Financeiro

Credores solicitam falência da Virgolino de Oliveira pela terceira vez em 15 meses

Após notificada, sucroenergética terá o prazo de dez dias para se pronunciar na justiça


NovaCana - 07 abr 2021 - 14:21 - Última atualização em: 19 abr 2021 - 08:06

Errata (15/04, às 16h): Ao contrário do divulgado anteriormente, a contagem do prazo para pagamento da dívida ou recurso se inicia a partir do momento em que a empresa é notificada e não a partir da publicação da decisão do juiz, conforme noticiado inicialmente. O texto abaixo foi alterado.

As dificuldades financeiras e dívidas vêm marcando a trajetória do grupo Virgolino de Oliveira (GVO) nos últimos anos. De janeiro de 2020 para cá, esta situação foi evidenciada por três pedidos de falência diferentes solicitados na justiça.

O mais recente foi requerido pela ACP I Trading LLC e pela Pathfinder Strategic Credit II LLC no foro de Santa Adélia, em São Paulo, no último dia 23.

Conforme informado na página do Tribunal de Justiça de São Paulo, a solicitação de falência envolve a companhia Virgolino de Oliveira S.A. Açúcar e Álcool e o valor da ação é de R$ 32,22 milhões. A decisão deve caber ao juiz Felipe Ferreira Pimenta.

No dia 29 de março, uma movimentação do processo indicou que, após notificada, a empresa terá dez dias para apresentar alguma contestação e, neste prazo, depositar o valor correspondente ao total devido acrescido de correção monetária, juros e honorários advocatícios; caso contrário, a falência será decretada.

Os advogados dos solicitantes são Alfredo Zucca Neto e Bruno Delgado Chiaradia do escritório ASBZ Advogados. O NovaCana entrou em contato com ambos, porém eles não se manifestaram até o fechamento da reportagem.

O diretor presidente do grupo GVO, Joamir Alves, também foi contatado; ele afirmou que não comenta processos em andamento.

Em janeiro do ano passado, o Banco Fibra havia feito um pedido de falência com o valor da ação estipulado em R$ 2,53 milhões. Posteriormente, o processo foi extinguido pela desistência do próprio autor.

Já em 8 de setembro, outro pedido de falência foi requerido por Maria Vilma Volpe Cassiolatto à Agropecuária Nossa Senhora do Carmo, empresa da qual a Virgolino de Oliveira é subsidiária. O mesmo prazo de dez dias foi dado para a contestação. Neste caso, uma atualização no processo informou que “as partes se compuseram amigavelmente, inclusive com a quitação do débito”, de modo que a ação foi extinguida.

Esta sequência de pedidos ocorreu após a companhia aprovar e anunciar, em maio de 2019, um plano extrajudicial – ou seja, feito sem a necessidade de intervenção da justiça – para renegociar US$ 760 milhões em dívidas.

Conforme noticiado pela Agência Estado, o acordo foi feito previamente com um grupo relevante de credores e considerava a reestruturação do passivo em dez anos, com carência de três.

Apesar do alto montante negociado, ele não representava a totalidade das dívidas da companhia com títulos e acordos de exportação, que até então somavam US$ 835 milhões. Entre as garantias estavam a alienação fiduciária das ações da companhia no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a hipoteca da usina Monções.

Além disso, em junho do ano passado, detentores de bônus internacionais da GVO pediram a aceleração no pagamento de US$ 750 milhões em dívidas, tentando forçar a companhia a pedir recuperação judicial, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
Com reportagem adicional de Renata Bossle

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