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Fiagro tem potencial para sucroenergéticas, mas ainda depende de “maior robustez”

Regulamentação do fundo foi considerada apressada por sócio-diretor da MBAgro

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Ainda que o setor sucroenergético esteja acessando cada vez mais o mercado de capitais de dívida e a bolsa de valores, a representatividade do agronegócio ainda é pequena. O sócio fundador da Vectis, Alexandre Aoude, exemplifica a questão: segundo ele, o agro representa quase 27% do Produto Interno Bruto (PIB), mas apenas 5% das empresas que estão na bolsa de valores são deste setor.

“É lógico que não é uma correlação de um para um, mas mostra o tamanho do potencial de crescimento”, disse durante a 21ª Conferência Datagro, realizada no final de outubro. Ele crê que o Brasil se consolidou como uma potência do agronegócio mundial, tornando-se muito competitivo e eficiente. “Tudo isso a despeito do nosso grande sócio, o governo, atrapalhar bastante”, criticou.

Ele compara o desempenho no mercado de capitais do agronegócio com o do setor imobiliário, que já tem acesso há mais tempo, ainda que seja menos relevante na economia em tamanho e porte. “É um setor que tem uma proporção de acesso de dívida a mercado de capitais muito maior proporcionalmente. É uma tendência que vai mudar e que vai ser revertida. Não cabe ao setor agro ser tão pouco participativo”, completa.

Além disso, analisando as atuais opções de financiamentos existentes, Aoude explica que as emissões de Certificados Recebíveis do Agronegócio (CRA) estão avançando lentamente. “Temos os recursos aprovados do Plano Safra e o PIB agro continua crescendo a uma velocidade muito alta. Então, é muito difícil que esse setor se financie dependendo única e exclusivamente do BNDES e dos bancos”, acredita.

As emissões de debêntures também são pequenas, conforme Aoude, assim como a penetração em modalidades de longo prazo. “Temos que fomentar de uma forma muito responsável que os mercados absorvam mais e mais os CRAs, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e formas de financiar esse setor, não dá para ficar tão tímido com tanto crescimento pela frente”, diz.

Além disso, o sócio fundador da Vectis acredita que é preciso começar a pensar em formas adicionais de financiamento, como a partir das fusões e aquisições (M&As).

Veja na versão restrita para assinantes mais detalhes sobre o Fiagro e críticas dos especialistas em relação à regulação do fundo.

Ainda que o setor sucroenergético esteja acessando cada vez mais o mercado de capitais de dívida e a bolsa de valores, a representatividade do agronegócio ainda é pequena. O sócio fundador da Vectis, Alexandre Aoude, exemplifica a questão: segundo ele, o agro representa quase 27% do Produto Interno Bruto (PIB), mas apenas 5% das empresas que estão na bolsa de valores são deste setor.

“É lógico que não é uma correlação de um para um, mas mostra o tamanho do potencial de crescimento”, disse durante a 21ª Conferência Datagro, realizada no final de outubro. Ele crê que o Brasil se consolidou como uma potência do agronegócio mundial, tornando-se muito competitivo e eficiente. “Tudo isso a despeito do nosso grande sócio, o governo, atrapalhar bastante”, criticou.

Ele compara o desempenho no mercado de capitais do agronegócio com o do setor imobiliário, que já tem acesso há mais tempo, ainda que seja menos relevante na economia em tamanho e porte. “É um setor que tem uma proporção de acesso de dívida a mercado de capitais muito maior proporcionalmente. É uma tendência que vai mudar e que vai ser revertida. Não cabe ao setor agro ser tão pouco participativo”, completa.

Além disso, analisando as atuais opções de financiamentos existentes, Aoude explica que as emissões de Certificados Recebíveis do Agronegócio (CRA) estão avançando lentamente. “Temos os recursos aprovados do Plano Safra e o PIB agro continua crescendo a uma velocidade muito alta. Então, é muito difícil que esse setor se financie dependendo única e exclusivamente do BNDES e dos bancos”, acredita.

As emissões de debêntures também são pequenas, conforme Aoude, assim como a penetração em modalidades de longo prazo. “Temos que fomentar de uma forma muito responsável que os mercados absorvam mais e mais os CRAs, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e formas de financiar esse setor, não dá para ficar tão tímido com tanto crescimento pela frente”, diz.

Além disso, o sócio fundador da Vectis acredita que é preciso começar a pensar em formas adicionais de financiamento, como a partir das fusões e aquisições (M&As).

Fiagro exige profissionalização

Uma das novas formas de tomar crédito disponível para as sucroenergéticas é o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro).

Aoude explica que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou uma primeira forma de fazer o Fiagro que é muito similar ao que foi feito com os fundos imobiliários. “Está sujeito a alterações pela frente, mas já mostrou a pujança do que é isso para o mercado. Já têm 13 ofertas vindo adiante, estamos inclusive fazendo uma”, diz.

