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Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial, pode passar por reestruturação de dívidas [atualizado]

Nos próximos meses, várias empresas do grupo Odebrecht devem entrar em recuperação extrajudicial ou até mesmo judicial; sucroenergética pode fazer parte da lista


novaCana.com - 21 mai 2019 - 08:23 - Última atualização em: 23 mai 2019 - 08:56

Em crise financeira e de imagem há pelo menos quatro anos, a Odebrecht ainda luta para se desvencilhar das consequências da Operação Lava-Jato, que trouxe à tona escândalos de corrupção envolvendo a companhia. Agora, segundo reportagem do Valor Econômico, o grupo precisa de pelo menos R$ 1 bilhão para manter suas atividades funcionando por mais um ano.

Os recursos, ainda conforme a reportagem, não seriam destinados para cobrir dívidas, mas para garantir o funcionamento cotidiano das empresas, incluindo os pagamentos devidos ao Ministério Público.

As empresas da Odebrecht já estão inadimplentes no serviço e na amortização das dívidas há pelo menos seis meses, com a empresa mantendo conversas com os credores para encontrar uma saída. As únicas exceções são a petroquímica Braskem, que possui condições próprias, e a Ocyan, que finalizou uma recuperação extrajudicial em 2017.

Dessa forma, a expectativa é que várias empresas do grupo entrem em recuperação extrajudicial ou judicial nos próximos meses. A relação inclui a Atvos, que atua no setor sucroenergético; a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC); a OR, antiga Odebrecht Realizações; e a Odebrecht TransPort (OTP).

A Atvos, inclusive, é tida pela reportagem como um dos casos mais urgentes. Segundo o Valor Econômico, no começo do ano, foi feito um plano para cortar pela metade uma dívida de R$ 11 bilhões, com a conversão do valor em debêntures de participação de resultado.

A proposta, no entanto, não teria agradado o BNDES e um segundo credor, que teriam alegado só aceitar a estrutura com um novo dono. Segundo as fontes consultadas, contudo, a negociação de venda não ocorrerá no tempo que a empresa precisa.

Além disso, o fundo Lone Star obteve nesta semana uma vitória na Justiça. A decisão exige da Atvos o depósito de cerca de 65% das vendas de etanol em favor do fundo. Com isso, o projeto de uma reorganização definitiva das dívidas teve de ser adiado.

Conforme reportagem da Bloomberg, a Atvos também enfrenta dificuldades para negociar com o fundo Castlelake. Assim, a empresa estaria tentando um acordo para reestruturar suas dívidas com os bancos nacionais, que são seus maiores credores. O plano extrajudicial, então, seria imposto aos fundos.

De acordo com as fontes consultadas, a Atvos não teria dinheiro suficiente para efetuar, no fim deste mês, os depósitos determinados pela justiça e, ao mesmo tempo, continuar operando normalmente.

O Lone Star e o Castlelake emprestaram US$ 250 milhões à Atvos no final de 2017 para serem usados como capital de giro e para investimentos. Porém, a companhia parou de pagar juros em dezembro e, agora, deve cerca de US$ 300 milhões.

Segundo a diretora jurídica da Atvos, Joana Batista, a empresa está cumprindo todas as decisões judiciais. “Embora o foco seja a negociação amigável com seus credores, a empresa não se esquivará de usar meios legais se necessário no futuro, incluindo um pedido de recuperação judicial”, disse em entrevista à Bloomberg.

O Castlelake não respondeu a um pedido de entrevista da Bloomberg. Já o Lone Star preferiu não comentar.

Atvos pode colocar grupo em risco

Ainda conforme reportagem da Bloomberg, um pedido de recuperação judicial da Atvos traz riscos para a controladora Odebrecht SA, que está dando aval às negociações. Dessa forma, se os bancos exigirem que a Odebrecht honre seu aval, a holding também poderá ter de pedir recuperação judicial, disseram as fontes consultadas.

O Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa Econômica Federal estão entre os maiores credores da Atvos, juntamente com o Banco Bradesco e o Itaú Unibanco.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico e da Bloomberg