Os desempenhos agrícola, industrial e financeiro da sucroenergética entre as temporadas 2016/17 e 2019/20
Maior sucroenergética do Brasil – controlando 26 usinas na região Centro-Sul – e exportadora de açúcar do mundo, a Raízen Energia obteve um lucro líquido de R$ 48 milhões na safra 2019/20. O resultado, apesar de positivo, representa uma queda de 83,2% na comparação com a temporada anterior.
O desempenho inferior deriva especialmente dos prejuízos registrados no primeiro e no terceiro trimestres da temporada encerrada em 31 de março deste ano. No último trimestre – caracterizado pelo período de entressafra –, a companhia obteve um lucro de R$ 244,4 milhões, valor equivalente a um crescimento de 1.832,6% ante o resultado visto um ano antes.
Este desempenho impactou os resultados gerais de sua holding, a Cosan, e chamou a atenção do mercado. “Tanto o Ebitda quanto a geração de caixa foram apoiados pelas vendas de inventários bastante substanciais da Raízen Energia”, comentou o analista da Ágora Investimentos, Regis Cardoso.
Por sua vez, analistas do BTG Pactual classificaram o resultado trimestral da sucroenergética como “estelar”. Ainda assim, eles ressaltaram que a companhia encontrou um ambiente de preços favorável para o açúcar e o etanol durante a entressafra, o que pode não se repetir no período de abril a junho deste ano.
Também segundo o BTG, o Ebitda de R$ 1,9 bilhão ficou 11% acima da estimativa do banco por conta de preços melhores do que o esperado, além de um ganho de R$ 270 milhões em “outras receitas operacionais” que não foram detalhadas pela companhia.
“Os hedges de açúcar de 13,5 centavos de dólar por libra-peso para aproximadamente metade da produção esperada de açúcar para 2020/21 devem garantir que as margens permaneçam resilientes”, complementa.
Para uma melhor compreensão dos números da Raízen Energia, o NovaCana disponibiliza 35 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela Cosan. Assim, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
As informações que fazem parte do levantamento incluem:
- Evolução financeira
- Moagem acumulada e por trimestre
- Mix de produção
- ATR
- Produtividade
- Origem da cana
- Nível de mecanização
- Etanol e açúcar: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Cogeração: energia vendida, receita e preço médio
- Estoques de etanol e açúcar: por volume e por valor de mercado
- Destino da produção ao longo da safra: mercado externo e interno
- Receita operacional
- Composição das vendas
Maior sucroenergética do Brasil – controlando 26 usinas na região Centro-Sul – e exportadora de açúcar do mundo, a Raízen Energia obteve um lucro líquido de R$ 48 milhões na safra 2019/20. O resultado, apesar de positivo, representa uma queda de 83,2% na comparação com a temporada anterior.
O desempenho inferior deriva especialmente dos prejuízos registrados no primeiro e no terceiro trimestres da temporada encerrada em 31 de março deste ano. No último trimestre – caracterizado pelo período de entressafra –, a companhia obteve um lucro de R$ 244,4 milhões, valor equivalente a um crescimento de 1.832,6% ante o resultado visto um ano antes.
Este desempenho impactou os resultados gerais de sua holding, a Cosan, e chamou a atenção do mercado. “Tanto o Ebitda quanto a geração de caixa foram apoiados pelas vendas de inventários bastante substanciais da Raízen Energia”, comentou o analista da Ágora Investimentos, Regis Cardoso.
Por sua vez, analistas do BTG Pactual classificaram o resultado trimestral da sucroenergética como “estelar”. Ainda assim, eles ressaltaram que a companhia encontrou um ambiente de preços favorável para o açúcar e o etanol durante a entressafra, o que pode não se repetir no período de abril a junho deste ano.
Também segundo o BTG, o Ebitda de R$ 1,9 bilhão ficou 11% acima da estimativa do banco por conta de preços melhores do que o esperado, além de um ganho de R$ 270 milhões em “outras receitas operacionais” que não foram detalhadas pela companhia.
“Os hedges de açúcar de 13,5 centavos de dólar por libra-peso para aproximadamente metade da produção esperada de açúcar para 2020/21 devem garantir que as margens permaneçam resilientes”, complementa.
Para uma melhor compreensão dos números da Raízen Energia, o NovaCana disponibiliza 35 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela Cosan. Assim, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
Moagem e produção
Em 2019/20, a Raízen encerrou sua moagem já no terceiro trimestre da temporada, não registrando entrada de matéria-prima durante a entressafra. No acumulado, a companhia moeu 59,63 milhões de toneladas, uma leve queda de 0,2% ante as 59,72 milhões de toneladas vistas um ano antes.
De acordo com a Cosan, a companhia contabilizou uma pequena produção de álcool 70% no último trimestre. O produto foi destinado a doações com o objetivo de ajudar no combate à pandemia por coronavírus.
Ao longo da safra, a sucroenergética priorizou a produção de etanol, com 51% da matéria-prima sendo direcionada para isso. Segundo a Cosan, a estratégia foi adotada devido à maior rentabilidade do biocombustível em relação ao açúcar.
O indicador, porém, é inferior ao visto na temporada anterior, de 52%, e à média do Centro-Sul, 65,7%.
Com isso, a Raízen produziu 2,50 bilhões de litros em 2019/20, queda de 0,7% ante os 2,51 bilhões registrados no acumulado de 2018/19. Já a produção de açúcar cresceu 3,3% no mesmo comparativo, indo de 3,67 milhões para 3,79 milhões de toneladas.





