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Financeiro

Futuro dos investimentos no setor sucroenergético envolve Fiagro e ESG

Especialistas apontam quais os possíveis caminhos para as usinas de açúcar e etanol


NovaCana - 24 mar 2022 - 09:00

O setor de investimentos tem ganhado cada vez mais força no Brasil. Existem novas possibilidades que facilitaram a entrada no mercado, tanto para pessoas físicas quanto para as jurídicas. Neste contexto, a captação de recursos também ficou mais fácil para alguns segmentos da economia nacional, como o agronegócio – o que inclui o setor sucroenergético.

Uma destas possibilidades está nos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas da Agroindústria (Fiagros), também conhecidos como Fundos do Agronegócio. O assunto foi abordado durante o evento Abertura de Safra, realizado pela consultoria Datagro.

O sócio e diretor de investimentos da Vectis, Laércio Boaventura, explica que o Fiagro ainda é um processo recém regulamentado, que teve as primeiras captações no final de 2021. Ainda assim, é uma opção preparada para ajudar o setor a entrar no mercado de capitais de uma maneira “mais consciente, preparada e eficiente”.

Também de acordo com o diretor, o Fiagro é atualmente capaz de financiar: equitys (compra de participação societária da empresa) em sociedades limitadas e companhias fechadas; compra de terras; e certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs). Também é possível colocar uma carteira de CRAs dentro do fundo imobiliário.

O diretor da Datagro, Guilherme Nastari, corrobora com essa ideia, apontando que o mercado de capitais traz para o agronegócio uma opção factível, que ajuda a compreender a própria sazonalidade do setor.

No texto completo, exclusivo para assinantes, você confere mais detalhes sobre o futuro dos financiamentos de longo prazo para o setor, assim como uma análise sobre as questões ESG (ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês) sob a ótica de gestão de risco dentro das empresas.

{viewonly=registered,special}O setor de investimentos tem ganhado cada vez mais força no Brasil. Existem novas possibilidades que facilitaram a entrada no mercado, tanto para pessoas físicas quanto para as jurídicas. Neste contexto, a captação de recursos também ficou mais fácil para alguns segmentos da economia nacional, como o agronegócio – o que inclui o setor sucroenergético.

Uma destas possibilidades está nos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas da Agroindústria (Fiagros), também conhecidos como Fundos do Agronegócio. O assunto foi abordado durante o evento Abertura de Safra, realizado pela consultoria Datagro.

De forma resumida, o Fiagro tem como propósito aproximar todo o agronegócio do mercado de capitais e novos investidores. O fundo faz uma captação com os investidores para realizar empréstimos para companhias do setor e, desta forma, atua com o mesmo arcabouço de outros fundos já existentes.

O sócio e diretor de investimentos da Vectis, Laércio Boaventura, explica que o Fiagro ainda é um processo recém regulamentado, que teve as primeiras captações no final de 2021. Ainda assim, é uma opção preparada para ajudar o setor a entrar no mercado de capitais de uma maneira “mais consciente, preparada e eficiente”.

Ele completa que, apesar de ter aproveitado legislações um pouco menos flexíveis, o Fiagro ainda será aperfeiçoado. “O importante neste primeiro momento foi ter o nascimento do produto, agora começamos a trabalhar no seu aprimoramento”, disse.

De acordo com Boaventura, o Fiagro é atualmente capaz de financiar: equitys (compra de participação societária da empresa) em sociedades limitadas e companhias fechadas; compra de terras; e certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs). Também é possível colocar uma carteira de CRAs dentro do fundo imobiliário.

O diretor da Datagro, Guilherme Nastari, corrobora com essa ideia, apontando que o mercado de capitais traz para o agronegócio uma opção factível, que ajuda a compreender a própria sazonalidade do setor.

Atualmente, existem 20 Fiagros registrados na bolsa de valores brasileira B3. Destes, 12 já foram emitidos e oito estão em processo de captação, somando mais de R$ 4 bilhões desde o final do ano passado até agora. Os prazos começam em dois anos e chegam a ir acima de seis, mas a expectativa é que sejam alongados conforme as captações comecem a crescer.

Boaventura ainda explica que Fiagros com vencimentos mais longos serão bastante relevantes para as sucroenergéticas. “Alongando a dívida, você completa a carteira de financiamentos dos bancos, do crédito rural, o que é muito saudável para o setor”.

Ainda assim, ele aponta que o primeiro passo é compreender o que os investidores estão buscando e como as empresas do setor podem se organizar para atrai-los. Um diferencial, por exemplo, é a acessibilidade que esses fundos podem prover, como o baixo valor de investimento inicial e a possibilidade de ativos em diferentes setores do agronegócio. Além disso, eles também buscam benefícios fiscais e uma renda mensal por meio das emissões.

