Levantamento feito com exclusividade pelo NovaCana compara o desempenho operacional e financeiro dos principais grupos do setor na última safra
Com uma produção de 605,46 milhões de toneladas, a temporada 2020/21 do Centro-Sul foi recorde e bastante lucrativa para o setor sucroenergético. Diversas empresas registraram resultados no azul – inclusive, em alguns casos, após vários ciclos de prejuízo, como ocorreu com a Umoe Bioenergy e a usina Ester.
Ainda assim, algumas companhias seguiram com perdas, a exemplo da Della Coletta, da Diana Bioenergia e da Tereos.
Entretanto, não é apenas o resultado líquido que demonstra o desempenho das sucroenergéticas. Por isso, o NovaCana realiza periodicamente um levantamento com indicadores relevantes e ranqueia as principais empresas do setor que divulgam seus dados financeiros de forma pública.
Para o ciclo 2020/21, foram reunidos os números operacionais e financeiros de 33 grupos. A seguir, eles são apresentados a partir de 20 comparativos, que cruzam dois dados de cada empresa. Desta forma, é possível fazer uma avaliação mais equalizada entre companhias de diferentes portes.
Somadas, as sucroenergéticas desta sondagem foram responsáveis por uma moagem de 343,15 milhões de toneladas de cana na safra 2020/21 – quase 56,7% do total esmagado no período. Além disso, a análise atual tem 19 grupos a mais do que a feita no ano passado, referente a 2019/20.
Assim, é possível visualizar o desempenho das empresas em relação à tonelada de cana, à capacidade de lucrar (por meio do Ebitda ajustado, que demonstra os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com a dedução daquilo que as empresas julgam inadequado para medir seus resultados), às dívidas, ao tamanho da empresa (dado pelo ativo ou patrimônio líquido), entre outros números.
Confira, na versão completa e restrita para assinantes dados das seguintes sucroenergéticas:
- Adecoagro
- Atvos
- Balbo
- Batatais
- Biosev
- BP Bunge
- Cerradinho
- Cevasa
- Clealco
- CMAA
- Cocal
- Colombo
- Coruripe
- Da Mata
- Della Coletta
- Delta Sucroenergia
- Diana Bionergia
- Ester
- Ferrari
- Jalles Machado
- Maringá
- Nardini Agroindustrial
- Pedra Agroindustrial
- Raízen Energia
- Santa Adélia
- Santa Lúcia
- São Domingos
- São Manoel
- São Martinho
- SJC Bioenergia
- Tereos
- Uisa
- Zilor
Com uma produção de 605,46 milhões de toneladas, a temporada 2020/21 do Centro-Sul foi recorde e bastante lucrativa para o setor sucroenergético. Diversas empresas registraram resultados no azul – inclusive, em alguns casos, após vários ciclos de prejuízo, como ocorreu com a Umoe Bioenergy e a usina Ester.
Ainda assim, algumas companhias seguiram com perdas, a exemplo da Della Coletta, da Diana Bioenergia e da Tereos.
Entretanto, não é apenas o resultado líquido que demonstra o desempenho das sucroenergéticas. Por isso, o NovaCana realiza periodicamente um levantamento com indicadores relevantes e ranqueia as principais empresas do setor que divulgam seus dados financeiros de forma pública.
Para o ciclo 2020/21, foram reunidos os números operacionais e financeiros de 33 grupos. A seguir, eles são apresentados a partir de 20 comparativos, que cruzam dois dados de cada empresa. Desta forma, é possível fazer uma avaliação mais equalizada entre companhias de diferentes portes.
Somadas, as sucroenergéticas desta sondagem foram responsáveis por uma moagem de 343,15 milhões de toneladas de cana na safra 2020/21 – quase 56,7% do total esmagado no período. Além disso, a análise atual tem 19 grupos a mais do que a feita no ano passado, referente a 2019/20.
Assim, é possível visualizar o desempenho das empresas quanto à tonelada de cana, à capacidade de lucrar (por meio do Ebitda ajustado, que demonstra os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com a dedução daquilo que as empresas julgam inadequado para medir seus resultados), às dívidas, ao tamanho da empresa (dado pelo ativo ou patrimônio líquido), entre outros números.
Potencial de lucratividade
A capacidade de lucro das empresas em um período específico pode ser medida por meio da relação entre o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) e da moagem. Com isso, sabe-se o quanto a companhia ganha a cada tonelada de cana moída – quanto mais elevado o indicador, melhor o desempenho.
Neste quesito, a campeã foi a Jalles Machado, tendo lucrado R$ 134,05 por cada tonelada de matéria-prima em 2020/21, valor 12,3% acima do resultado de um ano antes. Em seguida, veio a Cerradinho, atingindo R$ 126,78/t, e a BP Bunge, com R$ 124,74/t.
Dentre a amostra, dez empresas tiveram desempenhos acima de R$ 100/t e outras seis acima de R$ 80/t, demonstrando bons números. Na outra ponta, as companhias com as piores performances foram a Raízen, com R$ 63,64/t – ainda que tenha crescido 10,4% no comparativo com 2019/20 –, e a Tereos, com R$ 55,45/t, alta anual de 41,8%.
A diferença entre o pior e o melhor resultado das 23 companhias analisadas foi de 141,7%.

