Investimento

[Entrevista] CEO da Geo Energética detalha projetos de biogás com sucroenergéticas

Alessandro Gardemann fala sobre empreendimentos em parceria com Coopcana, Raízen e Cocal, além de explorar a viabilidade do biogás no setor


NovaCana - 28 jul 2021 - 09:23 - Última atualização em: 23 ago 2021 - 08:33
“O biogás é bonito, pois é viável em qualquer escala”, afirma o CEO da Geo Energética, Alessandro Gardemann

O biogás vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil e, além de poder ser extraído dos substratos resultantes da indústria, dos resíduos sólidos urbanos (RSU) e do esgoto, também pode ser obtido por meio de resíduos da agropecuária.

Segundo a nota técnica Panorama do Biogás no Brasil 2020, produzida pela Cibiogás e publicada em março deste ano, das 638 plantas de biogás em operação no país, 503 ou 79% delas produzem o gás sustentável por meio de resíduos agropecuários. Entretanto, em volume de biogás, elas correspondem a apenas 11% do total anual, sendo RSU e esgotos as fontes responsáveis por 73%; os 16% restantes vêm da indústria. Somadas, todas as matérias-primas geraram, em 2020, cerca de 1,83 bilhão de normal metro cúbico do produto.

Uma das fontes com potencial de exploração e que pode destravar o crescimento produtivo do biogás são as biomassas e subprodutos da cana-de-açúcar: a vinhaça, a torta de filtro, o bagaço e a palha são os protagonistas desta história, ganhando usos para além da adubação e fertirrigação dos solos dos canaviais. Com eles, é viável fazer a biodigestão para extrair o biogás a ser convertido em biometano – vendido ou usado na frota da própria usina – ou a energia elétrica a ser usada, negociada e exportada para a rede de distribuição.

A Geo Energética é uma das empresas brasileiras que trabalha com soluções para a implementação de unidades de biogás, por meio de um processo biotecnológico, e atua especialmente no setor sucroenergético.

A primeira unidade da empresa começou a operar em 2012 e fica junto da usina da Cooperativa Agrícola Regional de Produtores de Cana (Coopcana) em São Carlos do Ivaí (PR). Ela acaba de ter sua capacidade instalada ampliada de 4 para 10 megawatts de potência. Outro empreendimento é uma planta piloto de produção de 1,5 mil Nm³ por dia de biometano que está passando por processo de ampliação para 12 mil Nm³ diários.

Além disso, a Geo Energética também possui uma joint venture com a Raízen, a Raízen Geo Biogás. A parceria rendeu uma planta geradora de energia a biogás anexa à usina Bonfim, em Guariba (SP), que moe até 5 milhões de toneladas de cana por ano. A unidade, considerada uma das maiores do mundo, tem 21 megawatts de capacidade instalada e funciona tanto com torta de filtro quanto com vinhaça. De acordo com o divulgado pela gigante sucroenergética, foram investidos R$ 153 milhões na planta.

A Geo também tem um projeto para produção de biometano em andamento com a Cocal, junto da unidade do grupo localizada em Narandiba (SP). Neste caso, um investimento de R$ 139 milhões será direcionado para uma unidade capaz de produzir 33,5 milhões de Nm³ de biogás anualmente, tanto com vinhaça quanto com torta de filtro. Além disso, há potencial para expandir a produção com a biodigestão da palha, conforme expresso pela empresa.

A planta terá uma potência de 10 MW equivalentes, sendo 5 MW de geração de energia elétrica, possibilitando a exportação de até 33,3 mil MWh de energia ao ano. Em relação ao biometano, a capacidade diária será de 24 mil Nm³, podendo chegar a quase 8,9 milhões Nm³ anualmente. Uma parcela será injetada na rede da GasBrasiliano, outra vai substituir o diesel na frota da usina e o restante será distribuído com gás comprimido. De acordo com a Geo Energética, o projeto é o primeiro do mundo com um gasoduto de distribuição exclusivo de gás natural verde.

Para a produção, serão utilizados anualmente 1,5 milhões de metros cúbicos de vinhaça, 135 mil toneladas de torta de filtro e 10 mil toneladas de palha. A unidade deve começar a operar já no próximo mês, beneficiando as cidades paulistas Narandiba, Presidente Prudente e Pirapozinho.

Ainda segundo a Geo Energética, a empresa vai implementar outros três projetos em 2022. O CEO da companhia, Alessandro Gardemann, concedeu uma entrevista exclusiva ao NovaCana detalhando os atuais empreendimentos e trazendo a visão da companhia em relação ao potencial das sucroenergéticas na geração de biogás, alternativas viáveis e a evolução do hidrogênio verde.

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