Do lado dos emissores, o diretor da Vectis afirma que é essencial estabelecer uma relação de confiança com os investidores, com agilidade na concessão do crédito. Um dos pontos que ele considera mais favoráveis ao Fiagro é a discussão bilateral que acontece entre o emissor e o gestor. “Os fundos podem ajudar a empresa em um primeiro momento para prepará-las e atingir um nível ainda maior das ofertas”, declara.

ESG e a gestão de risco

Além disso, Boaventura informa que as emissões estão atualmente muito atreladas a metas da agenda ESG (ambiental, social e de governança, na sigla em inglês). Então, é importante que as empresas demonstrem seus resultados e deixem as ações claras aos investidores.

Ele ainda aponta que, em setor cíclico como o sucroenergético, seria preciso manter uma base de confiança, principalmente devido aos fatores exógenos que podem levar a necessidade de novas captações para reestruturações das usinas.

Também durante o evento da Datagro o superintendente do departamento de açúcar e etanol da Marsh Brasil, Luciano Cardoso, falou sobre o ESG na ótica da gestão de risco das empresas. “A transição para uma economia de baixo carbono está criando desafios um pouco diferentes para as empresas”, afirma.

Segundo ele, as companhias precisam identificar, monitorar e expor ao mercado quais são e como serão tratados os riscos relacionados ao ESG. O executivo ainda expõe que muitas empresas são conhecidas por serem poluentes e precisam reinventar o seu modo de operação.

De acordo com material desenvolvido pelo Fórum Global Econômico e apresentado por Cardoso, dos dez principais riscos globais, oito são ligados ao tema ESG. Trata-se de questões ligadas ao clima, aspectos sociais e, também, à governança das empresas.

E isso também é trabalhado com o mercado de capitais: existem bônus atrelados às metas ESG para que as empresas comprovem que estão atingindo seus objetivos. “A sustentabilidade passa a ser um fator de compra decisivo”, aponta.

O superintendente explica que a Marsh desenvolveu uma pesquisa para seus clientes para definir como as organizações percebiam tais riscos e qual trabalho estava sendo desenvolvido para resolver esse tema internamente.

Dentro da amostra, 85% das empresas classificaram o ESG e a questão climática como importantes. Entretanto, 45% dos entrevistados reconheceram que possuem processos ineficazes, ou nenhum, para identificar e implementar as mudanças necessárias com base nesses riscos.

ESG no setor sucroenergético

Cardoso explica que, no caso específico do setor sucroenergético, o ESG está atrelado à cultura das empresas. Afinal, o etanol faz parte da matriz de energia limpa e contribui para uma baixa emissão de carbono nas grandes cidades. A cadeia produtiva também já faz um alto aproveitamento dos resíduos, especialmente com a cogeração e com o desenvolvimento de novos produtos, como o biometano.

Além disso, ele aponta que, na parte social, o setor trabalha com um alto desenvolvimento econômico, trazendo empregos e oportunidades. Ele também cita a existência de projetos sociais e de apoio à comunidade, que recebem auxílios das usinas.

Segundo Cardoso, é essencial trazer “tudo de bom” que já está sendo feito e enxergar possíveis falhas, assim como maneiras para complementar esse trabalho. “Precisamos pensar: como eu posso melhorar, implementar ou, em alguns casos, apenas monitorar o que tem sido feito?”, explica.

Em relação à organização do ESG dentro da empresa, Cardoso informa que é preciso separar investimentos para essas questões, além de acompanhar como está o andamento dessas metas. O executivo recomenda até mesmo a criação de um setor interno para lidar com esse gerenciamento.

“Fica cada vez mais claro que fortes práticas ESG nas empresas levam a uma melhor gestão de riscos”, afirma Cardoso. De acordo com ele, o ESG está em plena expansão e os investidores estão exigindo cada vez mais divulgação e compromisso das empresas para com o tema.

Cardoso ainda ressalta que índices operacionais já estão medindo a longevidade da empresa a partir de objetivos ESG. Ou seja, essas métricas refletem que os investidores estão interessados nas metas e estão apostando em companhias que tenham objetivos claros e bem definidos.

Financiamentos de longo prazo

Também presente no painel, o diretor sênior de investimentos da Proparco, Guilherme Meira, falou sobre a atuação da instituição financeira no setor sucroenergético. A empresa já está há mais de 15 anos no Brasil, e acompanhou o setor sucroenergético em boa parte deste tempo.

“O papel da Proparco no setor agro é oferecer um financiamento com um prazo mais longo, que nem sempre está disponível”, explica. Segundo ele, as operações da instituição começam com um mínimo de cinco anos e podem chegar até 12.

O objetivo destes financiamentos, de uma forma geral, é reestruturar o Capex (despesas de capital, na sigla em inglês) e auxiliar em investimentos de desenvolvimento, alinhados com as práticas ESG. Especificamente para o setor sucroenergético, Meira cita a criação ou expansão de projetos de cogeração como exemplos de investimentos de interesse para a instituição.

Giully Regina – NovaCana


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