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Como a Raízen mudou em quatro safras: 60 gráficos sobre campo, indústria e finanças

Companhia pretende chegar às 80 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processadas em 2023/24 – para entender se isso é possível, é importante olhar para os dados do passado

NovaCana 18 min de leitura

Quando os resultados da Raízen referentes ao quarto trimestre da safra 2022/23 foram divulgados, as ações da empresa caíram. Afinal, ao mesmo tempo em que apresentava um lucro líquido ajustado de R$ 2,52 bilhões – ante R$ 209,7 milhões na entressafra anterior –, a companhia também admitia que seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou abaixo das expectativas do mercado.

No acumulado de 2022/23, o Ebitda consolidado da Raízen foi de R$ 16,74 bilhões, alta de 16,4% ante a temporada anterior. Segundo relatório do BTG Pactual, considerando os ajustes da norma internacional IFRS 16, o valor ficaria R$ 1 bilhão abaixo da faixa esperada.

A companhia, entretanto, considerou seu desempenho “robusto”. Em sua apresentação de resultados, destacou que manteve o foco na “excelência operacional”, que seria responsável pela sustentação do “ciclo de expansão” na área de renováveis. “A safra foi marcada por novos recordes, tanto em faturamento global quanto Ebitda Ajustado, com uma execução consistente frente aos desafios enfrentados neste ano”, reforça.

Por sua vez, o BTG aponta que as perspectivas para 2023/24 decepcionaram o mercado. “O Ebitda esperado na IFRS 16 é de entre R$ 13,5 bilhões e R$ 14,5 bilhões. A faixa central implica um crescimento de 17% no ano, mas está 5% abaixo de nossa projeção, com um guidance de moagem de cana-de-açúcar em linha, de 80 milhões de toneladas”, aponta o documento, que segue: “As expectativas para preços e margens não são claras”.

Ainda assim, o banco aponta que a área sucroenergética é a que oferece “o maior potencial a longo prazo”. Entretanto, a Raízen precisaria “corrigir as ineficiências agrícolas e cumprir as promessas do E2G”, referindo-se a um esperado aumento de produtividade no campo e aos investimentos no etanol de segunda geração.

Para uma melhor compreensão dos números da Raízen e do seu potencial de crescimento, o NovaCana criou 60 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela companhia em 12 de maio. Por meio deles, é possível observar os resultados financeiros, industriais e agrícolas até o quarto trimestre da temporada, além dos rendimentos das safras passadas.

Confira mais informações sobre os resultados da companhia e todos os 60 gráficos – com dados sobre finanças, vendas, preços médios e indicadores agrícolas – no texto exclusivo para assinantes.

Quando os resultados da Raízen referentes ao quarto trimestre da safra 2022/23 foram divulgados, as ações da empresa caíram. Afinal, ao mesmo tempo em que apresentava um lucro líquido ajustado de R$ 2,52 bilhões – ante R$ 209,7 milhões na entressafra anterior –, a companhia também admitia que seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou abaixo das expectativas do mercado.

No acumulado de 2022/23, o Ebitda consolidado da Raízen foi de R$ 16,74 bilhões, alta de 16,4% ante a temporada anterior. Segundo relatório do BTG Pactual, considerando os ajustes da norma internacional IFRS 16, o valor ficaria R$ 1 bilhão abaixo da faixa esperada.

A companhia, entretanto, considerou seu desempenho “robusto”. Em sua apresentação de resultados, destacou que manteve o foco na “excelência operacional”, que seria responsável pela sustentação do “ciclo de expansão” na área de renováveis. “A safra foi marcada por novos recordes, tanto em faturamento global quanto Ebitda Ajustado, com uma execução consistente frente aos desafios enfrentados neste ano”, reforça.

Por sua vez, o BTG aponta que as perspectivas para 2023/24 decepcionaram o mercado. “O Ebitda esperado na IFRS 16 é de entre R$ 13,5 bilhões e R$ 14,5 bilhões. A faixa central implica um crescimento de 17% no ano, mas está 5% abaixo de nossa projeção, com um guidance de moagem de cana-de-açúcar em linha, de 80 milhões de toneladas”, aponta o documento, que segue: “As expectativas para preços e margens não são claras”.