Já em relação à margem Ebitda ajustado, o melhor desempenho foi da Adecoagro, com 75,72%, consideravelmente acima dos 51,65% de 2019/20. Esse indicador mede a capacidade de faturamento das empresas no comparativo com suas receitas com vendas – quanto mais alto o percentual, melhor a performance da empresa.
Em seguida, a Jalles Machado apareceu com 65,4%, pouco abaixo dos 68,65% obtidos no ciclo anterior.
Na outra ponta, por outro lado, está a Raízen, com 12,19%, em um cenário semelhante ao de um ano antes, quando a relação foi de 11,19%; a Biosev foi a penúltima no quesito margem Ebitda em 2020/21, com 22,05%, demonstrando breve piora safra a safra, uma vez que o índice foi de 23,76% em 2019/20.

Outro indicador de desempenho mede o quanto as empresas lucraram no comparativo com os seus gastos com quitação de juros – a chamada cobertura de juros. Para isso, o Ebitda ajustado foi cruzado com as despesas financeiras dos grupos sucroenergéticos e o resultado é dado em pontos. Quanto maior o valor, mais facilidade a empresa possui em quitar os seus juros.
A melhor performance foi da Uisa (antiga Usinas Itamarati), com 12,44 pontos, ainda que o valor represente uma redução de 36,4% no comparativo com 2019/20. Em seguida, veio a Cocal, com cobertura de juros de 7,68 pontos, resultado 63,6% acima de uma safra antes.
No outro extremo, o pior desempenho foi o da Jalles Machado, de 0,99 ponto, retração anual de 40,5%. Esta foi a única empresa com o índice abaixo de um ponto da amostra, o que indica que as despesas com pagamento de juros durante o ciclo 2020/21 foram superiores ao Ebitda ajustado da Jalles Machado. O indicador foi 92,1% inferior ao melhor resultado, da Uisa.

Dos 33 grupos que fazem parte da amostra colhida pelo NovaCana, 23 deles divulgaram dados do Ebitda ajustado e puderam ter estes números analisados pela reportagem. Além disso, oito deles apresentaram o dado sem qualquer ajuste, tendo sido este o número utilizado.
Receita com os produtos
Com uma receita líquida de R$ 32,09 bilhões, a Raízen Energia teve o melhor rendimento em relação à sua moagem, de 61,45 milhões de toneladas, atingindo R$ 522,22/t. o resultado foi 1,4% acima ao do fechamento do ciclo 2019/20, de R$ 515,06/t.
Este indicador operacional mensura o quanto as empresas receberam com as vendas dos seus produtos no comparativo com a sua matéria-prima esmagada. Todas as 33 empresas analisadas na amostra tiveram aumentos anuais na receita líquida entre 4,1%, como foi o caso da SJC Bioenergia, e de 248,9%, da BP Bunge.
Após a Raízen, o grupo Balbo teve o segundo melhor desempenho neste quesito, de R$ 398,55/t, tendo ampliado o resultado em 21,6% safra a safra. O terceiro melhor desempenho foi da Biosev, atingindo R$ 389,22/t. Neste caso, a evolução no comparativo com o ciclo anterior foi ainda mais representativa, de 61%.

