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Sucroenergéticas contratam mais de R$ 1,4 bilhão junto ao BNDES em 2021

Apesar de expressivo, valor representa queda de 38,9% em comparação com o ano anterior

NovaCana 13 min de leitura

Secas, geadas, queimadas e os efeitos da pandemia de covid-19 sobre o mercado fizeram com que o ano de 2021 fosse especialmente desafiador para o setor sucroenergético. Dentro deste contexto, os preços de venda estavam elevados, mas a moagem caiu e os custos subiram, afetando a rentabilidade dos produtos.

Em um cenário de incertezas, a procura pelas linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) diminuiu na comparação com 2020. Ao todo, foram 272 projetos que dividiram um saldo de R$ 1,42 bilhão, um valor 38,9% menor do que os R$ 2,33 bilhões vistos em 2020.

Os dados referentes a 2020 foram revistos pela instituição ao longo do ano passado. A planilha atualizada está disponível no NovaCana DATA (acesso exclusivo para assinantes).

O BNDES é uma das principais fontes de financiamento para o setor sucroenergético e lançou, em janeiro de 2021, uma nova modalidade de crédito baseada no RenovaBio, direcionando R$ 1 bilhão para usinas participantes do programa. A linha conta com possibilidade de redução de taxas de acordo com metas para redução das emissões de CO2 pela usina contratante.

Embora apenas cinco grupos tenham adquirido financiamentos nesta nova linha em 2021, isso foi o bastante para colocar o segmento de ativos financeiros como um dos principais na lista de financiamentos feitos pelas sucroenergéticas via BNDES, totalizando R$ 415 milhões.

O valor equivale a 29,1% do valor total contratado pelo setor sucroenergético com a instituição.

Confira no texto completo, exclusivo para assinantes, mais detalhes sobre as empresas que mais captaram recursos junto ao BNDES, áreas que receberam os maiores investimentos e as modalidades de empréstimo possibilitadas pela instituição.

Secas, geadas, queimadas e os efeitos da pandemia de covid-19 sobre o mercado fizeram com que o ano de 2021 fosse especialmente desafiador para o setor sucroenergético. Dentro deste contexto, os preços de venda estavam elevados, mas a moagem caiu e os custos subiram, afetando a rentabilidade dos produtos.

Em um cenário de incertezas, a procura pelas linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) diminuiu na comparação com 2020. Ao todo, foram 272 projetos que dividiram um saldo de R$ 1,42 bilhão, um valor 38,9% menor do que os R$ 2,33 bilhões vistos em 2020.

Os dados referentes a 2020 foram revistos pela instituição ao longo do ano passado. A planilha atualizada está disponível no NovaCana DATA.

RenovaBio

O BNDES é uma das principais fontes de financiamento para o setor sucroenergético e lançou, em janeiro de 2021, uma nova modalidade de crédito baseada no RenovaBio, direcionando R$ 1 bilhão para usinas participantes do programa. A linha conta com possibilidade de redução de taxas de acordo com metas para redução das emissões de CO2 pela usina contratante.

O valor máximo de empréstimo nesta linha de crédito é de R$ 100 milhões, mas, no caso de um mesmo grupo possuir mais usinas certificadas no RenovaBio, o montante pode dobrar. O pagamento pode ser feito em até oito anos, incluindo dois de carência.

Embora apenas cinco grupos tenham adquirido financiamentos nesta nova linha em 2021, isso foi o bastante para colocar o segmento de ativos financeiros como um dos principais na lista de financiamentos feitos pelas sucroenergéticas via BNDES, totalizando R$ 415 milhões.

O valor equivale a 29,1% do total contratado pelo setor sucroenergético com a instituição.

As maiores contratações foram feitas pelas usinas Santa Adélia, Santa Fé e São Manoel, que obtiveram em projetos únicos o valor máximo da linha: R$ 100 milhões. Em seguida, a Batatais adquiriu R$ 65 milhões e a Uisa captou R$ 50 milhões.

