O momento perfeito para o lançamento do RenovaBio

A saída dos EUA do acordo de Paris tem um impacto político muito forte. As críticas a posição do presidente Trump estão vindo de todos cantos do mundo. E não é por menos. Sair do acordo de Paris mostra uma obtusidade que ninguém queria acreditar que um presidente dos Estados Unidos poderia ter.

Para o governo brasileiro a declaração de Trump é uma oportunidade única de conseguir notícias positivas em meio ao lamaçal que escorre do governo com as denúncias da Lava Jato.

Para o presidente Michel Temer este é um momento especial para lançar o RenovaBio, um grande projeto de redução das emissões de carbono. Com a apresentação dessa iniciativa, que está sendo desenvolvida desde o ano passado, as repercussões positivas para o presidente seriam internacionais.

O projeto do RenovaBio já está em revisão pela Casa Civil e um evento na próxima semana capitalizaria a comoção da mídia nacional e mundial após o desrespeito às gerações futuras mostrada por Trump.

Em uma cerimônia para toda a imprensa e empresários do setor de biocombustíveis, o presidente Michel Temer reforçaria a posição brasileira sobre o Acordo de Paris. Ele poderia até usar parte da nota que o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Meio Ambiente soltaram. Nesta nota, o governo mostrou que “o Brasil continua comprometido com o esforço global de combate à mudança do clima e com a implementação do Acordo de Paris. O combate à mudança do clima é processo irreversível, inadiável e compatível com o crescimento econômico, em que se vislumbram oportunidades para promover o desenvolvimento sustentável e para novos ganhos em setores de vanguarda tecnológica.”

O presidente poderia seguir dizendo que está lançando um programa que pretende reduzir as emissões de carbono dos combustíveis brasileiros. E mais, que essa redução proporcionada pela bioenergia cria as condições para o país ultrapassar a meta definida durante a COP21, seria assim uma forma de mitigar os impactos da saída dos EUA do acordo. E ainda conclamaria outros países a fazer o mesmo. Mostrando uma compreensão, em linha com a Agência Internacional de Energia, de que estimular os biocombustíveis traz mais ganho econômico.

Temer concluiria dizendo que o Brasil é líder no uso de energias renováveis no mundo e que o uso dessas fontes será ainda maior nas próximas décadas, porque ele e o Brasil se preocupam com as gerações futuras.

Um anúncio nessa linha, se feito logo, tem potencial para repercutir pelo mundo. A decisão do atual presidente dos EUA deve servir como um fator de pressão para que a Casa Civil e o Ministério da Fazenda agilizem sua avaliação do RenovaBio. Se o mesmo anúncio fosse feito no final do mês o destaque seria muito menor.

O Brasil tem a oportunidade de garantir o desenvolvimento de uma iniciativa capaz de trazer crescimento econômico com redução das emissões, ao mesmo tempo que reforça sua posição de destaque no cenário mundial de renováveis.

Miguel Angelo Vedana, diretor executivo do novaCana e BiodieselBR

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