Ainda assim, o banco aponta que a área sucroenergética é a que oferece “o maior potencial a longo prazo”. Entretanto, a Raízen precisaria “corrigir as ineficiências agrícolas e cumprir as promessas do E2G”, referindo-se a um esperado aumento de produtividade no campo e aos investimentos no etanol de segunda geração.

Para uma melhor compreensão dos números da Raízen e do seu potencial de crescimento, o NovaCana criou 60 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela companhia em 12 de maio. Por meio deles, é possível observar os resultados financeiros, industriais e agrícolas até o quarto trimestre da temporada, além dos rendimentos das safras passadas.

Moagem e produção

Em 2022/23, a moagem de cana-de-açúcar da Raízen – que, atualmente, controla 35 usinas – totalizou 73,46 milhões de toneladas, queda de 3,5% em comparação com as 76,16 milhões de toneladas da temporada anterior. Deste total, 53%, ou 38,92 milhões, correspondem à produção da própria Raízen (-4,3%), enquanto 47%, ou 34,54 milhões de toneladas vieram de fornecedores (-2,7%).

A retração na moagem total aconteceu mesmo com uma colheita mais longa, com 294,4 mil toneladas no período de entressafra, avanço anual de 47,1%. “O clima mais seco dos últimos dois anos resultou na menor disponibilidade de cana neste ano”, justifica a Raízen, em relatório.

Ainda segundo a empresa, no trimestre, 36% desta matéria-prima foi destinada para a fabricação de açúcar, resultando em 13,73 mil toneladas de açúcar (+311,6%). Por sua vez, a produção de etanol totalizou 15,3 mil litros de etanol (+64,5%).

Já no acumulado da safra, a destinação da cana foi feita igualmente, com 50% para cada um dos produtos. Com isso, a Raízen contabilizou 4,78 milhões de toneladas de açúcar (-7,6%) e 3,02 bilhões de litros de etanol (-2,7%).

Além disso, em relação ao etanol de segunda geração (E2G), a companhia divulgou uma produção de 30,3 milhões de litros (+64%). “A eficácia de nossa tecnologia e processos produtivos corroboram nossa visão de expansão de mercado, com oito novas plantas que já estão anunciadas e que serão construídas até 2027”, afirma e segue: “A Raízen já é a referência global no mercado de E2G, com contratos de longo prazo da ordem de 4,3 bilhões de litros”.

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Indicadores agrícolas

A partir dos números trimestrais divulgados, o NovaCana calculou a qualidade industrial média da cana-de-açúcar utilizada pela Raízen. Em 2022/23, a concentração de açúcar total recuperável (ATR) ficou em 135,8 kg/t, queda de 0,8% na comparação trimestral.

Ao mesmo tempo, o rendimento agrícola dos canaviais subiu 7,1% na mesma comparação, saindo de 66,2 t/ha em 2021/22 para 70,9 t/ha na temporada mais recente. Neste caso, os números obtidos a partir dos valores trimestrais divergem do resultado anual de 69,7 t/ha anunciado pela Raízen (diminuição de 3,6% ante a divulgação de 72,1 t/ha referente à safra anterior).

Com o avanço, a quantidade de ATR por hectare aumentou 5,5%, indo para 9,6 t/ha. Já com a retração calculada pela empresa, houve queda de 3,1%, de 9,8 t/ha em 2021/22 para 9,5 t/ha em 2022/23.

“Além da condição climática adversa, intensificamos a renovação do canavial nesta safra, reduzindo a área de colheita, em meio à jornada para recuperação da produtividade agrícola”, complementa a companhia.

Especificamente no quarto trimestre da safra, a concentração de ATR foi de 109,6 kg/t (+8,2%), com rendimento agrícola de 79,3 t/ha (+184,2%) e geração de 8,7 toneladas de ATR por hectare (+210,7%).

