metano. O biometano, por sua vez, pode ser introduzido nos gasodutos para uso residencial ou industrial, funcionando como um substituto do gás natural.
“Inclusive, um dos projetos anunciados envolve a colaboração entre a usina Cocal e uma empresa distribuidora de gás, com o objetivo de produzir metano na usina e distribuir para duas grandes cidades na região”, reforça Duff. Os investimentos da Cocal e da GasBrasiliano devem somar R$ 160 milhões.
“Para entrar em fornecimento de gás, [as usinas] têm que buscar parceiros do setor de gás e se conectar com o sistema de gasoduto. Isso traz complicações adicionais”, Andy Duff (Rabobank)
Por fim, o terceiro possível mercado para o biogás é o uso pelo setor automotivo, como um substituto do diesel em veículos pesados como caminhões e tratores. Neste caso, uma das principais oportunidades estaria dentro das próprias usinas, gerando uma redução de custos.
“Para cada tonelada de cana que uma usina produz, ela gasta, em média, quatro litros de diesel entre as operações no campo e o transporte para a usina. Há emissões de gases de efeito estufa associadas com esse uso de diesel e há um custo”, relata Duff em podcast setorial, também lançado pelo próprio Rabobank.
Segundo o gerente, o diesel tende ser um dos principais custos para qualquer usina, chegando a ser o item mais custoso ao longo do ano em alguns casos. Desta forma, a possibilidade de substitui-lo por um biocombustível que é produzido na própria usina representaria “uma oportunidade muito interessante”.
Duff também acredita que a substituição do diesel pelo biogás dentro das usinas pode ser incentivada pelo RenovaBio, uma vez que esta política pública valoriza processos produtivos mais sustentáveis. Assim, além de gerar uma economia, a troca também poderia significar um aumento nas receitas a serem obtidas por meio do programa.
“Atualmente, não está claro quanto impulso o RenovaBio poderia trazer a qualquer projeto destinado a substituir o diesel pelo biogás”, pondera o gerente, que explica: “O preço das reduções de emissões de carbono no âmbito do novo programa é complexo e estará sujeito a forças de mercado”.
Ainda assim, ele afirma que a possibilidade de aumento nas receitas por conta do RenovaBio é vista como “a cereja do bolo”. De acordo com ele, a lógica econômica dos projetos é derivada da redução de custos e da independência energética trazida pelo biogás, que também servirá como uma alternativa para reduzir os resíduos das usinas.
Porém, por mais que já existam carros leves circulando com gás, o uso em veículos pesados ainda não é uma realidade no país. De acordo com Duff, a tecnologia ainda precisa ser totalmente dominada pelas fabricantes – mas já há protótipos em montadoras de tratores, como a New Holland, e de caminhões, como a Scania.
“Elas uniram esforços para desenvolver o mercado junto com os potenciais produtores de metano”, afirma. Assim, por mais que considere que seja cedo para avaliar o sucesso da tecnologia, na visão do analista, a aliança com as usinas de cana traz credibilidade aos projetos.
Um novo uso para a vinhaça
Duff explica que, nas usinas, o biogás será produzido com resíduos do processo produtivo como a torta de filtro, um resíduo sólido da moagem, e até a palha da cana-de-açúcar, que fica no campo após a colheita. Porém, a vinhaça é a opção mais comum. “A vinhaça é produzida em volumes consideráveis. Para cada litro de etanol produzido, são gerados de 10 a 14 litros de vinhaça”, justifica.
Atualmente, a maior parte da vinhaça volta para os canaviais, sendo usada como fertilizante. Porém, o gerente observa que ela representa um grande volume e apresenta baixa densidade de nutrientes. Para completar, o custo de transporte da vinhaça também pode ser elevado, apresentando desafios técnicos e econômicos.
“[A vinhaça] é um produto muito ácido, então, ela pode afetar o pH do solo, ter um cheiro ruim e atrair moscas, tornando sua aplicação impraticável em lavouras próximas a áreas residenciais”, complementa.
Ouça o podcast completo
Renata Bossle – NovaCana