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Compra de usina tem “impacto administrável” para Jalles Machado, afirma Fitch Ratings

Segundo agência de classificação de risco, nova unidade traz diversificação geográfica e maior resiliência ao fluxo de caixa da sucroenergética

NovaCana 8 min de leitura

A aquisição da usina Santa Vitória pela Jalles Machado, anunciada em 4 de abril, é “neutra” para a classificação da companhia, segundo comentário da Fich Ratings assinado pelos diretores Cláudio Miori e Flávio Fujihira. De acordo com o texto, a nota da sucroenergética deve ser atualizada quando mais informações sobre a compra estiverem disponíveis – atualmente, a Jalles Machado possui classificação AA- em escala nacional e perspectiva estável.

“Com impacto administrável nas métricas de crédito da Jalles Machado, a aquisição do ativo traz benefícios ao seu modelo de negócios, que são parcialmente compensados pela perspectiva de maior custo caixa e investimentos agrícolas em expansão e aumento de produtividade necessários na Santa Vitória”, afirma.

Como a usina localizada em Santa Vitória (MG) tem capacidade de moagem de 2,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, a Jalles Machado ampliará seu potencial em 46%, indo de 5,8 milhões de toneladas para 8,5 milhões de toneladas. Segundo a Fitch, a unidade permite uma diversificação geográfica para a sucroenergética.

“O acesso a água em abundância e a infraestrutura existente para que as técnicas de irrigação em larga escala utilizadas na Jalles Machado sejam replicadas na Santa Vitória também beneficiam o seu modelo de negócios”, afirma o documento, que segue: “A utilização de 100% de cana própria deverá ser replicada na usina adquirida, e a baixa competição de terras por outras culturas permitirá manter o custo de arrendamento em patamares competitivos e similares àqueles reportados pela Jalles Machado, em cerca de 12 toneladas por hectare”.

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, saiba como a Fitch Ratings percebe os ativos de cogeração, a ausência de produção de açúcar, a produtividade dos canaviais e o impacto dos investimentos a serem realizados na unidade. Além disso, leia um resumo da negociação e do histórico da Santa Vitória.

aquisição da usina Santa Vitória pela Jalles Machado, anunciada em 4 de abril, é “neutra” para a classificação da companhia, segundo comentário da Fich Ratings assinado pelos diretores Cláudio Miori e Flávio Fujihira. De acordo com o texto, a nota da sucroenergética deve ser atualizada quando mais informações sobre a compra estiverem disponíveis – atualmente, a Jalles Machado possui classificação AA- em escala nacional e perspectiva estável.

“Com impacto administrável nas métricas de crédito da Jalles Machado, a aquisição do ativo traz benefícios ao seu modelo de negócios, que são parcialmente compensados pela perspectiva de maior custo caixa e investimentos agrícolas em expansão e aumento de produtividade necessários na Santa Vitória”, afirma.

Como a usina localizada em Santa Vitória (MG) tem capacidade de moagem de 2,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, a Jalles Machado ampliará seu potencial em 46%, indo de 5,8 milhões de toneladas para 8,5 milhões de toneladas. Segundo a Fitch, a unidade permite uma diversificação geográfica para a sucroenergética.

“O acesso a água em abundância e a infraestrutura existente para que as técnicas de irrigação em larga escala utilizadas na Jalles Machado sejam replicadas na Santa Vitória também beneficiam o seu modelo de negócios”, afirma o documento, que segue: “A utilização de 100% de cana própria deverá ser replicada na usina adquirida, e a baixa competição de terras por outras culturas permitirá manter o custo de arrendamento em patamares competitivos e similares àqueles reportados pela Jalles Machado, em cerca de 12 toneladas por hectare”.

A negociação, no valor total de R$ 704,86 milhões, também envolve a termelétrica ERB MG Energias, que possui uma potência instalada de 41,4 MW. Para a Fitch, esta capacidade de cogeração, somada aos preços e prazos de comercialização obtidos em leilão, é positiva para a Jalles Machado, pois “adiciona maior resiliência” ao fluxo de caixa da companhia, reduzindo o impacto da volatilidade dos preços do etanol.

“No entanto, a ausência de fábrica de açúcar por parte da Santa Vitória reduz sua flexibilidade de produção, ainda que justificada pela distância ao porto de Santos (SP), maior canal para escoamento das exportações de açúcar no Brasil”, pondera. Desta forma, a Fitch acredita que a aquisição também aumenta o perfil alcooleiro do grupo e sua exposição aos preços do etanol.