Indicadores industriais e agrícolas
Segundo os números disponibilizados pela Cosan, em 2019/20, os canaviais da Raízen produziram, em média, 72,8 toneladas de cana por hectare. O resultado é 6,1% superior às 68,64 t/ha registradas na safra anterior, mas está mais de 15 t/ha abaixo do recorde da companhia, as 89,3 t/ha obtidas em 2015/16.
Em contrapartida, houve uma queda na concentração de açúcar total recuperável (ATR) na cana. Na safra, a Raízen registrou um índice de 132,82 kg/t, um valor 0,5% abaixo do visto em 2018/19 e 4,2% aquém da média do Centro-Sul para o período, conforme número divulgado pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).



Resultados financeiros
Em relação ao desempenho trimestral, a Cosan ressaltou o crescimento de 67,2% no Ebitda ajustado da Raízen Energia, que foi de R$ 1,55 bilhão no período. Sem os ajustes, o indicador teve um crescimento ainda maior, de 116,2%, chegando a R$ 1,92 bilhão.
Segundo a holding, a principal razão para este aumento foi a maior concentração de vendas no último trimestre da safra, período que tradicionalmente conta com melhores preços. “A queda na demanda do ciclo Otto impactou a venda de etanol próprio (-12%) no trimestre, que foi compensada pela maior venda de açúcar (+35%)”, relata a companhia.
No acumulado da safra, o Ebitda ajustado da Raízen atingiu R$ 3,43 bilhões. De acordo com a Cosan, o aumento de 18,6% no comparativo anual é derivado de um maior volume de açúcar próprio vendido e de melhores preços para todos os produtos.
A receita líquida da sucroenergética, por sua vez, foi de R$ 8,99 bilhões no último trimestre da safra. Este foi o maior resultado já contabilizado pela Raízen e representa um aumento de 26,3% ante o montante registrado um ano antes. Já no acumulado da temporada, a receita chegou a R$ 30,71 bilhões – 37,1% a mais do que em 2018/19.
Estes aumentos na fase operacional da companhia, no entanto, não se refletiram no lucro líquido. Embora a Raízen tenha registrado um resultado trimestral positivo de R$ 244,4 milhões – crescimento de 1.832% no comparativo anual –, o acumulado da safra foi de apenas R$ 48 milhões, um valor 83,2% menor que o obtido em 2018/19.
De acordo com a Cosan, o custo dos produtos vendidos totalizou R$ 8,2 bilhões no último trimestre e R$ 28,48 bilhões em 2019/20, o que representa aumentos anuais de 23% e 36,6%, respectivamente. “[O resultado é] reflexo do maior volume das operações de revenda e trading de derivados e etanol”, justifica.
Além disso, o custo caixa unitário dos produtos próprios vendidos, em açúcar equivalente, foi R$ 753/t, em média, uma alta anual de 11%. “Quando ajustado pelo impacto do custo médio do Consecana na cana-de-açúcar fornecida por terceiros e nos arrendamentos de terras do período, o custo caixa unitário de vendas seria de R$ 705/t (+4%) na safra 2019/20, reflexo principalmente do mix de produção e inflação no período”, complementa.
Por sua vez, as despesas com vendas, gerais e administrativas somaram R$ 353,7 milhões no trimestre e R$ 1,48 bilhão na safra. Para a Cosan, os resultados estão “em linha” com o desempenho da safra anterior.


Vendas por produto e por mercado
A receita trimestral de R$ 8,99 bilhões obtida pela Raízen foi formada por R$ 3,62 bilhões com vendas de etanol, R$ 2,3 bilhões com vendas de açúcar e R$ 667,3 milhões com vendas de energia elétrica. Para a conta fechar, no entanto, é preciso considerar também os R$ 2,4 bilhões obtidos com “outros produtos e serviços”.
Esta categoria, inclusive, gerou mais receita do que a venda de açúcar, ficando atrás apenas do etanol, e rendeu R$ 10,7 bilhões no acumulado da safra – 59,7% a mais do que em 2018/19. Segundo a Cosan, ela é composta pela importação de derivados de petróleo e outros produtos e serviços. “Pela natureza da operação, podem impactar de forma relevante a receita e o custo, de acordo com as oportunidades de mercado, mas geram impacto limitado no lucro bruto”, argumenta.
Em relação ao etanol, a receita obtida com a venda do produto teve um aumento anual de 22,7% no trimestre e de 26,2% no acumulado da safra. Para isso, houve um aumento tanto no volume comercializado quanto no preço médio de venda.
No período, a Cosan passou a adotar uma nova estratégia para o biocombustível, com fixação de preços feita a partir dos valores da gasolina. “O preço médio superior reflete a estratégia de proteção econômica nas vendas de etanol, bem como maior volume exportado”, assegura a companhia. No ano, as exportações de etanol tiveram um aumento de 25%, chegando a 1,93 bilhão de litros.
Por sua vez, a receita da Raízen com as vendas de açúcar subiu 45,6% no trimestre e 19,1% na safra, chegando a R$ 4,65 bilhões. De acordo com a Cosan, houve uma maior concentração do volume de vendas no último trimestre da temporada, acompanhada por melhores preços médios da commodity.




Posição dos estoques
A estratégia de venda da Raízen – com concentração dos negócios no último trimestre da safra – coincidiu com o início dos reflexos da pandemia de coronavírus na economia e no setor sucroenergético.
Segundo os números divulgados pela companhia, os estoques de açúcar somavam 143 mil toneladas no encerramento da temporada – 56,1% a mais do que o registrado um ano antes. Em relação ao etanol, o aumento foi de 74,7%, com o total estocado chegando a 509 milhões de litros.
No comparativo anual, a Cosan divulgou que o preço médio do açúcar armazenado caiu 0,5%, para R$ 995/t. Já o valor do etanol foi contabilizado a R$ 1.486/m³, uma alta de 19,7% no mesmo comparativo.


Renata Bossle – NovaCana