Por outro lado, o grupo Ferrari teve a pior performance, com R$ 154,76/t. Já a Adecoagro obteve o segundo menor resultado, com R$ 156,92/t, ainda que o valor represente um aumento de 10,1% no comparativo com 2019/20.
Com isso, a disparidade entre os resultados das 33 sucroenergéticas foi significativa. O desempenho da Raízen ficou 237,4% acima do da Ferrari.
Outro indicador pertinente envolvendo a receita líquida é o giro de ativo, que faz a comparação dos rendimentos com o tamanho da empresa, contabilizado pelo ativo total. Quanto mais alto o valor, dado em pontos, mais vendas ocorreram com a mesma base de ativos.

Neste caso, o grupo Balbo teve o melhor desempenho, com 1,21 ponto, um aumento anual de 94,2% frente ao 0,62 ponto de um ano antes. Em seguida vieram a Biosev e a Clealco, com 0,87 e 0,77 ponto, respectivamente.
Por outro lado, as companhias Cocal e São Manoel apresentaram as piores performances, de 0,29 ponto no caso da primeira, uma queda de 66,6% no comparativo ano a ano; e de 0,26 ponto no da segunda mesmo após uma melhora de 20,2%.
Já reunindo dois dos principais dados das empresas, a receita líquida e o Ebitda ajustado, é possível medir o ganho recebido pelos produtos no comparativo com lucro obtido, antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Esta é uma maneira diferente de analisar os mesmos dados que são a base de cálculo da margem Ebitda. Neste indicador, quanto menor o resultado, menos receita é demandada para obter o mesmo lucro.

O melhor desempenho no quesito foi da Adecoagro, de 1,32 vez, 31,8% abaixo da 1,94 vez de um ano antes, seguida da Jalles Machado, de 1,53 vez, 5% acima da 1,43 vez do ciclo 2019/20.
O pior resultado, da Raízen, foi mais de seis vezes superior ao melhor: com 8,21 vezes, a gigante sucroenergética possui uma receita bastante elevada, mas não foi capaz de lucrar com a mesma eficiência das outras empresas. O custo de produção elevado, por exemplo, pode ser um dos motivos.
Além disso, a distância para o segundo pior resultado foi considerável, uma vez que a Biosev apresentou um índice 4,54 vezes – quase o dobro do número da Raízen e 7,8% acima de um ano antes.
Dos 23 grupos analisados neste indicador, uma vez que dez não apresentaram dados de Ebitda ajustado, dez tiveram resultados abaixo de 2 vezes e outros nove contabilizaram entre 2 de 3 vezes.
Custos da venda dos produtos
Os custos dos produtos vendidos no comparativo com a receita líquida das companhias demonstram justamente os gastos elevados da Raízen, tendo os dispêndios do grupo correspondido a 88,56% dos ganhos. Ainda assim, o desempenho foi pouco melhor do que um ano antes, de 92,22%.
Cevasa e Atvos também tiveram resultados elevados, de 82,29% e 83,09%, respectivamente.

Já as empresas com os melhores performance foram a Colombo e a Nardini, com gastos correspondendo a 56,71% e 58,84% das receitas, respectivamente. Ambas tiveram redução neste indicador no comparativo anual.
Das 33 usinas analisadas, 27 tiveram melhorias, reduzindo o percentual no comparativo com o ciclo anterior – quanto menor ele for, melhor é o desempenho da empresa.
Já no comparativo com a moagem, ou seja, o quanto as empresas gastaram na fabricação dos seus produtos em relação à matéria-prima disponível, a Adecoagro teve o melhor resultado, com R$ 110,62/t. Ainda assim, a companhia passou por um aumento de 7,2% ante os R$ 103,15/t de 2019/20.

Em segundo lugar, a Colombo gastou R$ 114,27/t, 4,6% abaixo de um ano antes, quando os dispêndios foram R$ 119,75/t.
Na outra ponta, novamente a Raízen teve o pior desempenho. Ainda que sua moagem tenha sido elevada, seus gastos também o foram. Logo, a companhia registrou despesas de R$ 462,49/t na produção de seus itens, uma breve queda de 2,6% no comparativo com um ano antes. A Biosev veio em seguida, com R$ 288,06/t (+34,8%).
Das 33 empresas, 21 delas tiveram gastos inferiores a R$ 150/t.
Um terceiro comparativo possível dos custos é em associação ao Ebitda ajustado da companhia, ou seja, os gastos vistos em relação à capacidade de lucro. Neste caso, o resultado é dado em vezes.

