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Assembleia da Odebrecht com credores da Atvos é paralisada após início das discussões

Grupo Odebrecht previa a realização de 21 assembleias, mas reunião da sucroenergética foi a única efetivamente instaurada


novaCana.com - 05 dez 2019 - 08:39 - Última atualização em: 06 dez 2019 - 07:11

Credores de todas as companhias que compõem o grupo Odebrecht deveriam se reunir ontem (4) para votações que podem decidir o rumo da recuperação judicial da holding e suas subholdings. Porém, das 21 assembleias previstas, 16 não foram realizadas por falta de quórum e quatro foram suspensas antes da realização de qualquer votação, atendendo a um pedido da própria Odebrecht.

Com isso, o único encontro a ter início foi o da Atvos, braço sucroenergético do grupo. De acordo com reportagem do Valor Econômico, os credores realizaram apenas a votação do primeiro tópico da pauta – e foram contrários à unificação dos créditos em um único plano de recuperação. Esta decisão, porém, pode ter pouco impacto, pois o processo da companhia já está sendo realizado separadamente.

A princípio, a Odebrecht concorda que a recuperação da Atvos siga desta forma – o argumento é que os credores estão relacionados apenas às companhias sucroenergéticas. Ainda assim, uma estratégia jurídica detalhada deve ser definida até a próxima terça-feira (10), quando devem ocorrer todas as assembleias em segunda convocação. Nesta data, fica dispensada a exigência de quórum mínimo.

Como o processo da Atvos é independente, está prevista para amanhã (6) a realização de uma nova assembleia, em primeira convocação. A segunda convocação, por sua vez, está marcada para 17 de dezembro.

Novo plano

O encontro de ontem foi suspenso após uma solicitação da própria Odebrecht, pois o tópico seguinte abordaria o plano de recuperação. Segundo a reportagem, o documento ainda deve receber uma versão final e detalhada em substituição ao que foi apresentado pela justiça em agosto.

Conforme o texto do Valor Econômico, a Odebrecht está em negociação com cinco bancos credores: Itaú, Bradesco, Santander, BNDES e Banco do Brasil. A ideia é firmar um acordo que definirá as diretrizes do plano de recuperação detalhado – tanto para a Atvos quanto para a holding – e, também, da reestruturação das dívidas fora do processo. O pacto ainda não estaria finalizado, embora as fontes consultadas aleguem que as definições estejam avançadas.

A princípio, a Odebrecht teria a intenção de aprovar a reorganização e homologar o documento até o dia 20, antes do recesso do judiciário. Entretanto, a empresa já considera a possibilidade de que isso não seja mais possível. O motivo estaria nos bancos, que precisam submeter o acordo negociado aos seus comitês de crédito, e na possibilidade do surgimento de liminares.

Ausência dos Gradin

Enquanto diversas assembleias não foram realizadas por falta de quórum, há credores que gostariam de estar na reunião, mas não foram reconhecidos pela justiça. Este é o caso da família Gradin, sócia da família Odebrecht, com participação minoritária.

De acordo com a reportagem, uma liminar solicitou o direito de participação na votação, com um crédito autodeclarado de R$ 12 bilhões. Porém, o pedido foi recusado porque o juiz entendeu que não há um crédito constituído, afinal, trata-se de uma disputa societária que se arrasta há anos.

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Com informações do Valor Econômico