Centro de Tecnologia Canavieira reforça apostas em variedades transgênicas, mas não acredita no etanol celulósico para o curto prazo. Empresas parceiras representam a maior parte da fonte de renda
A safra 2017/18 trouxe bons resultados para o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Além da aprovação para uso comercial da primeira variedade de cana transgênica do mundo, a companhia conquistou gerou um lucro de R$ 14,31 milhões – crescimento de 14,2% em relação aos R$ 12,53 milhões vistos em 2016/17.
Seguindo essa sequência de bons resultados, a companhia pretende apresentar duas variedades de cana transgênica para uso comercial em 2018/19. De acordo com o mais recente balanço financeiro, divulgado na última quarta-feira (20), a cana será resistente a insetos, com maior produtividade e demandando menor uso de inseticidas, gerando também economia pela menor necessidade de mão de obra, maquinário, combustível e água.
Por enquanto, boa parte da receita do CTC é derivada de contratos feitos com empresas parceiras, especialmente acionistas minoritárias. Assim, por mais que o controle do Centro seja dividido entre Raízen, Copersucar, São Martinho, Guarani (Tereos), Bunge e Usina Coruripe, foi a Biosev quem representou a maior parte da receita em 2017/18.
Mas, por mais que comemore seus resultados com a cana transgênica, o CTC admite que pode perder dinheiro com seu projeto de etanol de segunda geração (E2G), iniciado em 2006.
Leia mais:
- Desempenho operacional do CTC
- Planos para o projeto de etanol celulósico
- Lucro bruto da companhia e a relação entre receitas e custos
- Formação da receita por companhia parceira – incluindo valores e comparativo com 2017
- Perfil da dívida, juros e vencimentos
A safra 2017/18 trouxe bons resultados para o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Além da aprovação para uso comercial da primeira variedade de cana transgênica do mundo, a companhia gerou um lucro de R$ 14,31 milhões – crescimento de 14,2% em relação aos R$ 12,53 milhões vistos em 2016/17.

Seguindo essa sequência de bons resultados, a companhia pretende apresentar duas variedades de cana transgênica para uso comercial em 2018/19. De acordo com o mais recente balanço financeiro, divulgado na última quarta-feira (20), a cana será resistente a insetos, com maior produtividade e demandando menor uso de inseticidas, gerando também economia pela menor necessidade de mão de obra, maquinário, combustível e água.
“No futuro, essa característica virá associada à tolerância a herbicidas, expandindo os ganhos ambientais, econômicos e a simplicidade de manejo da operação”, afirma o CTC. A empresa, entretanto, faz uma ressalva: “As plantas geneticamente modificadas estão sujeitas a aprovação pela CTNBio no Brasil, e os produtos com ela produzidos, sujeitos a processos de desregulamentação nos países para onde são exportados”.
Além disso, o CTC também já anunciou uma subsidiária nos Estados Unidos, que terá investimento de R$ 20 milhões. “O local escolhido foi Saint Louis, no estado norte-americano do Missouri”, relata.
Desempenho operacional
Um dos principais responsáveis pelo crescimento do lucro do CTC foi a estabilização dos custos – que englobam os serviços prestados e os valores empregados para pesquisa e desenvolvimento. Na última safra, eles tiveram um crescimento de 1,1%, passando de R$ 79,68 milhões para R$ 80,54 milhões.
Por sua vez, a receita do CTC teve um crescimento de 8,7% na última safra, de R$ 132,79 milhões em 2017/18 para R$ 144,32 milhões em 2018/19. Segundo a companhia, esse valor é referente tanto à venda de bens e serviços quanto aos royalties recebidos.

