Superintendente do banco afirma que, mesmo em um setor heterogêneo, as usinas se beneficiaram de bons preços

NovaCana 16 ago 2022 - 09:32

É inegável que as sucroenergéticas estão mais capitalizadas hoje do que há alguns anos. Isso foi possível devido ao aumento no preço dos produtos, mas também por conta de outros movimentos, que vão desde novas possibilidades de captação de recursos – como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), as debêntures e os Fundos de Investimentos em Cadeias Agroindustriais (Fiagros) – até a entrada de mais empresas na bolsa de valores.

A safra 2021/22, em especial, favoreceu esse cenário, garantindo uma boa margem de lucro para as companhias. Ao mesmo tempo, canaviais danificados por intempéries climáticas, a grande heterogeneidade entre as empresas de açúcar e etanol e o próprio caráter cíclico do setor demandam cautela.

Para falar um pouco mais deste cenário e sobre as novas possibilidades financeiras das sucroenergéticas, o superintendente da área de indústria, serviços e comércio exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcos Rossi, estará presente na Conferência NovaCana 2022, que acontece em São Paulo (SP) nos dias 19 e 20 de setembro.

Ele será um dos palestrantes do painel “A nova realidade das sucroenergéticas”, ao lado do analista de ações do BTG Pactual, Thiago Duarte, e do gerente de agronegócios do Itaú BBA, Guilherme Bellotti.

Marcos Rossi é engenheiro mecânico pela PUC-MG. Ao longo de mais de 19 anos no BNDES, exerceu atividades na área de crédito e de estruturação de projetos em renda fixa. Já foi gerente dos departamentos que lidam com o complexo automotivo e do agronegócio, sendo chefe de departamento neste último.

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A programação completa da Conferência NovaCana 2022 já está disponível. Clique aqui para se inscrever.

Rossi conversou com o NovaCana sobre o tema que será abordado na conferência, com destaque para a capitalização do setor. A seguir, confira a entrevista completa.

Como você vê hoje o perfil financeiro das sucroenergéticas?
O setor é bem heterogêneo. Os bons preços praticados tanto para o etanol quanto para o açúcar, principalmente nos últimos dois anos, associado à mudança da taxa de câmbio médio, tornaram as exportações de açúcar mais favoráveis. A elevação do patamar dos preços do petróleo permitiram ao mercado elevar também os preços do etanol, produzindo impacto positivo para as empresas do setor.

Então, você acredita que o setor está mais capitalizado?
Alguns grupos estão capitalizados devido não só à elevação da receita de vendas do açúcar, mas também a captações bem-sucedidas na bolsa de valores e em instrumentos financeiros popularizados há relativamente pouco tempo, como os CRAs, as debêntures e os Fiagros. De uma forma geral, nos últimos anos, houve uma melhora no perfil financeiro das usinas em função dos bons resultados obtidos pelas empresas pela elevação dos preços, tanto do açúcar quanto do etanol, fazendo com que, na média, o setor se encontre mais capitalizado.

O ciclo passado foi de alta nos preços, mas há a possibilidade de que os custos apertem a margem de lucro das usinas. Como elas podem se preparar para o futuro, especialmente considerando um setor de comportamento cíclico?
O cenário atual envolve um alto nível de incertezas. Além da oscilação cíclica dos preços do etanol e do açúcar, fatores extraordinários, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o recente aumento do custo de vida e a mudança na tributação dos combustíveis, aumentam os desafios a serem enfrentados pelo setor. Mas, apesar dessas incertezas, acreditamos que as usinas devam continuar a investir, tanto na melhoria de sua produtividade agrícola, auxiliada pelas novas variedades de cana e pelas novas tecnologias proporcionadas pela internet das coisas, quanto na sua eficiência energética e socioambiental, ampliando a capacidade de cogeração de energia e aproveitamento dos resíduos, como o biogás e o biometano. Investimentos que reduzam os custos de produção, como novas variedades de cana, e que gerem novas fontes de receita, são importantes para aumentar a resiliência das usinas, sendo oportuno fazê-lo neste momento de maior capitalização.

No ano passado, o setor voltou à bolsa de valores, com a entrada da Jalles Machado e da Raízen. Como você vê esse movimento? Outras usinas devem fazer IPO em breve ou este não é o momento certo?
A abertura de novas fontes de captação de recursos pelas empresas é positiva, e a realização de IPOs é a concretização da abertura deste novo canal. Considerando que a oferta pública inicial depende de outros fatores além do econômico e de mercado, como ações de governança, o momento da entrada na bolsa de valores é uma decisão muito particular de cada empresa.

“A existência de outras fontes de financiamento para as empresas do setor é algo positivo, pois amplia seu leque de opções”, Marcos Rossi (BNDES)

O BNDES tem uma linha de financiamento voltada diretamente para o RenovaBio, que inclusive dobrou a oferta recentemente para R$ 2 bilhões. Como está a procura por essa linha? As usinas estão preparadas para atender às exigências?
O programa BNDES RenovaBio foi criado com o intuito de incentivar a certificação da produção de biocombustíveis, no âmbito da política pública RenovaBio, e a melhoria da eficiência energética dos produtores, estimulando assim menores emissões de carbono. Desde seu lançamento, em janeiro de 2021, já foram contratados pelo programa quase R$ 800 milhões em financiamentos, em nove operações, todas de etanol de cana-de-açúcar, e foram desembolsados R$ 632 milhões. No momento, estamos com outras operações em análise, que entraram na carteira do BNDES após o citado aumento na dotação do programa.


Estas e outras discussões sobre a atual situação financeira do setor sucroenergético acontecerão durante a Conferência NovaCana 2022. A programação completa está disponível no site do evento.


Giully Regina – NovaCana{/viewonly}


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