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Vendas de açúcar

A comercialização de açúcar da Raízen somou 11,34 milhões de toneladas na safra 2022/23, alta anual de 40,2%, sendo que 2,33 milhões de toneladas foram vendidas durante a entressafra (+19,6%). De acordo com a empresa, 10,04 milhões de toneladas foram exportadas na temporada (+46,4%), enquanto apenas 1,3 milhão de toneladas ficaram no país (+5,7%).

A companhia também declarou que a comercialização de açúcar próprio caiu 0,3%, para 4,99 milhões de toneladas, enquanto o produto de revenda e trading teve um crescimento anual de 106,2%, para 6,34 milhões de toneladas.

“A comercialização de volumes próprios no ano foi similar à safra anterior, apesar da menor disponibilidade de cana”, pondera a sucroenergética, que complementa: “Nesta safra, apresentamos níveis menores de estoques de passagem, em virtude da menor disponibilidade e ciclo de preços”.

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Vendas de etanol

Além disso, a Raízen registrou a comercialização de 6,18 bilhões de litros de etanol em 2022/23 (+20%), sendo 1,6 bilhão no quarto trimestre da temporada (-3,3%). Ainda de acordo com a companhia, 3,46 bilhões de litros foram direcionados ao mercado interno (+4%) e 2,72 bilhões de litros às exportações (+49%).

Os despachos para fora do país, aliás, foram citados pela empresa como sendo seu “principal destaque” na área. Segundo a Raízen, a “precificação diferenciada” sustentou a expansão do volume de negócios.

“[No Brasil] ao longo do trimestre e no ano, o etanol perdeu competitividade frente à gasolina, em razão das mudanças tributárias sobre os combustíveis”, relata a empresa. “Consequentemente, as vendas domésticas de etanol hidratado terminaram a safra 2022/23 em linha com o volume de 2021/22, enquanto as vendas de anidro atingiram recorde histórico, também contribuindo para a evolução do preço médio”, completa.

A Raízen também divulgou que o crescimento no volume vendido de etanol se deve à área de trading. Afinal, a maior parte do volume total corresponde ao biocombustível obtido para revenda, com 3,11 bilhões de litros (+51,4%). Com isso, 3,06 bilhões de litros são de fabricação própria (-1%).

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Vendas de energia

Por sua vez, a comercialização de energia elétrica da Raízen totalizou 21,58 GWh, queda anual de 5,3%. Neste caso, houve retrações de 15% na cogeração (2,01 GWh) e de 4,6% na revenda e trading (19,4 GWh), mas crescimento de 79,7% na energia solar e outras fontes renováveis (167,7 MWh).

“No ano safra, a redução na disponibilidade de biomassa impactou a geração de bioenergia e o volume de vendas de energia elétrica própria”, detalha a companhia.

No quarto trimestre, entretanto, a Raízen teve um crescimento de 20,9% no volume de energia vendido, para 5,24 GWh, sendo que 5,16 GWh vieram de revenda e trading (+20,4%).

“O forte crescimento reflete principalmente os investimentos em geração de energia limpa, principalmente solar. Crescemos o volume negociado no trimestre, buscando maximizar o retorno da operação através da maior participação de mercado, agregando inteligência e escala às operações da Raízen”, relata.

Ainda segundo a empresa, a Raízen possui mais de 24 mil clientes conectados, operando 52 plantas de geração de energia renovável. “Expandimos nossa atuação no segmento de energia elétrica no Brasil, posicionando a Raízen como a quinta maior comercializadora de energia do Brasil, de acordo com Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)”, comemora.

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Preço médio

De acordo com a Raízen, o preço médio de comercialização de açúcar atingiu seu pico no quarto trimestre da safra, com R$ 2.557,42 por tonelada, elevação de 29,9% ante o mesmo período da temporada anterior. Ao longo da temporada, conforme cálculos do NovaCana, a média foi de R$ 2.277,57/t, alta de 14%.

