Financeiro

Preço do CBio volta a cair e título é negociado, em média, por R$ 43,73 em novembro

No começo do mês, papéis atingiram alta histórica de R$ 72, mas terminaram o período cotados entre R$ 39,80 e R$ 45


NovaCana - 01 dez 2020 - 16:24

O mês de novembro foi repleto de reviravoltas no RenovaBio. Em meio a incertezas e questionamentos judiciais quanto ao programa, o mercado de créditos de descarbonização (CBios) registrou flutuações de preços.

Nos primeiros dias de novembro – quando o preço alcançou uma alta história de R$ 72 por CBio –, o número de créditos registrados junto à B3 já era suficiente para atingir 90% da meta do programa para 2020, mas a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) afirmava que o volume negociado ainda era pequeno.

Não demorou para as distribuidoras retaliarem. Menos de uma semana depois, a Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) conseguiu uma redução nas metas de suas associadas na justiça, alegando que o tempo disponível para aquisição era pequeno, o número de CBios ainda era inferior à meta e que a recente alta observada teria impacto nas bombas de combustíveis, prejudicando os consumidores. Ao mesmo tempo, o teto das negociações voltou a ficar abaixo de R$ 50 por CBio, e com tendência de queda.

Em resposta, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) argumentou que as metas para 2020 já haviam sido reduzidas por conta da pandemia de covid-19, após um processo de consulta pública que contou inclusive com a participação das distribuidoras. Com isso, a agência conseguiu a suspensão da liminar e os preços, que vinham sendo negociados a, no máximo, R$ 41,70, chegaram a ensaiar uma nova superação da marca dos R$ 50.

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Ainda assim, o mercado segue enfrentando questionamentos sobre a tributação dos títulos e a Brasilcom decidiu entrar com uma nova ação judicial para redução das metas. E, mais recentemente, a ANP deu início a uma consulta pública sobre o possível abatimento nas metas quando forem realizadas aposentadorias de CBios por partes não obrigadas no programa.

Considerando os valores negociados desde a primeira venda de CBios, em 15 de junho, os créditos do RenovaBio foram comercializados, em média, a R$ 44,59. Em novembro, especificamente, eles foram vendidos por R$ 43,73 – esta é a primeira vez desde setembro que o preço médio mensal é inferior ao valor histórico.

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Além disso, o número de títulos já escriturados pelas usinas superou a meta de compra das distribuidoras para 2020 e já chega a 15,69 milhões. Segundo a Unica, a expectativa é que o volume escriturado em 2019 chegue a 18 milhões de CBios, gerando um excedente de mais de 3 milhões para 2021.

De acordo com a entidade, o cálculo é baseado no volume de etanol certificado que deve ser comercializado nas próximas semanas.

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O valor atual, entretanto, é superior aos 15,12 milhões de CBios que tiveram lastro gerado na Plataforma RenovaBio, conforme acompanhamento realizado pela ANP. A discrepância pode ser justificada porque a última atualização deste dado por parte da agência reguladora aconteceu há mais de dez dias, em 19 de novembro.

De qualquer forma, até o momento, apenas 516,47 mil títulos foram retirados de circulação por meio do mecanismo de aposentadoria. O valor é equivalente a 3,5% da meta estabelecida para o RenovaBio em 2019 e 2020, de 14,9 milhões de títulos – a princípio, esta é a quantidade de CBios que deve ser aposentada até 31 de dezembro deste ano.

A B3, no entanto, não declara se esta aposentadoria foi realizada por distribuidoras ou por investidores não obrigados com o programa.

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Em 1º de dezembro, as distribuidoras de combustíveis possuíam 8,71 milhões de CBios, o que seria suficiente para cumprir 58,5% da meta. Desta forma, ao longo do próximo mês, a expectativa é que estas companhias adquiram – e aposentem – mais 6,18 milhões de créditos.

Na mesma data, as usinas produtoras de biocombustíveis detinham 6,43 milhões de títulos. Além disso, outros investidores possuíam 28,77 mil CBios. Estas quantias não incluem os títulos já aposentados.

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Segundo a B3, mais de 2,41 milhões de CBios foram comercializados ao longo de novembro, sendo que a maior parte deste total, 1,98 milhão, foi vendida na segunda quinzena do mês, marcada por preços mais baixos.

Renata Bossle – novaCana.com


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