Política

Ministério da Economia afirma que auxílio ao setor de etanol não está definido

Representante da pasta afirmou que não há definição de aumento da Cide sobre a gasolina, que beneficiaria o setor


Veja.com - 04 mai 2020 - 08:04

O aumento de imposto sobre a gasolina, medida defendida pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e dada como certa pelo setor sucroenergético para aumentar a competitividade do etanol em relação ao outro combustível, ainda não tem o martelo batido, afirmou nesta sexta-feira (1º), o Ministério da Economia. O pedido dos usineiros é que a Cide seja elevada em até 0,20 centavos.

Em entrevista coletiva, o secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmou que não houve decisão sobre um aumento do imposto sobre a gasolina e que, além da Economia, a medida precisa de aval do Ministério de Minas e Energia. “Em um momento oportuno, o ministro Paulo Guedes e o Ministro Bento Albuquerque farão a análise”. Procurado, o Ministério de Minas e Energia disse que as medidas “permanecem em estudo” pelo governo.

Nesta sexta-feira, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), da Frente Parlamentar Agropecuária, que vinha negociando o acordo com o governo, comemorou um acerto. Ele afirmou que o setor conseguiu a medida para o aumento da Cide na gasolina, como medida emergencial para o setor. Na quinta-feira, a ministra Tereza Cristina afirmou que a expectativa é que haja uma decisão da Economia até segunda-feira (4). Porém, a fala de Waldery coloca em dúvida a esperança de que as medidas saiam rapidamente.

O setor que produz etanol tem pressionado o governo federal para medidas que possam ajudar a competitividade do setor que vem sofrendo com a pandemia causada pela covid-19. A queda no consumo do combustível, causada pela pandemia, veio junto com preços baixíssimos do petróleo, que influencia também na redução dos preços da gasolina.

“A questão é muito urgente, por isso esperamos uma solução o quanto antes, seja na segunda-feira ou no início da semana. Nossa situação é muito complicada. A queda no consumo e a variação artificial do preço do petróleo causada pela disputa entre os árabes e os russos afetou muito o setor. A safra que temos é a ideal, mas ela encontrou essa tempestade perfeita. Já há suspensão de contratos de trabalho e, se nada mudar nas próximas semanas, podemos começar a ter demissões”, afirma Evandro Gussi, presidente da Unica.

Além do aumento da Cide, que subiria de 0,10 centavos para 0,30 centavos por litro, o setor também defende a taxação de 15% em gasolinas importadas e uma linha de crédito para o setor. Nessa linha de crédito, como garantia, seria dado o estoque de etanol.

Queda na demanda

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a receita com as vendas de etanol na primeira quinzena de abril caíram 50% em relação ao mesmo período de 2019. “O anúncio de medidas emergenciais é absolutamente urgente e necessário para reduzirmos o risco de colapso das atividades do setor”, ressalta o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.

Como consequência da pandemia, o preço do etanol despencou nas bombas. Na prévia da inflação de abril, divulgada pelo IBGE, o recuo foi de cerca de 9%, enquanto a gasolina caiu menos, cerca de 5,5%. A gasolina tem um rendimento melhor que o etanol nos motores. Por isso que, quando o preço desse combustível cai, o etanol passa a perder competitividade.

Historicamente, quando as cotações do petróleo recuam e a gasolina ganha competitividade sobre o etanol, a indústria sucroalcooleira se volta para a produção de açúcar. Porém, também há queda no preço de açúcar no mercado global, aumentando as perdas do setor.

Larissa Quintino


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