“A eficácia da estratégia das vendas diretas para o destino (100% dos volumes de açúcar próprio e 60% do total), proporcionou expansão de nossa atuação na cadeia de valor do açúcar, com melhor fixação dos preços em meio a um cenário mais positivo para commodity”, afirma a Raízen.

Por sua vez, de acordo com cálculos do portal, o preço médio de todo o etanol comercializado pela Raízen no período de entressafra foi de R$ 3.558,24/m³, alta de 3,6% em comparação com o mesmo período de 2021/22. Considerando a safra 2022/23, por sua vez, o valor é de R$ 3.958,57/m³, o que representa uma elevação anual de 2,9%.

Segundo a companhia, sua estratégia de comercialização proporcionou que o preço médio de venda ficasse cerca de 30% superior ao valor de referência do mercado. “Atualmente, 80% do volume de etanol produzido pela Raízen contém prêmio sobre o etanol hidratado vendido no Brasil, sendo destinado para fins industriais (bioplásticos, cosméticos, indústria de bebidas, dentre outros) e carburantes, com precificação diferenciada e prêmios de baixo carbono”, explica.

Ainda conforme a Raízen, o preço médio trimestral da energia própria variou entre R$ 236,20/MWh no segundo trimestre a R$ 343,70/MWh no quarto. A partir disso, o NovaCana calculou que o preço médio da safra caiu 8,6% ante a temporada anterior, para R$ 241,29/MWh.

“A melhora nas condições de suprimento de energia [hidrelétrica] gerou queda contínua no preço médio de curto prazo em todos os submercados brasileiros”, afirma a Raízen, que segue: “O posicionamento da Raízen na comercialização via leilões de energia impactou positivamente o trimestre e mitigou parcialmente os efeitos sobre os preços médios no ano”.

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Receitas e custos

Com os maiores volumes vendidos de açúcar e etanol e a alta nos preços, a Raízen obteve uma receita líquida de R$ 245,83 bilhões em 2022/23, aumento de 25,2% na comparação anual. Dentro deste montante, R$ 54,97 bilhões foram obtidos no quarto trimestre da temporada (+2,8%).

Especificamente, o etanol rendeu R$ 24,45 bilhões para a companhia ao longo do ano-safra (+23,5%), sendo R$ 10,81 bilhões referentes às vendas domésticas (+1,4%) e R$ 13,64 bilhões às exportações (+49,2%).

Por sua vez, o açúcar correspondeu a R$ 25,82 bilhões (+59,8%) – a maior parte deste montante, R$ 22,86 bilhões (+69,4%), foi obtida junto ao mercado externo.

Em contrapartida, a comercialização de energia rendeu R$ 3,79 bilhões para a companhia em 2022/23, queda de 11,9% na comparação anual. Já outras receitas com energias renováveis corresponderam a R$ 493,2 milhões (-30,9%).

Além disso, apesar da elevação nas receitas, os custos dos produtos vendidos também subiram. No consolidado de 2022/23, a Raízen somou despesas de R$ 230,56 bilhões, 25,6% acima do registrado na temporada anterior. No quarto trimestre, o valor foi de R$ 48 bilhões (-5,8%).

Dentre os produtos sucroenergéticos, a maior alta nos custos foi no açúcar, com 63%, para 27,48 bilhões. O aumento foi, em grande parte, justificado pelo crescimento de 114,9% nos custos do adoçante obtido por revenda e trading, que acumularam R$ 15,32 bilhões na temporada.

Já os custos com etanol próprio somaram R$ 8,24 bilhões (+14,4%), enquanto a cogeração, incluindo revenda e trading, teve alta de 30,3%, para R$ 16,74 bilhões. Outras renováveis corresponderam a custos de R$ 552,2 milhões (+106,3%).

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Resultados financeiros

Em 2022/23, o lucro líquido da Raízen somou R$ 2,44 bilhões, queda de 30% na comparação com os R$ 3,49 bilhões da safra anterior. Este número só foi possível por conta do resultado da entressafra, de R$ 2,6 bilhões (+936%), que compensou o prejuízo de R$ 154 milhões visto no acumulado de abril a dezembro de 2022.

