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Investimento

Momento é propício para o biogás de cana, mas alto custo é impeditivo, afirma Siamig


Diário do Comércio (MG) - 30 nov 2021 - 08:07 - Última atualização em: 01 dez 2021 - 11:12

A diversificação da matriz energética é ponto de consenso em todos os setores econômicos no mundo. Uma das várias contribuições que o agronegócio pode dar nesse sentido é a produção de biogás aproveitando rejeitos da moagem de cana-de-açúcar.

Como Minas Gerais é o segundo maior produtor de cana do país, o estado está entre os grandes potenciais geradores de biogás do Brasil. Para a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), o momento atual – em termos de tecnologias existentes e discussões sobre o tema – é propício para iniciar a geração. Porém, os custos elevados para a construção de usinas ainda são desafios difíceis de transpor.

Conforme dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), somente neste ano já foram produzidas mais de 74 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em território mineiro. No entanto, o estado ainda não conta com uma usina de produção de biogás e biometano a partir dos subprodutos da cana.

Sem mencionar números, o presidente da Siamig, Mário Campos, explica que a possibilidade de produção de biogás é relativamente nova para o setor, mas pode trazer benefícios para toda a indústria sucroenergética, além de atuar na descarbonização das atividades da indústria sucroenergética e de fornecimento de energia.

“Este é o momento adequado para os investimentos na criação de usinas de produção de biogás, porque temos muitas discussões e contribuições sobre o assunto. Mas temos uma realidade no Brasil: as coisas estão caras e você precisa de aço para a construção de usinas. O câmbio também prejudica a importação de alguns equipamentos que são necessários para a construção”, afirma Campos.

Apesar dos desafios, o presidente da Siamig afirma que este é um processo natural que acontece no desenvolvimento de novos produtos na indústria. Mário Campos lembra que, no passado, a cana-de-açúcar era explorada apenas para a produção do adoçante, mas que esse cenário mudou ao longo dos anos com o apogeu da fabricação do etanol, entre as décadas de 1970 e 1980. Segundo ele, isso demonstra que as evoluções na indústria resultam de movimentos favoráveis à diversificação da matriz energética.

O avanço da legislação, paralelamente aos estudos feitos no campo das energias alternativas, também pode incentivar a criação de usinas no estado. Segundo Campos, no início do ano, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sancionou a Lei Nº 23.762. A legislação reduz para até 0% os tributos cobrados sobre a energia gerada a partir de fontes renováveis, como já acontece com a energia solar fotovoltaica. Para ter efeitos práticos, é necessária uma autorização do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

A riqueza do biogás

A produção de biogás pode significar para a indústria sucroenergética vantagens econômicas. Mas não é só. Conforme enfatiza Mário Campos, pode agregar valor à indústria, trazendo o conceito de economia circular, e descarbonizar os processos produtivos, ações que favorecem à conquista de certificados de neutralidade do carbono.

Entre as possibilidades de transformação dos subprodutos da cana-de-açúcar está a produção de energia elétrica. A conversão do biogás em energia elétrica é realizada por meio de um biodigestor. Nele, o material orgânico que resta da cana, podendo ser a vinhaça ou a torta de filtro, sofre a ação de bactérias, responsáveis pela geração do biogás. A decomposição dessa energia química, resultante do processo citado anteriormente, transforma-se em energia mecânica. Quando ligada a um gerador, a energia é, por fim, transformada em energia elétrica.

Em Minas Gerais, apesar de não haver projetos de geração com a cana-de-açúcar, alguns produtores rurais já utilizam rejeitos de rebanhos para a geração de biogás que abastece o consumo próprio de propriedades.

Além disso, o presidente da Siamig ressalta que, se purificado, o biogás pode ser utilizado para o abastecimento de frotas de veículos. “As atividades da indústria canavieira são muito mecanizadas e demandantes de diesel. Então, você teria ganhos econômicos e ambientais utilizando o biometano (gás obtido por meio do biogás). Por fim, uma terceira possibilidade de uso seria o abastecimento de uma indústria com o biogás”, sugere Campos.

Emelyn Vasques

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