A Santa Adélia, inclusive, foi a primeira usina a contratar um financiamento nesta modalidade. Os recursos serão destinados à unidade produtora de biocombustíveis localizada no município de Jaboticabal (SP).

BNDES financiamento ativos 2022

A nível de comparação, 2013 havia sido o último ano em que financiamentos foram solicitados nesta categoria, todos realizados pela Raízen para aquisição de debêntures simples, somando R$ 105,79 milhões. No ano passado a sucroenergética firmou apenas um contrato, para a unidade Tarumã, de R$ 10 milhões, e ficou de fora da lista de maiores captações.

Ranking das maiores captações junto ao BNDES

Além disso, 2021 também foi um ano de mudanças na lista de empresas que mais solicitaram empréstimos junto ao banco. Entre as dez primeiras colocadas, apenas duas haviam feito financiamentos nos cinco anos anteriores.

Quem lidera o ranking é a Tereos (antigo grupo Guarani), que fez um empréstimo de R$ 330 milhões. O montante foi dividido em seis contratos, para serem utilizados em projetos do setor de expansão e modernização industrial. Com isso, a companhia poderá investir na compra de equipamentos, materiais industrializados e, também, em capital de giro associado.

Além disso, a Tereos captou R$ 35,04 milhões para a usina Vertente, em Guaraci (SP), que ficou na sétima colocação da lista por empresas. As duas haviam captado recursos junto ao BNDES pela última vez em 2018, somando R$ 53 milhões ao grupo e R$ 65,99 milhões para a unidade.

O segundo lugar ficou com a usina Batatais, que somou R$ 252,21 milhões captados junto ao BNDES. O último empréstimo feito pela companhia foi em 2019, quando R$ 508 mil foram investidos em plantio de cana-de-açúcar.

Mais da metade do atual valor contratado, R$ 187,21 milhões, foi direcionado para projetos de expansão e modernização. Já os R$ 64 milhões restantes foram obtidos pela linha de crédito do RenovaBio.

O grupo Santa Adélia e as usinas São Manoel e Santa Fé, esta última do grupo Itaquerê, compartilham o terceiro lugar da lista, com captações de R$ 100 milhões em projetos únicos pelo programa de descarbonização. Cada companhia utilizou o valor máximo de contratação permitido.

Dentre as três companhias em terceiro lugar no ranking, apenas a Santa Fé realizou empréstimos com o BNDES no ano passado, com R$ 13,65 milhões. Assim, o valor de 2021 representa um aumento de mais de 600%.

BNDES ranking empresas 2022

Já o quarto lugar ficou com a usina Cerradão, que financiou a quantia de R$ 77,43 milhões, crescimento de 2,5% ante os R$ 75,51 milhões contratados em 2020. O montante atual foi dividido entre oito projetos, nos setores de apoio à indústria e, também, de expansão e modernização, ambos voltados para aquisição de maquinário.

Em seguida a Uisa (antiga Usinas Itamarati) ficou em quinto lugar com uma captação de R$ 50 milhões, a primeira feita junto ao BNDES nos últimos cinco anos. O empréstimo também foi na linha do RenovaBio, na categoria de ativos financeiros.

A companhia, aliás, já anunciou planos para um projeto de biogás e para a emissão de Certificados Recebíveis do Agronegócios (CRAs) no valor de R$ 344,7 milhões com vencimento em 2028.

Os grupos que mais captaram recursos

Considerando os grupos que mais emprestaram valores do BNDES, a Tereos manteve a primeira posição. Somados, os contratos firmados pela companhia e pela usina Vertente, totalizam R$ 365,04 milhões.

Novamente, a Batatais surge na sequência com o valor de R$ 252,1 milhões. Ela é seguida pelas captações de R$ 100 milhões dos grupos Santa Adélia, Itaquerê e São Manoel.

A quarta colocação ficou com a Cerradão, que em 2020 obteve o nono lugar na lista dos grupos. Ela aumentou o valor financiado com o banco em 2,6% na comparação anual. O grupo foi seguindo pela Uisa e pela Bioenergética Aroeira, que captaram R$ 40 milhões cada.