Outro ponto levantado pela Fitch Ratings é que a Jalles Machado ainda terá o desafio de elevar a produtividade dos canaviais da Santa Vitória, que está abaixo da média do Centro-Sul. Conforme números trazidos pela agência de classificação de risco, a usina obteve um rendimento agrícola médio de 61 t/ha em 2021, menor que os 68 t/ha registrados no Centro-Sul na safra 2021/22.

“Ainda que a expectativa seja de moagem de 2 milhões de toneladas pela usina Santa Vitória na safra em curso, a utilização de capacidade instalada é baixa em 74%, com implicações negativas para a diluição de custos fixos da unidade”, complementa.

Anteriormente, o banco de investimentos BTG Pactual já havia chamado a aquisição de um “movimento desafiador”, também ressaltando a baixa produtividade dos canaviais da usina.

Investimentos e impacto financeiro

Segundo a Fitch, a Jalles Machado deve buscar elevar a moagem da Santa Vitória para 2,7 milhões de toneladas de cana por meio expansão de área e plantio, o que dependeria de “investimentos administráveis” nos próximos anos. Ainda assim, a aquisição não deve pressionar os indicadores de crédito da Jalles Machado.

A Fitch projeta a manutenção de uma liquidez classificada como “forte”, com caixa de R$ 1,2 bilhão em 31 de março de 2022 frente ao desembolso à vista de R$ 514 milhões no momento da conclusão da transação, estimado para os próximos noventa dias. O valor de aquisição também inclui R$ 189 milhões em dívidas existentes na unidade de cogeração.

“Em bases pro forma, o caixa resultante pós aquisição se manteria em nível ainda forte de R$ 740 milhões, com índice de cobertura da dívida de curto prazo de 2,5 vezes”, resume o texto. Segundo a agência, a alavancagem líquida, inicialmente prevista em 0,2 vez no período de 12 meses encerrado em março de 2022, iria para um valor próximo a 1 vez, ainda abaixo do gatilho de rebaixamento, de 2,5 vezes.

A Fitch Ratings, entretanto, observa que a conclusão da transação ainda depende da aprovação de credores, da realização de uma assembleia geral de acionistas e da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Detalhes da venda

De acordo com a Jalles Machado, por meio de fato relevante enviado ao mercado, o valor total da aquisição é de R$ 704,86 milhões, sendo R$ 370,06 milhões referentes à usina e R$ 334,8 milhões à planta de cogeração.

No primeiro caso, o preço está sujeito a um ajuste referente à data de fechamento, com base nas demonstrações financeiras auditadas da Santa Vitória, na correção monetária e em eventuais valores desembolsados ou aportados na usina. O contrato também prevê um desconto caso a moagem na safra 2022/23 fique abaixo de 1,9 milhão de toneladas.

Já o valor da planta de cogeração, que também poderá sofrer correções, é dividido entre os R$ 144,87 milhões, que devem ser pagos à vista, e uma dívida bancária de longo prazo de R$ 189,93 milhões. Assim, descontando o débito a ser assumido pela Jalles Machado, o desembolso total previsto é de R$ 514,93 milhões.

Caso a transação seja aprovada, os acionistas que queiram sair da Jalles Machado terão o prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação da ata da assembleia geral, para venderem a totalidade de suas ações. Eles receberão R$ 4,51 por papel, valor calculado com base no patrimônio líquido da empresa em 31 de dezembro de 2021 e no número de total de ações.

Histórico da usina

Conforme informado pela própria Jalles Machado, a Santa Vitória teve algumas reviravoltas em sua história. Em 2006, a unidade foi originalmente planejada pelo grupo Santa Elisa que, em 2008, iniciou uma joint-venture com a norte-americana Dow Chemical.

Dois anos depois, a multinacional adquiriu a totalidade da unidade, que estava sendo projetada para a produção de plásticos verdes derivados de etanol. Em 2011, por sua vez, a japonesa Mitsui se juntou à empreitada, com as obras começando no ano seguinte.

Na sequência, em 2013, a planta de cogeração foi vendida para a ERB, que comercializou energia no leilão A-5 feito em 2015 – as entregas começaram a ser realizadas em 2020 e devem seguir até 2044, a um preço médio de R$ 438,3/MWh. Também em 2015, a unidade começava a operar.

Mesmo com uma moagem de 1,61 milhão de toneladas de cana em 2016, a Mitsui desistiu da operação. No ano seguinte, a Santa Vitória registrou uma moagem de 2,03 milhões de toneladas, um desempenho que nunca foi repetido.

Em seus anos iniciais de operação, a usina registrou uma série de prejuízos, com perdas acumuladas de, aproximadamente, R$ 1,6 bilhão. Em setembro de 2020, a unidade foi comprada pela Geribá e, em 2021, contabilizou seu primeiro resultado positivo.

Renata Bossle – NovaCana

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