Usinas

Atvos aprova plano de recuperação judicial em assembleia de credores

Destino das usinas Conquista do Pontal e Santa Luzia, porém, depende de análise por parte do juiz responsável


Reuters - 21 mai 2020 - 07:56

A Atvos, uma das principais produtoras de etanol do país, teve seu plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira em Assembleia Geral de Credores e já planeja retomar investimentos para renovação dos canaviais e melhoria das operações, informou a companhia em comunicado.

O documento será levado a homologação do judiciário, disse a empresa que, atualmente, é responsável por cerca de 10% do abastecimento de etanol no mercado brasileiro. “O plano de recuperação judicial especifica condições de pagamentos para as diversas classes de créditos devidos pela empresa. A prioridade é o pagamento dos créditos de fornecedores e parceiros agrícolas”, afirmou.

Os pagamentos serão realizados em parcela única, no prazo de 90 dias – para os credores que optarem por receber até 50 mil reais –, ou em três parcelas anuais com primeiro pagamento um ano após a homologação.

Por meio da transferência de 46% da dívida das unidades operacionais, a Atvos espera que a alavancagem da empresa recue de 6 vezes para 3 vezes.

Duas usinas são encaradas à parte

Entre as principais decisões tomadas pelos credores na assembleia está a separação da recuperação judicial de duas das nove empresas que fazem parte da Atvos: as usinas Conquista do Pontal e Santa Luzia.

Segundo reportagem do Valor Econômico, a corretora Planner é a principal credora de ambas as empresas. Além disso, há a possibilidade de que a recuperação judicial destas unidades seja transformada em falência.

A Planner, aliás, representa a gestora Castlelake e o fundo Lone Star. Com esta decisão, a Atvos reduz o poder de veto da corretora sobre o plano consolidado das outras sete usinas do grupo, que concentram a maioria dos créditos.

Desde o começo de maio, a Odebrecht e o Lone Star vivem uma disputa pelo controle da Atvos. O fundo passou a exigir o comando da sucroenergética depois de ter comprado 50,1% de suas ações, que estavam em garantia pela Natixis, credora da Odebrecht no Peru. A holding, por sua vez, entrou com pedido de arbitragem alegando que a Natixis violou as regras do contrato firmado em 2017.

Na assembleia, conforme noticiado pelo Valor, a Atvos tentou impedir a Planner de votar tanto no plano consolidado como nos dois individuais. O argumento é que, como o Lone Star tenta ser acionista da Atvos, o voto de sua representante representaria um conflito de interesses.

Por sua vez, a defesa da Planner afirmou que não reconheceria o resultado da assembleia de credores caso não seja assegurado o controle acionário da companhia.

A Atvos ainda alegou que os planos de recuperações individuais das duas usinas não reestruturavam os créditos na classe 2 (com garantia real) – categoria em que a corretora se enquadra –, o que garantiria a exclusão da votação desses credores. Os advogados da corretora, entretanto, protestaram.

Por conta destas discordâncias, a administradora judicial Alvarez & Marsal realizou duas votações, considerando as possibilidades da Planner ter ou não direito a voto. A decisão, agora, ficará por conta do juiz da recuperação.

Segundo apuração do Valor Econômico, no cenário que contabiliza o voto da Planner, os planos das duas usinas não foram aprovados pelos credores da classe 2. Já no cenário sem a participação da corretora, os planos foram aprovados.

Planos para a operação

Para a safra 2020/21, a Atvos projeta moer cerca de 26,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o suficiente para produzir 1,9 bilhão de litros de etanol e 447 mil de toneladas de açúcar.

O volume de cana processada deve ficar estável ante a temporada de 2019/20, mas a estimativa para a produção de etanol representa queda de 11,2% em relação aos 2,14 bilhões de litros fabricados na safra passada. Já a projeção para o açúcar é 90,2% maior, visto que foram produzidas 235 mil toneladas do adoçante no ciclo anterior.

No período, a empresa informou que deve investir 350 milhões de reais em renovação e expansão de canaviais, equipamentos agrícolas e aprimoramentos industriais.

Até a safra 2025/26, o objetivo da Atvos é aumentar de 13% para 17% as taxas de renovação do canavial, que terá sua idade média reduzida de 3,9 anos para 3 anos. Em relação à expansão, estão previstos 55 mil novos hectares de plantio. Hoje, a empresa administra 498 mil hectares de cana.

A expectativa é alcançar em seis safras capacidade de moagem de 35 milhões de toneladas, produção de 2,7 bilhões de litros de etanol, 317 mil toneladas de açúcar VHP e 3,6 mil GWh de energia elétrica a partir da biomassa da cana-de-açúcar.

“Com a diluição de custos promovidos pelo aumento da moagem, espera-se melhorar de forma significativa a rentabilidade das operações”, afirma a companhia em nota.

Nayara Figueiredo
Com informações adicionais do Valor Econômico e edição novaCana.com