BNDES ranking grupos 2022

Para fins de análise, o NovaCana somou todos os produtores independentes de cana-de-açúcar, que aparecem de forma individual nos dados do banco, e os transformou em um grupo único, que somou R$ 32,09 milhões em seus contratos e ficou na sétima posição na lista. Ao todo, 58 fornecedores, de seis estados do país, emprestaram dinheiro junto ao BNDES.

Os produtores independentes, em geral, podem ser contratados por usinas para vender sua matéria-prima, ou ainda produzir e comercializar de acordo com a demanda da sua região.

Histórico de empréstimos

Considerando a série histórica iniciada em 2017, as únicas usinas que realizaram empréstimos junto ao BNDES em todos os anos foram a Cerradão e a Santa Fé, do grupo Itaquerê. Já o maior total somado foi da Batatais, R$ 610,59 milhões – a usina deixou de emprestar valores com o banco apenas em 2020.

Líder do ranking de 2021, a Tereos totalizou R$ 383 milhões captados nos últimos cinco anos, sendo a maior parte tendo sido emprestada em 2021 e o restante em 2018. Neste mesmo ano o grupo realizou uma captação para a sua subsidiária Vertente, de R$ 65,99 milhões, que somou R$ 101,03 milhões emprestados para a unidade.

BNDES historico 2022

Entre as unidades empatadas em terceiro, a Santa Adélia realizou sua primeira captação em 2021, enquanto a São Manoel já havia realizado contratos em 2017 e 2019. Já a Santa Fé financiou R$ 10,57 milhões em 2017 e R$ 13,65 milhões em 2020.

Por fim, o grupo dos produtores independentes de cana-de-açúcar apresentou uma queda anual de 86,7% considerando os R$ 242,55 milhões captados no ano anterior. Somando os valores de anos anteriores, o grupo contratou um total de R$ 278,66 milhões.

É importante ressaltar, entretanto, que este é um grupo fictício criado pelo NovaCana, somando todos os fornecedores individuais listados pelo BNDES. Além disso, o banco costuma fazer atualizações retroativas em seus dados, a depender da conclusão de trâmites burocráticos relacionados aos contratos, de modo que os números de 2021 ainda podem aumentar.

Investimentos na indústria

A área de modernização industrial foi a que mais recebeu recursos do BNDES em 2021: foram R$ 718,71 milhões, repartidos entre 50 projetos. O montante representa cerca de 50,4% do total financiado pelas sucroenergéticas no período.

Apesar de ter recebido a maior parcela, o investimento na área apresentou uma queda de 18,5% na comparação anual. Em 2020, oito companhias firmaram contratos para este fim com o banco, resultando em empréstimos de R$ 882,10 milhões.

BNDES financiamento expansao 2022

Os valores financiados nesta categoria estão em declínio nos últimos três anos, distanciando-se cada vez mais do pico de contratações visto em 2018, com R$ 2,13 bilhões divididos entre 21 empresas.

A Tereos foi a sucroenergética que mais contratou recursos para investir em aquisição de novos equipamentos, tendo repartido o total de R$ 330 milhões adquiridos junto ao BNDES entre seis projetos neste setor.

Ela foi seguida pela Batatais, que investiu R$ 187,21 milhões em cinco projetos de expansão, ou 74,2% do montante emprestado com o banco no ano. Em 2018, a companhia também contratou R$ 332,68 milhões em sete projetos para o mesmo fim.

A Cerradão utilizou exatamente metade do montante financiado com o banco para modernização, R$ 38,72 milhões. O total foi dividido entre quatro contratos.

Por fim, as usinas Bioaroeira e Vertente utilizaram todo o valor captado via BNDES para financiar, respectivamente, oito e quatro projetos em expansão e modernização industrial.

Financiamentos para plantio de cana-de-açúcar

A área que mais recebeu recursos em 2020, com R$ 406,27 milhões, foi apenas a terceira maior em 2021, totalizando R$ 177,85 milhões e marcando uma queda de 56,2%.