Neste quesito, a melhor performance foi da Jalles Machado, com 0,92 vez e redução anual de 2,7%. Juntamente com a Adecoagro, que obteve 0,93 vez após redução de 33,6% ante 2019/20.Estas foram as únicas duas empresas com resultados abaixo de 1 vez. Outras 17 companhias obtiveram um indicador entre 1 e 2 vezes.
Já os piores desempenhos foram, novamente, da Raízen e da Biosev, com 7,27 vezes e 3,36 vezes, respectivamente. Ainda assim ambas reduziram o índice no comparativo anual: a Raízen, em 11,8% e a Biosev em 9,8%.
O giro de estoques é uma quarta forma de comparação dos gastos realizados ao longo do ciclo. Este indicador traz o valor dos produtos mantidos em estoque no momento do encerramento da temporada.
A performance mais favorável foi a da Santa Lúcia, em que os custos totais da safra equivaleram a 2,29 vezes ao valor dos estoques. A Da Mata veio em seguida, com desempenho de 3,2 vezes. As duas empresas tiveram incrementos no comparativo anual; 142,2% no caso da Santa Lúcia, e de 2,7% no caso da Da Mata.
Das 33 empresas da amostra, 16 delas tiveram redução neste quesito, enquanto outras 17 tiveram aumento.
Dentre os piores despenhos, estão a Santa Adélia, com 27,26 vezes, e a Della Colleta, com 32,70 vezes. Ambas reduziram o valor entre as safras 2019/20 e 2020/21.

É importante reiterar que este indicador deve ser analisado com cautela, uma vez que a posição final dos estoques na safra pode variar de forma considerável de acordo com as estratégias adotadas pelas empresas em cada ciclo.
Resultados líquidos
O resultado líquido da empresa, que diferentemente do Ebitda já considera os juros, impostos, depreciações, amortizações e demais itens que a empresa enxerga como não pertinentes para avaliar o seu desempenho operacional, também é importante em uma análise de indicadores.
Uma das bases comparativas mais relevantes é com a moagem. Das 33 empresas em análise, somente quatro delas obtiveram prejuízos: Tereos, Atvos, Della Colleta e Diana Bioenergia. Em relação à matéria-prima, as perdas foram de R$ 1,96/t, R$ 9,90/t, R$ 11,37/t e R$ 12,27/t, respectivamente. As duas primeiras tiveram melhorias no comparativo com 2019/20 e as duas últimas, piora.

Dos resultados no azul, o mais favorável foi o da Balbo, com lucro de R$ 81,54/t – o valor ainda apresenta um aumento anual de 99,2% contra os R$ 40,94/t de um ano antes. Já a Nardini, segunda neste quesito, apresentou ganhos de R$ 54,62/t, com incremento safra a safra de 237,7%.
Em comparação com o patrimônio líquido de cada empresa, que corresponde ao seu tamanho já desconsiderando os passivos, os resultados trazem um indicador chamado rentabilidade, também conhecido como Retorno sobre o Patrimônio Líquido.
O melhor resultado foi o da Batatais, com 211,56%, que apresentou um crescimento de 1.273,6% em relação a 2019/20. Em seguida, a Ester obteve um índice de 167,13% em rentabilidade, mas com queda anual de 49,7%.
Dentre os piores resultados, dois deles foram negativos. A Tereos teve um deles, com 1,96%, uma vez que a empresa teve um prejuízo de R$ 41 milhões – um ano antes, o número era ainda menor, de 6,07% negativo. Já a Diana Bioenergia obteve um resultado negativo de 40,75%, uma vez que registrou perdas líquidas de R$ 16,87 milhões na temporada. Neste caso houve uma redução significativa no indicador, que era negativo em 10,52% em 2019/20.

