A compra da usina Santa Vitória, anunciada pela Jalles Machado na última quinta-feira, 5, veio após 15 meses de espera. A aquisição de uma unidade era um dos principais objetivos da oferta inicial de ações (IPO) realizada pela sucroenergética em fevereiro do ano passado. A princípio, o plano era concluir o processo até março deste ano, a tempo da safra 2022/23 – mas a companhia constantemente frisava que a questão estava sendo levada com “parcimônia e responsabilidade”.
O cumprimento da promessa repercutiu no mercado. Em relatório divulgado na quinta-feira, 5, o BTG Pactual afirmou que se trata de um movimento “promissor e desafiador”. De acordo com os analistas do banco, embora tenha capacidade para moer até 2,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, a Santa Vitória deve processar somente 2 milhões de toneladas nesta temporada.
“Embora seja uma usina de última geração, a produtividade agrícola esperada é de apenas 53 toneladas de cana por hectare (abaixo da média do setor, de 68 t/ha e bem abaixo da média da Jalles, de 93 t/ha), mesmo tendo 40% da área irrigada”, observam os analistas, que completam: “Isso significa que há um trabalho a ser feito antes de renovar os canaviais e utilizar a capacidade de moagem de acordo”.
Ainda assim, o BTG Pactual observou que a aquisição de uma usina fora de Goiás, onde estão localizadas as outras duas unidades do grupo, atende ao plano original divulgado no IPO da Jalles Machado, colocando à prova a capacidade de expansão agrícola e industrial da sucroenergética.
“Sempre fomos céticos quanto à capacidade das empresas sucroenergéticas de criar valor por meio de fusões e aquisições. Os desafios associados à administração de fazendas de cana-de-açúcar em áreas que não possuem sinergia com as já existentes geralmente não levam a economias de escala e adicionam mais complexidade ao negócio”, afirmam os analistas, que ponderam: “Entretanto, o cenário do setor parece encorajador o suficiente para permitir que empresas bem administradas como a Jalles assumam o risco de alocar capital para expandir os negócios sem comprometer os retornos”.
Leia mais no texto completo:
- Valor da usina em dólares por tonelada
- Potencial do negócio
- Detalhes financeiros da transação
- Histórico da Santa Vitória
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