Financeiro

Com obras paradas em Nova Mutum (MT), FS Bioenergia aposta em financiamentos “verdes”

Em meio a ajustes no plano de investimentos, grupo dedicado à produção de etanol de milho captou quase R$ 500 milhões em financiamentos vinculados a metas ambientais


novaCana.com - 06 jul 2020 - 09:18

Os planos de expansão da produção de etanol de milho em Mato Grosso estão prejudicados. Em reportagem publicada pelo Valor Econômico, a FS Bioenergia confirmou que sua terceira unidade no estado, em Nova Mutum, está com as obras paradas.

Com a demora para obter a licença ambiental, a companhia – uma joint venture entre a americana Summit Agricultural Group e a Tapajós Participações – optou por priorizar a expansão de sua segunda unidade, localizada em Sorriso (MT). O plano é ampliar a capacidade de produção anual de 530 milhões para 800 milhões de litros.

Ainda assim, devido aos atrasos causados pela pandemia de covid-19, as obras só devem ser concluídas em março de 2021.

Em entrevista ao Valor Econômico, o CEO da FS Bioenergia, Rafael Abud, afirmou que, apesar das atuais dificuldades no setor de combustíveis – com a queda na demanda por conta das medidas de isolamento social –, a perspectiva segue positiva para o mercado de etanol e não há planos de cancelar investimentos.

No momento, ele trabalha com a estimativa de uma queda de 15% no consumo de combustíveis do ciclo Otto em 2020. “Talvez neste ano e no próximo não tenha recuperação total da demanda, mas dificilmente no longo prazo inverte ciclo de expansão do etanol”, afirma.

Abud também explicou que os financiamentos para os projetos de expansão da FS Bioenergia são obtidos no mercado internacional. Já os recursos obtidos no Brasil seriam mais voltados para capital de giro.

Metas “verdes”

De acordo com a reportagem do Valor Econômico, em três operações feitas neste ano, a companhia captou quase R$ 530 milhões em financiamentos “verdes”. O mais recente deles foi confirmado na semana passada. Nele, a FS Bioenergia contratou um empréstimo com juros atrelados a metas sustentáveis junto ao Santander.

A operação de R$ 180 milhões para capital de giro tem o prazo de um ano e pode ter o custo reduzido em até 0,15% se todas as metas forem alcançadas.

Segundo o texto do Valor Econômico, a primeira meta é melhorar o nível de transparência no relatório de sustentabilidade da companhia e obter o selo da Global Reporting Initiative (GRI), que estabelece padrões para relatórios corporativos na área.

A FS Bioenergia também se comprometeu a conseguir a certificação do Climate Bonds Iniciative (CBI), especializado em finanças verdes, e a se manter entre as dez produtoras de biocombustível com menor a pegada de carbono no RenovaBio.

Embora as notas da unidade da FS Bioenergia em Lucas do Rio Verde (MT) estejam entre as mais altas do programa – 71,7 gCO2/MJ para o anidro e 70,7 gCO2/MJ para o hidratado –, a geração de créditos de descarbonização (CBios) é comprometida devido ao baixo índice de matéria-prima elegível, com 12,57%.

Conforme a reportagem do Valor, a empresa pretende elevar esta elegibilidade para 22%, mas esta variável não foi incluída nos financiamentos.

De acordo com o vice-presidente de desenvolvimento de novos negócios da companhia, Daniel Lopes, a baixa elegibilidade acontece porque, em comparação com uma unidade que usa cana-de-açúcar, uma usina de milho tem mais fornecedores e um controle menor sobre a origem, especialmente quando o grão é comprado via tradings.

Outros financiamentos

Segundo a reportagem do Valor Econômico, a primeira operação “verde” da FS Bioenergia aconteceu em fevereiro, com a emissão de R$ 210 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Embora não esteja vinculada a metas, a emissão recebeu um parecer socioambiental positivo da Sitawi, que fornece pareceres sobre finanças sustentáveis.

Além disso, em junho, a FS concluiu a emissão de R$ 138,5 milhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). A operação foi coordenada pelo banco Credit Suisse e envolve taxas vinculadas ao alcance das mesmas metas apresentadas ao Santander. Neste caso, se a companhia atingir todas as metas, a sobretaxa pode ser reduzida em 0,21%.

Em conjunto com o financiamento de R$ 180 milhões obtido com o Santander, as três operações somam R$ 528,5 milhões.

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Com informações do Valor Econômico