Na verdade, o plantio vem recebendo menos investimentos desde o recorde visto em 2018, quando foram contratados R$ 865,81 milhões. Desde então, o setor vem passando por uma queda nos empréstimos focados em matéria-prima, com o declínio mais brusco sendo registrado entre os dois últimos anos.

Do valor total contratado pelas usinas via BNDES em 2021, o plantio de matéria-prima representou uma fatia de apenas 12,5%. Ao todo 33 empresas obtiveram empréstimos por essa linha para investir em 167 projetos.

BNDES financiamento plantio 2022

Os produtores independentes de cana-de-açúcar, somados no grupo fictício criado pelo NovaCana, contaram com a maior parte dos financiamentos em plantio de cana, com R$ 32,09 milhões, divididos entre 75 contratos.

Eles foram seguidos pela usina Tietê, do grupo Proterra, que captou R$ 25 milhões junto ao banco em um único empréstimo.

Também investiram em plantio de cana as usinas Vale do Paraná, da Pantaleon (R$ 15,47 milhões); Vista Alegre do Alto, da Aurélio Nardini (R$ 12,18 milhões); e Tarumã, da Raízen (R$ 10 milhões).

Outros investimentos via BNDES

Em 2021, o valor total dos financiamentos via BNDES caiu 38,9% na comparação anual – foram R$ 1,42 bilhão ante os R$ 2,33 bilhões em 2020. O número de projetos também caiu, saindo de 1.036 para apenas 272 no último ano. Entre 2019 e 2020, o crescimento dos valores contratados foi de 33,1%, enquanto o número de projetos mais que dobrou.

A quantidade de focos de investimento das sucroenergéticas também caiu. Em 2021 foram apenas sete categorias, contra dez do ano anterior. Não apareceram nos contratos de 2021 os segmentos de: cogeração; compra e venda de insumos; implantação de unidade; e logística para açúcar e etanol.

BNDES divisao recursos 2022

Tirando as três principais participações – expansão industrial, ativos financeiros e plantio –, as categorias restantes somam apenas 8% do total captado pela instituição. Apoio à indústria, por exemplo, representa uma fatia de 2,7% dos contratos, com R$ 38,72 milhões investidos em quatro projetos.

Já a fabricação de etanol apresentou uma queda anual de 45,7%, registrando R$ 35,9 milhões contratados ante R$ 66,18 milhões. O investimento na produção de açúcar caiu 16,9% entre os dois últimos anos, chegando a R$ 32,87 milhões em 2021.

Do total emprestado pelo BNDES, o setor de biocombustíveis foi responsável por apenas 2,5%, e o adoçante 2,3%.

Ainda assim, a menor porcentagem ficou com o setor de apoio ao campo, 0,4%, com dois financiamentos que somaram R$ 5,62 milhões.

Modalidades de financiamento

Os dados divulgados pelo BNDES e compilados pelo NovaCana são referentes aos contratos de 2021 e representam uma lista de empréstimos aprovados em duas modalidades distintas: operações diretas não automáticas e indiretas automáticas. A diferença entre elas está na forma como o dinheiro é entregue à companhia contratante.

Operações indiretas são realizadas por meio de empresas financeiras credenciadas ao BNDES, responsáveis pela análise do tomador de crédito. Nesta forma não é necessário passar por uma avaliação prévia da instituição, com valor máximo de R$ 150 milhões.

Já na modalidade direta não automática é preciso fazer um pedido junto ao banco, sendo realizado geralmente por meio do programa BNDES Finem, que disponibiliza acima de R$ 10 milhões. Mas também existem outras linhas de financiamento da instituição que podem oferecer apoio direto.

BNDES fomas financiamento 2022

Nos últimos anos, a maior parte das transações realizadas pelas sucroenergéticas foram por meio de empréstimos indiretos automáticos. Em 2021, apenas 16,2% das operações foram feitas nesta modalidade, somando R$ 1,19 bilhão.

As outras contratações, ou 83,7% do total, foram realizadas de forma direta não automática, totalizando R$ 231,33 milhões. Esses financiamentos foram captados nos setores de ativos financeiros, apoio à indústria e modernização.

NovaCana DATA

Giully Regina – NovaCana

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