A Raízen registrou um lucro líquido consolidado de R$ 168 milhões no terceiro trimestre da safra 2022/23, ante R$ 1,42 bilhão observado em igual intervalo de 2021/22. Desta forma, a retração na comparação anual foi de 88,2%.
A companhia ainda traz um lucro líquido ajustado de R$ 255,7 milhões no período encerrado em 31 de dezembro de 2022, queda de 79% ante o ganho de R$ 1,219 bilhão do intervalo anterior.
A alavancagem fechou o trimestre em um múltiplo de 2,5 vezes; o valor é calculado pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda dos últimos 12 meses. Neste caso, houve um avanço de 47,1% ante a 1,7 vez vista no terceiro trimestre de 2021/22.

A geração de caixa do trimestre, por sua vez, totalizou R$ 1 bilhão, queda de 65% ante 2021/22.
Por sua vez, a receita líquida da Raízen subiu 9% na comparação anual, chegando a R$ 60,37 bilhões no trimestre encerrado em dezembro. Na mesma base, o resultado operacional medido pelo Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou positivo em R$ 2,94 bilhões, recuo de 11,8%, em valores ajustados.
Em relação aos investimentos, o capex dos segmentos de renováveis de açúcar somou R$ 2,23 bilhões no trimestre (+36,2%) e R$ 5,25 bilhões no acumulado da temporada (+54,6%).
Deste total, R$ 1,48 bilhão foi direcionado para projetos de expansão, com R$ 817,8 milhões voltados para as usinas de etanol de segunda geração (E2G), R$ 130 milhões aplicados em cogeração de energia e os R$ 81 milhões restantes direcionados para as plantas de biogás.

A Raízen ainda reafirmou suas perspectivas para o ano-safra 2022/23, estimando investimentos totais de até R$ 12 bilhões, com até R$ 9,5 bilhões na área de renováveis e açúcar, sendo até R$ 3,4 bilhões destinados a projetos de etanol de segunda geração e expansões.
Ao longo do trimestre, a Raízen processou 73,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, redução de 4% em relação ao volume processado no ano-safra anterior. Segundo a companhia, essa redução reflete os efeitos do clima em parte dos canaviais e menor área de colheita (556 mil hectares, frente a 600 mil hectares no acumulado da safra passada), fruto da decisão da empresa de acelerar a área de renovação de canavial neste ano, dentro da jornada para recuperação da eficiência agrícola.
No acumulado dos nove meses da safra, a redução da moagem e da concentração de açúcar total recuperável (ATR) foram parcialmente compensadas por uma leve melhora do rendimento dos canaviais, o que resultou em um volume 5% inferior de açúcar equivalente produzido.
Além disso, o mix de produção foi igualmente dividido entre açúcar e etanol, o que estaria alinhado à estratégia de comercialização para a safra. Assim, a Raízen fabricou 4,77 milhões de toneladas de açúcar (-7,8%) e 3 bilhões de litros de etanol (-2,9%) ao longo da temporada.

No comunicado que acompanha o release de resultados, a Raízen afirma que o desempenho foi marcado pela expansão da receita líquida, resultado dos maiores volumes comercializados, dos avanços na cadeia de valor do açúcar e etanol vendido com prêmio sobre os preços locais, além da forte expansão da base de clientes no segmento de energia, que já conta com mais de 24 mil unidades consumidoras.
Ainda conforme a Raízen, o volume de vendas de etanol, que inclui o produto de terceiros, somou 4,57 bilhões de litros no acumulado da safra, com alta de 31% ante o período anterior. A empresa ressaltou que está privilegiando a venda de etanol industrial e combustível para clientes globais, como Estados Unidos, Japão e Europa, “com precificação diferenciada”.
Já o volume total de vendas de açúcar somou 9 milhões de toneladas no acumulado da safra, alta de 46,8% na mesma comparação. No período, a Raízen teve um aumento de 10% no preço médio do adoçante em relação ao ano anterior.
“[O resultado está] refletindo a estratégia de fixação dos preços em meio a um cenário mais positivo para a commodity, além da captura de prêmio pela maior participação da Raízen nas vendas diretas para o destino, que já representam mais de 60% das vendas”, afirma.
Na área que inclui a distribuição de combustíveis, chamada de “Marketing & Serviços”, a Raízen reportou comercialização de 26,4 bilhões de litros em nove meses do ano-safra, alta de 3,4%, com destaque para o ciclo Otto (gasolina e etanol), enquanto no diesel houve queda de 0,3%.
A empresa citou um terceiro trimestre “desafiador para a indústria de distribuição de combustíveis no Brasil”, com o setor ainda absorvendo os efeitos das mudanças na tributação dos combustíveis e redução dos preços de gasolina e diesel pela Petrobras, além do “excesso” de oferta no mercado.
Amélia Alves
Com informações adicionais da Reuters e do NovaCana; edição NovaCana