Já o lucro bruto consolidado da companhia somou R$ 15,27 bilhões na safra, alta de 20,3% ante 2021/22. No quarto trimestre, o desempenho foi de 6,97 bilhões, elevação anual de 171,9%.

Por sua vez, o Ebitda da companhia foi de R$ 16,74 bilhões no acumulado da safra, alta de 16,4%. Considerando ajustes feitos pela companhia, o valor passa a ser de R$ 15,29 bilhões (+42,8%). Já o Ebit (lucro antes de juros e imposto de renda) foi de R$ 8,09 bilhões (+23%).

Levando em conta os resultados por segmentos, o setor de renováveis – que une etanol, energia e outros – teve um lucro bruto de R$ 3,2 bilhões (-28,9%). Por sua vez, o Ebitda anual foi de R$ 5,92 bilhões (-8,5%); com ajustes, o valor passa a ser de R$ 4,72 bilhões (+2,5%). Já o Ebit foi de R$ 1,81 bilhão (-41,8%).

“A evolução [no Ebitda ajustado de renováveis, único dos indicadores acima a apresentar crescimento] reflete o melhor preço médio de comercialização de etanol suportado pelo nosso portfólio diversificado de biocombustível para diferentes usos e aplicações”, afirma a Raízen.

A companhia completa: “A expansão dos volumes de negócios com melhores preços de etanol e os avanços na agenda de negócios de energia elétrica foram responsáveis pela elevação no ano-safra, parcialmente compensados pela pressão inflacionária nos custos”.

Na área de açúcar, o lucro bruto da Raízen em 2022/23 foi de R$ 1,72 bilhão (-19,5%). Já o Ebitda totalizou R$ 3,75 bilhões (-3,2%), enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 2,51 bilhões (+27,9%) e o Ebit foi de 318,3 milhões (-46,6%).

Em relação ao Ebitda ajustado de açúcar, a Raízen afirmou: “O maior volume comercializado e o aumento das vendas diretas ao destino mitigaram a pressão nas margens pelos maiores custos, considerando menor volume de moagem e disponibilidade de produto”.

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Investimentos

De acordo com a Raízen, os investimentos da companhia na área agroindustrial totalizaram R$ 8,81 bilhões na safra 2022/23, uma elevação de 55,6% em relação à temporada que anterior.

“Orientamos nossos investimentos para a expansão de nossas operações, em aderência ao plano de negócios da Raízen. Nossa estrutura de capital se apresenta sólida e com níveis prudenciais de liquidez, prazo médio de endividamento e alavancagem, mesmo em um ciclo intenso de investimentos”, afirma, em apresentação de resultados.

Dentro deste montante, R$ 4,37 bilhões foram direcionados para a manutenção dos canaviais (+8,2%). Neste caso, houve uma mudança significativa de direcionamento na comparação anual, com R$ 3,32 milhões para ativos biológicos (+34,5%) e R$ 1,04 bilhão para a entressafra (-33,5%).

Segundo a Raízen, o valor dos aportes foi afetado pela alta nos preços de insumos agrícolas, aço, diesel e mão de obra, o que também impactou os custos com plantio, trato cultural e manutenção industrial. “Seguimos com um nível elevado de investimentos em plantio e trato cultural, com mais de 107 mil hectares de área plantada na safra, acelerando a jornada de recuperação da produtividade, com expectativa de melhora contínua”, descreve.

Mas o maior aumento foi para a área de projetos, que somaram aportes de R$ 2,71 bilhões em 2022/23 (+288,2%). Especificamente, os investimentos em etanol de segunda geração (E2G) cresceram 540,1% na comparação anual, para R$ 1,29 bilhão – no momento do encerramento da safra, a Raízen somava cinco plantas de E2G em construção –, enquanto outros aportes somaram R$ 1,42 bilhão (+185,9%).

