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Bradesco lidera oposição de bancos e trava recuperação judicial da Renuka


Money Times - 03 dez 2019 - 09:19

Um dos dez maiores grupos sucroalcooleiros do Brasil, a Renuka, controlada pelo grupo indiano homônimo, enfrenta a resistência dos bancos e não conseguiu, mais uma vez, realizar sua assembleia geral de credores, marcada para esta sexta-feira (29).

Fontes familiarizadas com as negociações envolvendo os ativos da Madhu e da Revati, respectivamente em Matão (SP) e Brejo Alegre (SP), disseram ao Money Times que o Bradesco seria, entre os agentes financeiros, a instituição que está mais descontente com as propostas do Grupo Renuka.

O pedido de recuperação judicial da Renuka está prestes a completar cinco anos e as perspectivas são de que os fornecedores de cana e outros credores das usinas saiam de 2019 sem novidades. Se não for novamente adiada – há quase um ano várias assembleias vinham sendo postergadas – a próxima reunião será no dia 21 de janeiro.

A dívida total corrigida do Renuka está perto dos R$ 4 bilhões e os associados da Norplan e outros antigos fornecedores de cana somam um crédito de R$ 30 a R$ 40 milhões.

O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana do Noroeste Paulista (Norplan), Nelson Peres, não confirma a informação quanto ao Bradesco. Porém, ao ser informado do novo adiamento, lamentou: “Tanto tempo e ainda tem muitos fornecedores que não conseguiram se recuperar do calote”.

O advogado Andre Moreno, do escritório Bisson, Bortoloti, Moreno e Occaso, representa mais de 100 plantadores de cana – que somam mais de R$ 30 milhões a receber – e também preferiu se referir apenas à falta de “consenso com os credores financeiros”.

A unidade Revati, com capacidade de moagem de 3 milhões de toneladas por safra, está totalmente parada há duas safras. A Madhu, com disponibilidade de moer 6 milhões de toneladas, operou nas duas últimas temporadas, ainda que abaixo de sua capacidade. “E o grupo pagou os fornecedores direitinho”, afirma Peres.

Para ele, o pagamento era sinal de que, ao menos desta vez, havia interesse da companhia indiana em dar um ponto final nessa história.

Antes da assembleia adiada havia a expectativa de que haveria um acordo com os credores. Já se cogitou, no começo deste ano, um pedido para que a Justiça decrete a falência do Renuka, pois eles acreditam que, assim, poderia ser mais fácil recuperar parte do dinheiro devido.

Giovanni Lorenzon