Biosev, Atvos, Clealco e Della Colleta apresentaram patrimônios negativos, o que acaba por distorcer o resultado e, por isso, foram removidas da análise neste caso. Isto ocorre quando os valores das obrigações superam a soma de todos os ativos de uma empresa.
Liquidez e endividamento
A liquidez corrente é um dos indicadores usados para medir a obtenção de crédito e análise de risco das empresas. O número, dado em pontos, é calculado pela relação entre o ativo circulante (recursos que podem ser convertidos em finanças no curto prazo) e o passivo circulante (contas que precisam ser pagas nos próximos 12 meses).
Basicamente, a liquidez corrente mede a saúde financeira da companhia e corresponde à capacidade dela em arcar com suas obrigações financeiras; quanto mais elevado, mais favorável é o índice para a companhia. Neste quesito, 13 das 33 empresas tiveram piora em sua performance no momento do fechamento do ciclo 2020/21 no comparativo o mesmo período de 2019/20.

Os melhores resultados vieram com a Santa Lúcia, com 2,63 pontos, ainda que o índice represente uma retração anual de 10,5%. Em seguida, vieram Jalles Machado, com 2,58 pontos (+19,2%) e a Adecoagro, com 2,24 pontos (-2,3%).
No total, 11 empresas tiveram liquidez corrente inferior a 1 ponto, o que significa que elas têm mais contas a pagar do que dinheiro disponível em caixa. Em contrapartida, outras seis tiveram resultados superiores a 2 pontos, significando que têm capital para pagar mais do que o dobro de suas contas.
Dentre os piores resultados, a Della Colleta contabilizou 0,16 ponto e a Clealco, 0,28 ponto. Entre o pior e o melhor valor, a diferença chegou a 1.588,1%.
No grau de endividamento, outro indicador que permite medir a saúde financeira da empresa é dado pelo cálculo de quanto as dívidas pesam no patrimônio. Nele, é feita a relação entre o passivo total, de curto, médio e longo prazos, e o total dos ativos.
Neste caso, 21 empresas apresentaram queda, o que é um sinal positivo. Outras duas tiveram manutenção do valor e dez apresentaram crescimento. Por isso, o grau de endividamento do setor reduziu no quadro geral.

A Santa Lúcia ficou com a melhor performance neste quesito, com 28,93%, seguida da Cevasa, com 31,1%. Ainda assim, tais empresas apresentaram aumentos nestes percentuais no comparativo ano a ano.
Em seguida, as outras 31 companhias tiveram resultados acima do dobro desta última. Os piores desempenhos no grau de endividamento foram da Clealco, com 190,27%, e da Della Colleta, com 153,73%.
Débitos das sucroenergéticas
A redução da alavancagem é algo bastante importante para qualquer empresa; entre as sucroenergéticas isto pode ser ainda mais desafiador, uma vez que se trata de um setor marcado por altos endividamentos.
O indicador mede o risco das operações de uma companhia comparando a dívida líquida com o patrimônio líquido. Mesmo que a alavancagem da empresa seja alta, isto não é sinônimo de mal desempenho já que riscos mais elevados implicam que o potencial de ganho também o é.
Das 33 empresas da amostra, 14 tiveram índice abaixo de 1 vez e outras sete de até 2 vezes. Além disso, cinco companhias tiveram o valor distorcido, seja pela dívida líquida ou pelo patrimônio líquido negativo.
O desempenho mais baixo foi o da Santa Lúcia, de 0,04 vez, seguido pelo da Jalles Machado, de 0,17 vez. Ambas as sucroenergéticas reduziram este indicador no comparativo com o fechamento de 2019/20.

Em contrapartida, o grupo Ester apresentou o maior resultado, com 14,35 vezes, seguido da Batatais, com 7,07 vezes. Nas 32 companhias em que foi possível fazer a comparação entre os últimos dois anos, 20 reduziram a alavancagem.
Já em relação à moagem, demonstrando o peso das dívidas frente ao desempenho dos canaviais, houve uma disparidade considerável entre o melhor e o pior resultado, com uma variação de 3.731,2%.
A Santa Lúcia teve uma performance de R$ 14,55/t, redução de 16,4% ano a ano. Ela foi seguida pela Jalles Machado, com R$ 37,44/t, retração anual de 77,5%.
Das 23 empresas analisadas, 14 delas apresentaram redução neste indicador, mostrando uma melhora na performance do setor.