“As receitas de royaties reconhecidas pela companhia se referem a variedades de cana-de-açúcar desenvolvidas antes da transformação em sociedade anônima”, afirma o relatório do CTC. Ou seja, são variedades lançadas até 2010. “A transformação do CTC em uma sociedade anônima, em 2011, visou atrair mais recursos tecnológicos e financeiros às pesquisas do setor”.
Dessa forma, a relação entre custos e receita passou de 60% para 55,8%, um resultado vantajoso para a companhia. Consequentemente, o lucro bruto da companhia aumentou em mais de R$ 10 milhões – de R$ 53,12 milhões para R$ 63,78 milhões.

Boa parte da receita do CTC é derivada de contratos feitos com empresas parceiras, especialmente acionistas minoritárias. Assim, por mais que o controle do Centro seja dividido entre Raízen, Copersucar, São Martinho, Guarani (Tereos), Bunge e Usina Coruripe, foi a Biosev quem representou a maior parte da receita em 2017/18, com R$ 12,21 milhões – um crescimento anual de 52,9%.
Outras companhias que também se destacaram na formação das receitas do CTC em 2017/18 são: São Martinho (R$ 11,65 mi), Raízen (R$ 9,03 mi), Bunge (R$ 7,95 mi), Pedra Agroindustrial (R$ 6,77 mi), Jalles Machado (R$ 4,80 mi), Tereos (R$ 4,55 mi), Ipiranga (R$ 4,44 mi), Santa Terezinha (R$ 3,99 mi) e Usina Coruripe (R$ 3,91 mi).

Etanol celulósico
Embora comemore seus resultados com a cana transgênica, o CTC admite que pode perder dinheiro com seu projeto de etanol de segunda geração (E2G) iniciado em 2006. A princípio, a expectativa é que o processo desenvolvido possa começar a ser comercializado entre três a cinco anos.
“Essa tecnologia deverá permitir aumentar em 50% o volume de etanol produzido a partir do mesmo volume de cana”, relata a companhia, que detalha: “Um dos diferenciais do processo sendo desenvolvido pelo CTC reside no fato de permitir integração com os processos e equipamentos hoje existentes nas usinas, visando à otimização dos custos de instalação e operação”.
No entanto, o CTC já reserva uma provisão por conta da perda do valor recuperável de seu projeto de E2G. “A administração julga que o risco do projeto vem aumentando devido ao custo de produção do etanol e a situação financeira do setor, o que prejudica a aquisição de plantas industriais”, justifica.
De acordo com a companhia, o valor contábil de custos com desenvolvimento até 31 de março de 2018 é de R$ 51,67 milhões. Entretanto, a partir de cálculos realizados pelo CTC, o valor recuperável estimado é menor que o contábil. Por isso, a empresa considerou necessário manter uma reserva de R$ 17,47 milhões – ante os R$ 14,98 milhões de 2016/17.
“Apesar dos riscos, a administração considera possível que o produto tenha mercado dentro de um prazo de quatro anos”, complementa.
Perfil da dívida
Além dos bons resultados operacionais, o CTC ainda registrou um endividamento menor do que o visto nas duas temporadas anteriores. Em 31 de março de 2018, o total dos débitos com empréstimos e financiamentos era de R$ 191,02 milhões, ante R$ 228,24 milhões em 31 de março de 2017 (-16,3%).

Desse montante, R$ 46,29 milhões estão comprometidos com vencimentos em até 12 meses, enquanto os R$ 144,73 milhões restantes devem ser liquidados no longo prazo.
Além disso, considerando o total da dívida, a maior parte – equivalente a um saldo devedor de R$ 148,54 milhões – é referente a um contrato com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia e inovação. Neste caso, o CTC está sujeito a encargos de 4% ao ano, com vencimento em 2022.
O Centro também tem três empréstimos firmados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O maior deles, com saldo devedor de R$ 33,52 milhões, tem juros de 3,5% ao ano e vencimentos até 2022. Os demais somavam R$ 8,66 milhões e R$ 394 mil em 31 de março, com encargos calculados por taxa de juros de longo prazo (TJLP) e a 3,6% ao ano, respectivamente.
Renata Bossle – NovaCana