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Usina Colorado deve fazer emissão de “CRA verde” no valor de R$ 200 milhões


novaCana.com - 11 nov 2019 - 08:23

Pouco tempo após suspender uma emissão de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) por conta da falta de demanda, a Usina Colorado, localizada em Guaíra (SP), anunciou o primeiro título de dívida “verde” do setor. Os papéis terão certificação pela Climate Bonds Iniciative (CBI), ONG voltada à promoção de investimentos sustentáveis. A informação foi publicada pelo Valor Econômico.

De acordo com os dados da reportagem, assim como a oferta que havia sido suspensa, a operação envolve um prazo de cinco anos e remuneração de acordo com a taxa DI, mais sobretaxa de até 1,35% ao ano. Os recursos serão utilizados para capital de giro para as operações de etanol.

A unidade, que também produz açúcar e realiza cogeração de energia elétrica, adota a estratégia de estocar o biocombustível para comercialização na entressafra, quando os preços tendem a ser mais elevados. Além disso, a Central Energética Morrinhos (CEM), planta do grupo Colorado localizada em Morrinhos (GO), será a avalista da operação.

Sustentabilidade garantida

Ainda conforme o texto do Valor, a emissão da Usina Colorado foi avaliada pela plataforma de finanças sustentáveis Sitawi, auditada pela Vigeo Eiris e terá a EcoAgro como securitizadora. Além disso, ela segue regras estabelecidas em julho pela CBI.

Entre os critérios estão indicadores de mitigação de emissões e de adaptação e resiliência às mudanças climáticas. Além disso, para uma empresa de bioenergia, o processo produtivo precisa ter eficiência de 80% na emissão de gases de efeito estufa quando comparado à produção de combustíveis fósseis.

A companhia também não pode estar envolvida em casos de desmatamento – mesmo que indireto ou legal – e é exigido um plano de avaliação de risco climático e de adaptação quando há riscos elevados identificados. Por fim, a matéria-prima deve atender aos “padrões de melhores práticas da indústria”, sem que sejam identificados riscos de segurança alimentar.

Em entrevista ao Valor, a chefe da CBI para a América Latina, Thatyanne Gasparotto, afirmou que as usinas sucroenergéticas brasileiras estão entre as companhias com maior potencial do mundo para a realização deste tipo de operação na área de bioenergia.

Para a produção de etanol, a “pegada de carbono” máxima deve ser de 18,8 gramas de gases equivalente ao carbônico por megajoule de energia gerada (gCO2/MJ). No caso da Colorado, a avaliação indicou um índice de 12,3 gCO2/MJ.

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Com informações do Valor Econômico