O lucro líquido da Cosan, conglomerado brasileiro de energia e logística, caiu 91,2% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado, ainda sentindo reflexos dos protestos dos caminhoneiros e também impactado pela volatilidade cambial.
A companhia lucrou R$ 43,9 milhões entre julho e setembro, contra R$ 499,7 milhões em igual momento de 2017. O resultado, contudo, foi melhor frente o prejuízo líquido de R$ 64,3 milhões observado no segundo trimestre deste ano.
“Tivemos um trimestre com bastante adversidade, por causa dos efeitos remanescentes da greve dos caminhoneiros”, afirmou o gerente-executivo de Relações com Investidores da Cosan, Phillipe Casale.
Para exemplificar essas “adversidades”, ele citou a “incerteza” inicial envolvendo a subvenção ao diesel e a própria oscilação do dólar ante o real por causa das eleições. Para o trimestre vigente, a tendência é que esses problemas não se repitam.
“O mercado já se acomodou. O próprio terceiro trimestre já foi mostrando uma melhora”, disse.
A geração de caixa da Cosan medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda ajustado) diminuiu 25,4%, para R$ 1,2 bilhão, no terceiro trimestre.
A receita líquida foi 19,3% maior no período, totalizando R$ 15,4 bilhões, enquanto a alavancagem fechou o trimestre em 2 vezes, ante 2,1 vezes um ano antes.
Na Raízen Energia, maior grupo sucroenergético do mundo e também joint venture da Cosan com a Shell, o prejuízo líquido foi de R$ 107,2 milhões no segundo trimestre da safra 2018/19. No mesmo período da safra passada, a companhia teve lucro líquido de R$ 390,8 milhões.
Por sua vez, o Ebitda ajustado caiu 54% no trimestre, para R$ 641 milhões, diante do carrego de estoques para comercialização futura.
“A estratégia da Raízen Energia é carregar estoques e concentrar as vendas nos dois últimos trimestres da safra”, comentou Casale, lembrando que o calendário seguido pela companhia sucroenergética vai de abril de um ano a março de outro.
As usinas da Raízen Energia processaram 24,3 milhões de toneladas de cana no trimestre encerrado em setembro, 14% menos na comparação anual em razão de mais dias de chuvas, que atrapalham a colheita.
Apesar disso, houve crescimento na receita líquida, que alcançou R$ 5,452 bilhões no trimestre, ante R$ 3,840 bilhões um ano antes. De acordo com reportagem do Valor Econômico, essa variação é resultado de eventos não recorrentes, como a consolidação dos resultados da WX, trading de energia elétrica formada pela companhia e que começou a operar em agosto. O crescimento da receita também refletiu operações de trading de derivados.
A empresa maximizou a produção de etanol, para níveis recordes, destinando 51% da matéria-prima para a fabricação do biocombustível, ante 43% um ano antes. A receita especificamente com açúcar caiu 49% na comparação anual, indo para R$ 985 milhões. Já a receita com etanol cresceu 19%, para R$ 2,1 bilhões.
Em relação à fixação de vendas futuras de açúcar, Casale disse que a Raízen Energia está bem posicionada.
“Avançamos bem. Estamos com praticamente 100% da safra atual protegida, a um preço médio de R$ 0,50 por libra-peso. E para a próxima temporada, mais ou menos 50%, com o preço mais acima”, comentou ele.
Por sua vez, a Raízen Combustíveis, joint venture da Cosan com a Shell para distribuição de combustíveis, registrou Ebitda ajustado de R$ 683 milhões no terceiro trimestre, queda de 24% na comparação anual, sentindo não só o rescaldo da greve dos caminhoneiros, como também uma demanda mais fraca de ciclo Otto.
Embora o volume de vendas tenha crescido 1,5%, puxado por diesel e combustível de aviação, o total negociado de produtos do ciclo Otto (gasolina e etanol) recuou 3%.
Por fim, a Comgás teve Ebitda normalizado de R$ 546 milhões no trimestre (+14%) e a Moove, de lubrificantes, Ebitda 34% maior, a R$ 60 milhões.
José Roberto Gomes
Com informações adicionais do Valor Econômico e edição novaCana.com