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GranBio faz parceria com Nuseed para acelerar pesquisas em cana-energia


GranBio - 09 set 2022 - 14:51

A brasileira GranBio, pioneira em etanol de segunda geração (E2G), e a australiana Nuseed, empresa global de sementes, fizeram uma parceria estratégica de longo prazo para acelerar o processo de pesquisa, desenvolvimento e comercialização de cana-energia no mercado internacional. As informações foram divulgadas ontem, 8, e detalhadas em coletiva imprensa na manhã de hoje, 9.

A cana-energia é uma variedade geneticamente modificada que visa ser mais produtiva na fabricação de etanol. Ela também é recomendada para a produção de etanol celulósico ou de segunda geração (E2G), uma vez que resulta em uma quantidade superior de biomassa ante a cana convencional.

Conforme divulgado pela GranBio, a Nuseed adquiriu os ativos comerciais e de melhoramento de cana-energia da empresa brasileira. A iniciativa busca incrementar o valor da energia produzida a partir da inovação em cana bioenergética.

A parceria se dará a partir de duas frentes. A primeira é o processo de aceleração do desenvolvimento por parte da Nuseed, que irá buscar o melhoramento visando a adoção comercial da cana-energia em larga escala na indústria nacional, além da expansão para outros mercados mundiais.

A segunda parte é a continuidade dos investimento por parte da GranBio. A empresa será a licenciadora exclusiva da matéria-prima para aplicações no campo lignocelulósico, como açúcares celulósicos e lignina, E2G, bioquímicos, SAF (bioquerosene de aviação) e materiais renováveis.

De acordo com a GranBio, o acordo “permitirá que a cadeia de valor da biomassa ao combustível se torne uma solução poderosa para o desafio de garantir matéria-prima renovável em grande escala de forma segura e sem competir com alimentos”.

A empresa ainda destaca os projetos de biorrefinarias E2G em clusters dedicados com tecnologia da GranBio. A projeção é que, com apenas 50 mil hectares de cana-energia irrigada, seja possível produzir o equivalente a 100 milhões de galões [378,54 milhões de litros] de SAF a partir de 2028.

“Existem zonas tropicais e subtropicais em regiões da América Latina, sul dos Estados Unidos, África, Ásia e Austrália, correspondendo a mais de 700 milhões de hectares de terras potencialmente disponíveis não usadas para culturas alimentares”, destaca a empresa.

Para o CEO e fundador da GranBio, Bernardo Gradin, a parceria se deu por conta da “visão inovadora” da Nuseed para o negócio, com o desempenho de plantas e agregação de valor e rendimento.

“Quando evoluímos e tivemos clientes no Brasil que demandaram mais recursos para que a expansão acontecesse, fomos buscar investidores e, dentre eles, a Nuseed foi a que se encaixou melhor pela visão de longo prazo, de aliança estratégica, combinando o que cada empresa tem de melhor”, destacou Gradin durante a coletiva.

Ele acredita que a Nuseed vai tornar a cana-energia mais competitiva e com alcance global, enquanto a GranBio irá complementar uma parte da estratégia das duas companhias, que é terem impacto na transição energética.

Para ele, o objetivo deve ser cumprido com as tecnologias de conversão da biomassa em E2G, SAF e outros biocombustíveis. Nesse contexto, a cana-energia se posicionaria como uma matéria-prima segura e que pode ser aplicada em área degradada e de pasto, regiões amplamente disponíveis no Brasil e outros lugares do mundo.

Considerando o cenário desafiador de preços no etanol no Brasil, Gradin acredita que esta é uma oportunidade para a cana-energia. “Ela é sobre eficiência e produtividade, especialmente em áreas em que a cana-de-açúcar tem mais dificuldades”, afirma.

Por sua vez, o executivo do Nuseed Group, Brent Zacharias, disse que a parceria é uma “mudança fundamental” na geração de energia e de produtos renováveis a partir da cana. “A Nuseed vê uma enorme oportunidade com esta aquisição e parceria estratégica com a GranBio. Como parte de nossa plataforma de bioenergia, estamos focados na construção de tecnologia, capacidade e parcerias para otimizar a entrega de matérias-primas de bioenergia e materiais industriais”, visualiza.

Além disso, Gradin acredita que o RenovaBio também beneficia o uso da matéria-prima. Entretanto, ele aponta que há empecilhos pelo caminho: “No Brasil, estamos atrás do que países europeus, Estados Unidos, e alguns países asiáticos [fizeram] em relação a programas de captura de carbono. O RenovaBio tem sido vítima do lobby de diversos grupos, mas eu acredito que nós estamos na tendência correta”.

De acordo com o executivo, se o programa for claro em como as empresas demonstram a emissão de seus créditos de carbono, com um mecanismo sólido e previsível, outros mercados podem investir em créditos do RenovaBio, sendo possível acelerar os investimentos na área.

Com reportagem adicional de Gabrielle Rumor Koster; edição NovaCana


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