“Os demais projetos incluem os investimentos para aumento da capacidade de geração de energia elétrica 100% renovável (especialmente geração solar), na construção da segunda planta de biogás, em projetos de irrigação agrícola, bem como projetos para melhorias e expansão do negócio de açúcar (ampliação da produção e armazenagem)”, enumera a Raízen.

Por fim, os investimentos operacionais somaram R$ 1,74 bilhão (+87,1%), com R$ 931 milhões para o programa de saúde, segurança e meio ambiente da empresa (SSMA) e R$ 810 milhões para a agroindústria.

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Perfil do endividamento

Mas os maiores investimentos foram acompanhados por um aumento no endividamento. Em 31 de março de 2023, a Raízen acumulava uma dívida líquida de R$ 20,36 bilhões, alta de 47,3% ante a posição de um ano antes. Segundo a empresa, o crescimento se deve aos aportes, às aquisições e a outros efeitos líquidos.

Ainda conforme a Raízen, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda de 12 meses permitiu que a empresa mantivesse sua alavancagem em 1,3 vez pelo segundo ano consecutivo. “Avançamos no alongamento do prazo médio, em linha com a nossa estratégia financeira. A posição de caixa e equivalentes de caixa encerrou o ano em R$ 8,9 bilhões”, detalha.

O endividamento bruto da companhia, por sua vez, somava R$ 29,45 bilhões no encerramento da temporada (+32,2%), sendo que R$ 16,3 bilhões estavam comprometidos em moeda estrangeira (+19,3%) e R$ 13,16 bilhões em reais (+52,7%). Além disso, a Raízen aponta que aproximadamente R$ 2 bilhões, ou 16% do total, refere-se aos investimentos na Argentina.

Segundo a Raízen, os débitos em moeda estrangeira são compostos por: pré-pagamentos de exportação (R$ 10,8 bilhões), notas seniores (R$ 3,62 bilhões), contratos de empréstimos (R$ 1,01 bilhão) e outras dívidas (R$ 857,05 milhões).

Já o endividamento em real envolve Certificados de Recebíveis do Agronegócio, ou CRAs (R$ 7,74 bilhões); debêntures (R$ 2,43 bilhões); notas de créditos (R$ 1,65 bilhão); Cédulas de Produtor Rural Financeira, ou CPR-F (R$ 1,05 bilhão); empréstimos via BNDES (R$ 263,2 milhões); e securitização agrícola (R$ 35,3 milhões).

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Distribuição de combustíveis

Os números da Raízen ainda incluem a atuação da companhia no setor de distribuição de combustíveis. Entre abril de 2022 e março de 2023, a empresa vendeu 27,72 bilhões de litros, queda de 0,3% na comparação com o período anterior.

Apesar da leve retração, a receita anual do chamado segmento nacional de marketing e serviços subiu 15,2%, para R$ 168,92 milhões. Entretanto, os custos dos produtos vendidos representaram R$ 160,31 bilhões (+12,6%), gerando um lucro bruto de R$ 8,61 bilhões (+105,4%).

“A expansão das margens operacionais no trimestre e no ano, a despeito reconhecimento extraordinário de créditos tributários no período, refletiu o foco na melhora da rentabilidade com incremento da oferta integrada para revenda”, comenta a empresa.

Neste caso, o Ebitda anual foi de R$ 6,04 bilhões (+132%); com ajustes, o valor passa a ser de R$ 5,71 bilhões (+91,5%). Por fim, o Ebit foi de R$ 5,65 bilhões (+149,3%).

Considerando todo o volume comercializado, a liderança ficou com o diesel, com 14,52 bilhões de litros (-3,9%), seguindo pela gasolina, com 8,96 bilhões de litros (+5,5%). Assim, o etanol representou 2,89 bilhões de litros, retração de 10,9%.

Ainda de acordo com a Raízen, a comercialização de combustíveis de aviação somou 1,03 bilhão de litros em 2022/23 (+34,4%), enquanto outros combustíveis representaram 325,1 milhões de litros (+69,2%).

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Renata Bossle – NovaCana

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