Por outro lado, as companhias Biosev e Atvos tiveram os piores resultados. No caso da Biosev, ele foi de R$ 249,51/t, aumento de 10,7% contra os R$ 225,34/t de um ano antes. Já a Atvos apresentou um resultado ainda mais díspar no comparativo devido a suas altas dívidas, de R$ 557,38/t, com retração ano a ano de 2,6%.
O índice da Cevasa ficou distorcido, uma vez que a companhia apresentou caixa suficiente para cobrir suas dívidas.
Em relação ao Ebitda ajustado, as dívidas são confrontadas com os lucros descontados juros, impostos, depreciações e amortizações.
A Jalles Machado foi a companhia com o melhor resultado neste indicador, com 0,28 vez. Inclusive, a sucroenergética apresentou melhora anual do fator, com queda de 80%, uma vez que o índice era de 1,39 vez em 2019/20. Em seguida, a Batatais registrou 0,68 vez.
BP Bunge, Cerradinho e Nardini completam o grupo de empresas com resultado abaixo de 1 vez.

Além disso, dos 23 grupos analisados, 12 deles tiveram desempenho de até 2 vezes na relação entre a dívida e a moagem. No lado oposto da análise, a Raízen teve a performance mais desfavorável da amostra, com 3,2 vezes; a Coruripe veio logo depois, com 3,15 vezes.
Juros, impostos, câmbio e gastos administrativos
Existem outros dispêndios que as sucroenergéticas possuem, indo além dos vinculados à produção de açúcar, etanol e energia elétrica. Os gastos administrativos, por exemplo, podem ser comparados com a moagem de cana-de-açúcar de cada grupo.
A Da Mata foi a companhia em que estas despesas menos pesaram ante a moagem, com R$ 4,91/t. O indicador da usina teve uma queda anual de 4,4% no comparativo com os R$ 5,15/t de 2019/20.
Em seguida, a Santa Adélia também apresentou gastos pequenos com as contas administrativas, de R$ 5/t, em 2020/21.
Das 33 companhias analisadas, 17 delas performaram com valores inferiores a R$ 10/t. Os maiores gastos foram os da Biosev, de R$ 22,58/t, representando uma ampliação anual de 31,3%; e os da Balbo, de R$ 20,40/t e com crescimento safra a safra de 5,6%.

Dentre as 23 empresas que tiveram seus dados obtidos pelo NovaCana e puderam ser comparadas, 16 delas reduziram o valor que confronta as despesas administrativas e a moagem entre 2019/20 e 2020/21.
Já em relação às despesas financeiras, 14 das 23 apresentaram redução no indicador. A Santa Lúcia foi a que teve os menores gastos na área, com apenas R$ 0,98/t. Ela foi seguida pela Cevasa, com dispêndios de R$ 5,86/t.
Entretanto, essa não é a realidade de todas as empresas. Somente quatro companhias tiveram desembolsos inferiores a R$ 10/t. A Jalles Machado foi a que apresentou os maiores gastos financeiros frente à moagem, chegando a R$ 135,54/t. O valor teve um incremento anual de 88,8% ante os R$ 71,78/t do ciclo anterior.
A Diana Bioenergia ficou em penúltimo, com despesas de R$ 104,08/t e um crescimento ano a ano de 71,2%.

O resultado financeiro, entretanto, também considera as receitas que podem vir de juros recebidos, restituições de impostos, correções monetárias e desempenho de derivativos. Além disso, outro fator que entra na conta é o câmbio; ele é particularmente relevante, uma vez que as exportações de açúcar são calculadas em dólar e muitas das dívidas das sucroenergéticas são precificadas na moeda estrangeira.
Neste quesito, somente quatro empresas registraram um resultado financeiro positivo em comparação com a moagem. A Batatais teve a melhor performance, com R$ 30,39/t, revertendo um prejuízo de R$ 41,74/t da safra 2019/20. Em seguida, vieram Ferrari, Uisa e Santa Lúcia, com R$ 12,99/t, R$ 6,78/t e R$ 0,54/t, respectivamente.

Já os resultados mais desfavoráveis dos 33 grupos analisados foram da Diana Bioenergia, com um prejuízo de R$ 82,59/t, e da Della Colleta, com perdas de R$ 62,17/t.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana