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Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial, quer adiar assembleia de credores

Em recuperação judicial, companhia solicitou que reunião aconteça em 24 de outubro


novaCana.com - 30 set 2019 - 07:57

Quatro meses após entrar na justiça com um pedido de recuperação judicial, a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) pediu agendamento de sua assembleia geral de credores para 24 de outubro, com segunda convocação em 31 de outubro. O pedido foi feito ao juiz João de Oliveira Rodrigues Filho, da 1ª Vara de Falências de São Paulo.

De acordo com reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, no entanto, a expectativa da companhia é que a assembleia seja instalada e, logo em seguida, suspensa e adiada. Segundo fontes consultadas, a Atvos segue em negociação com credores.

A empresa apresentou seu plano de recuperação no começo de agosto. A proposta prevê um corte de 35% das dívidas com garantia real e de 75% das sem garantia. No total, a dívida da Atvos soma R$ 15 bilhões, mas R$ 350 milhões são com fornecedores e R$ 3,9 bilhões são com o próprio sistema Odebrecht. Além disso, uma dívida extraconcursal de R$ 3,4 bilhões envolverá conversas privadas, sem intenção de redução de valores.

Porém, as fontes ouvidas pelo Valor Econômico apontam a necessidade de que o plano aprovado seja coerente com o plano da holding controladora do grupo, a Odebrecht S.A. (ODB). Dessa forma, elas esperam que o texto final do plano de recuperação da Atvos tenha alterações.

A Atvos pediu recuperação judicial em 29 de maio, enquanto a ODB e mais 20 empresas do grupo pediram proteção contra credores em 17 de junho. No total, as dívidas do grupo chegam aos R$ 65,5 bilhões.

Conflito com a Caixa

Da dívida financeira da sucroenergética, quase 80% pertence ao BNDES e ao Banco do Brasil. Além deles, os principais credores da companhia são Bradesco, Itaú, Santander e Caixa Econômica Federal.

A Caixa – que também é credora da ODB – solicitou, na última quinta-feira (26), que o juiz extinga a recuperação judicial do grupo. O argumento é que a Odebrecht teria reunido em um único processo a recuperação judicial de várias empresas diferentes, o que pela lei seria ilegal.

Conforme reportagem da Folha de São Paulo, o banco alega que “não há justificativa” para a inclusão de todas as empresas não operacionais do grupo Odebrecht na recuperação, enquanto companhias que geram receita – como a própria Atvos, a construtora OEC e a Braskem –, ficaram de fora.

Recuperação em andamento

Ao mesmo tempo em que se protege contra os credores, a Atvos também anuncia uma reação em suas operações. Na quarta-feira (25), a Folha de São Paulo noticiou que a companhia pretende investir R$ 632 milhões até o fim da safra 2019/20. O objetivo seria alcançar a produção de 2,1 bilhões de litros de etanol.

Além disso, a coluna do Broadcast, do jornal O Estado de São Paulo relatou que a empresa produziu 310 milhões de litros de etanol hidratado em agosto, um recorde para o período. Em comparação com os cinco primeiros meses da safra anterior, a Atvos teria ampliado em 31% a oferta de etanol.

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Com informações de Valor Econômico, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo