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Política

Novo ministro de Minas e Energia defende redução na mistura de etanol na gasolina

Ex-secretário de política econômica, Adolfo Sachsida também é a favor da importação de biocombustíveis


Jota - 11 mai 2022 - 14:34

Doutor em economia e forte defensor do liberalismo, o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, vai ter que equilibrar esse perfil com as pressões intervencionistas do seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro. Entre os integrantes da equipe econômica da qual fez parte desde a campanha até a última terça-feira, 10, Adolfo Sachsida é certamente o mais próximo do titular do Planalto e vinha já dando sugestões para tentar mitigar o problema das altas de preços dos combustíveis.

Fontes comentam que é da lavra dele ideias como ampliar a importação de biodiesel e de etanol, bem como reduzir a mistura desses produtos no diesel e na gasolina.

No caso deste último combustível, a leitura é de que o etanol está encarecendo o custo final, dado que é menos eficiente em termos energéticos e seu preço está acima dos 70% do valor cobrado na gasolina. Esse tipo de medida corresponde ao estilo de Adolfo Sachsida, que gosta de trabalhar o “lado da oferta”, mas pode comprar briga com um setor também caro a Bolsonaro: o agronegócio.

O ex-secretário de política econômica também se mostrou, nos bastidores da Economia, favorável à ideia de a Petrobras trabalhar na gasolina com preço FOB (do inglês, free on board, que é o valor puro da mercadoria, sem levar em conta os custos envolvidos na importação) em vez da Paridade de Preço de Importação (conhecido como PPI, que inclui os custos envolvidos para trazer o produto de fora para dentro).

Essa proposta, que tornaria mais difícil o mercado importador de combustíveis, é da alçada da secretaria especial de produtividade, competitividade e emprego, e foi encampada tanto pelo ex-titular, Carlos da Costa, como pela atual comandante, Daniela Marques.

O agora ministro de Minas e Energia também não se mostrava muito simpático a ideias como fundo de compensação de preços e subsídios diretos, dado o seu perfil fiscalista. Era um dos maiores defensores da tese de “consolidação fiscal”. Mas ele foi, nos bastidores, favorável à tese do “voucher caminhoneiro”, a ser bancado com dividendos da Petrobras, para ajudar os transportadores a enfrentar a alta dos combustíveis.

A nomeação de Adolfo Sachsida

A queda de Bento Albuquerque mostra como Bolsonaro está irritado com a situação de contínua alta de preços principalmente dos combustíveis, mas também da energia elétrica. Nesse último tema, é difícil saber o que Adolfo Sachsida pode fazer, dada as especificidades do mercado.

Um interlocutor do governo espera uma postura até menos ousada do que a do antecessor, que vinha se mostrando simpático a teses como da antecipação da renovação de concessão de usinas e o pagamento antecipado à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), com diferimento de outorga, para baratear o preço de energia.

É preciso ver como Adolfo Sachsida vai se comportar em um cargo no qual terá a cobrança direta do presidente da República, ao mesmo tempo em que terá que lidar com pressões de mercado, importadores de petróleo, decisões polêmicas da Aneel (como a alta de preços em alguns estados para energia elétrica).

Ontem, o ex-secretário e agora ministro participou de almoço com a Frente Parlamentar do Empreendedorismo para tratar do marco de garantias, projeto que está em tramitação no Congresso e que lhe é muito caro. Não deu pistas de que estava de saída do time de Paulo Guedes, exceto pela pressa com que deixou a reunião após responder perguntas dos parlamentares presentes e uma breve conversa com a imprensa, na qual aproveitou para comemorar os dados do comércio varejista e o fato de o mercado estar se aproximando do governo nas projeções para o PIB.

Fabio Graner

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