Ele considera que o instrumento vai ajudar a fomentar o setor com formas alternativas de financiamento, o que requer uma melhoria de governança, além de considerar que os dados financeiros das companhias passam a ser ainda mais fundamentais. “As empresas são originalmente muito patrimonialistas e isso vai poder mudar com o tempo”, completa.

Para Aoude, é importante entender que o Fiagro começa de uma forma “bastante forte”, mas que cabe tanto às empresas quanto aos gestores terem muita responsabilidade em usar o produto da forma correta. “Não é porque vai ter o mercado de capitais aberto que a gente vai precificar as coisas de forma diferente”, destaca.

Ele ainda diz que “a barra de crédito” do mercado de capitais vai ser “igual” ou “mais dura” e completa: “Não estou querendo destruir o argumento do Fiagro, da importância dele, mas mostrar que tem que ser feito de forma responsável para criar perenidade”.

Ainda em relação ao fundo, o diretor de agronegócios do Itaú BBA, Pedro Fernandes, pontua que os investidores não serão bancos com muitos anos de experiência ou bancos de fomento com visão de 10 a 20 anos adiante.

“Todos que são empresários já tiveram melhores ou piores parceiros bancários e com o Fiagro vai ser a mesma coisa. É preciso aprender a separar quem vai estar presentes no longo prazo e quem eventualmente, na primeira intempérie, já vai apresentar uma conta alta”, relata.

Fernandes ainda destaca a relevância de considerar que o agronegócio é um setor cíclico. “Vamos aprender ao longo do tempo, assim como se aprendeu no [setor] de fundos imobiliários, o desenvolvimento e a importância das relações de longo prazo. Quando estamos em um setor cíclico, as coisas nem sempre saem conforme o planejado: elas vão sair ou muito melhor ou muito pior”, completa.

A preocupação de Fernandes é que os investidores podem não ter todo o conhecimento sobre o agro e vão confiar em um gestor, assumindo que ele conheça o assunto. “Mas isto não é necessariamente verdade, dado que é uma indústria que começa a surgir. A gente já viu isso nos fundos imobiliários, que tiveram uma primeira safra de gente que fez produtos fantásticos, mas também teve quem ficou pelo caminho”, exemplifica.

Aoude concorda com Fernandes e vê a importância de fazer o produto certo e com o parceiro certo. “Vários dos fundos listados na bolsa têm uma marcação clara e eles têm uma variação em relação a qualquer fundo de curto prazo que, por não terem resgate, são perpétuos”, diz. Ele completa que isso dá a oportunidade de selecionar os parceiros corretos e estabelecer uma relação de longo prazo.

“Tem a questão do clima, que é uma variável que ninguém controla e que às vezes pode ir contra [o negócio]. É um setor que toma risco e tem muito risco, então, cabe responsabilidade aos gestores. Porém também acho que existe espaço para todo mundo, o Brasil teve uma consolidação bancária gigantesca”, expressa.

Críticas ao Fiagro

Apesar dos pontos positivos do Fiagro e de seu potencial, o sócio-diretor da MBAgro, Alexandre Figliolino, questionou o que é preciso para gerar maior robustez aos papéis, fazendo críticas a sua regulação.

“Tivemos uma história até agora muito bonita do CRA; está invicto, não tenho notícia de um default de CRA. As instituições que se lançaram tinham uma preocupação muito grande com a imagem e de não ‘matar um mercado no ninho’, pois surgiu com grande desconfiança por parte de investidor”, relembra.

Para ele, o Fiagro foi “tratorado” pela CVM. “A regulamentação e a construção da governança dentro do Fiagro estão muito pobres para que haja uma segurança maior para o investidor que não conhece, para que ele saiba que está comprando algo que pode confiar”, critica.

Ele completa que, ainda que nenhuma tomada de crédito seja livre de riscos, é preciso uma estruturação mínima para levar produtos de qualidade para o mercado.

Para Fernandes, uma eventual demora da CVM não permite que o Fiagro “viva na sua totalidade”. Ele completa que ainda não é possível fazer Cédula do Produto Rural (CPR) junto ao fundo, título que foi remodelado no ano passado. “É um título que vai ser o carro-chefe, para alimentar os Fiagros e os CRAs”, complementa.

Ainda assim, ele considera que a primeira fase do programa ficará focada em empresas maiores e de maior nível de governança. “Vindo uma regulação, haverá a democratização de acesso ao crédito, que é o que está por trás dessa lei”, projeta.

Para Aoude, a entidade está assoberbada com um diversas demandas vinculadas ao mercado de capitais, “colocando as coisas muito importantes fora da fila adequada”. Mesmo assim, ele acredita que é melhor ter alguma regulação para dar início ao programa na prática do que “esperar o perfeito”.

“Eu acho que a regulação tem que mudar. A questão da CPR é importantíssima e acho que a CVM realmente está fazendo um trabalho aquém [do esperado] porque ela está sobrecarregada”, defende.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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