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Investimento

Setor de energia no Brasil vai receber R$ 3,2 trilhões em dez anos, estima PDE 2031


Agência Estado - 25 jan 2022 - 09:30

O setor de energia no Brasil deve receber investimentos de R$ 3,2 trilhões nos próximos dez anos, segundo estimativa do Plano Decenal de Energia 2031, cuja minuta foi colocada em consulta pública a partir desta segunda-feira, 24, até 23 de fevereiro.

A maior parte desses recursos será destinada à produção de petróleo e gás natural, apesar da previsão ser de queda na participação da oferta da fonte, que aos poucos vai perdendo espaço para a eletrificação e energias renováveis. Com o crescimento de outras fontes, a participação do petróleo e derivados cai de 34% para 30% no período do plano, enquanto o gás natural passaria dos atuais 12% para 14%.

Segundo o PDE 2031, os investimentos em petróleo e gás natural vão ficar com 81,9% do total dos investimentos, ou R$ 2,6 trilhões, sendo a maior parte para exploração e produção de petróleo. O gás natural, combustível da transição energética, que ganhou ano passado um novo marco legal para estimular o crescimento da oferta ao mercado, deverá ficar com 4,2% do total previsto, ou R$ 138 bilhões. Já os investimentos projetados em biocombustíveis (etanol, biodiesel e bioquerosene de aviação) serão de R$ 60 bilhões, ou 1,8% do total.

Os investimentos para oferta de energia elétrica ficaram em segundo lugar, com 16,2% do total, ou R$ 528 bilhões. A geração centralizada será responsável por 9% do total (R$ 292 bilhões) e a geração distribuída por R$ 135 bilhões. Já os projetos de linhas de transmissão devem receber R$ 101 bilhões.

De acordo com o PDE 2031, a capacidade instalada de energia elétrica no Brasil vai subir dos atuais 200 gigawatts para 275 gigawatts, alta de 37,5%, com as usinas hidrelétricas perdendo espaço para outras fontes e passando de uma fatia de 58% para 45% em dez anos.

O crescimento mais forte está sendo projetado para a Geração Distribuída Renovável, que deve subir de 8% para 17%, com impulso da energia solar; a energia eólica sobe de 10% para 11%; a energia solar centralizada, de 2% para 4%; e da energia nuclear, que ganhará mais uma usina até 2031 além das três unidades de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, passando de uma participação de 1% para 2%.

O plano, como já antecipado pelo Broadcast, traz mais uma nova usina nuclear de 1 gigawatt até 2031, a ser construída no Sudeste, além da conclusão de Angra 3 (1.405 GW), prevista para entrar em operação plena em 2027. Com isso, a capacidade instalada de energia nuclear no Brasil deve saltar dos atuais 1.988 GW para 4.393 GW em 2031.

“Destaca-se também a consideração da entrada em operação comercial de Angra 3 que representa a expansão nuclear no horizonte decenal, junto com uma nova planta considerada a título de política energética”, afirma o documento.

As estimativas do PDE 2031 são elaboradas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, e levaram em conta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,9% ao ano no período do plano. A expectativa é de que o consumo final de biodiesel suba 73% em dez anos; do gás natural, 58%; de etanol, 51%; o de eletricidade, 41%; carvão mineral e coque, 26%; óleo diesel, 24%; derivados de petróleo, 16%; e lenha/carvão vegetal, 2%. A única previsão de queda de consumo é da gasolina, da ordem de 5%.

O PDE 2031 reservou ainda espaço para a discussão do papel do hidrogênio na matriz energética brasileira, elencando as medidas que vêm sendo tomadas pelo governo e destacando as oportunidades do País para a produção do combustível via gás natural (hidrogênio azul) e oportunidades também para a produção do hidrogênio verde por meio das usinas offshore que serão construídas no Brasil, sendo os projetos solares os que teriam mais competitividade, seguidos pela energia eólica.

“O hidrogênio tem potencial para iniciar uma mudança de paradigma no setor de energia, trazendo oportunidades substanciais para a América Latina. A região pode se tornar uma líder mundial principalmente em hidrogênio com baixa emissão de carbono, considerando os abundantes e competitivos recursos de energia renovável, além de contribuir para descarbonizar fortemente as indústrias e o setor de transporte da região”, afirma o documento.

Denise Luna

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