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Política

Governo Trump propõe plano para aumentar o uso de biocombustíveis nos EUA


Reuters / novaCana.com - 16 out 2019 - 09:00

O governo Trump, em um esforço para consertar seu relacionamento com o poderoso lobby do milho, propôs nesta terça-feira (15) um novo plano para aumentar a demanda de biocombustíveis no país. A proposta, no entanto, apenas gerou mais consternação do setor.

Nos últimos meses, os produtores de milho e soja do país ficaram irritados com a decisão da Agência de Proteção Ambiental (EPA) de expandir consideravelmente o número de isenções concedidas a pequenas refinarias, que passaram a não precisar realizar a mistura de biocombustíveis a seus combustíveis fósseis. Eles argumentam que a expansão prejudica a demanda.

Em resposta, o governo Trump negocia há vários meses uma maneira de aumentar a demanda por biocombustíveis, de modo a satisfazer agricultores e eleitores de áreas rurais. No entanto, a regra proposta, emitida em um aviso suplementar pela EPA, foi recebida com duras críticas porque baseia os volumes de biocombustíveis necessários para a mistura nas estimativas do Departamento de Energia dos EUA (DOE). Com isso, o argumento é que não há estímulos reais aos biocombustíveis.

“Apenas 11 dias após o anúncio histórico do presidente Trump, a proposta da EPA renega o objetivo principal do acordo”, disse o diretor executivo da Associação de Combustíveis Renováveis de Iowa, Monte Shaw. “Em vez de defender o acordo transparente e responsável do presidente Trump, a EPA propõe usar recomendações até então secretas do DOE”.

A princípio, a indústria de refino dos EUA é obrigada por lei a misturar etanol e outros biocombustíveis na gasolina do país, de acordo com o programa Padrão de Combustível Renovável (RFS). A EPA, porém, pode isentar pequenas refinarias se elas provarem que a mistura de biocombustíveis causaria dificuldades econômicas desproporcionais em seus negócios.

A exceção, porém, começou a crescer. Instalações pertencentes a grandes empresas petrolíferas – como Exxon Mobil Corp e Chevron Corp – estão entre as que receberam isenções recentemente. Por conta disso, agricultores que apoiaram Trump em sua campanha de 2016 ficaram frustrados, um sentimento que também é alimentado pela guerra comercial entre EUA e China.

Assim, no início de outubro, Trump prometeu aumentar a demanda por biocombustíveis, especialmente etanol. Durante as negociações, parecia que a indústria de biocombustíveis havia conquistado uma concessão que exigiria que as refinarias que não estão isentas das regras misturassem volumes adicionais de etanol e outros combustíveis, compensando as instalações com isenções.

O plano apresentado pela Agência de Proteção Ambiental, porém, propõe calcular o volume adicional de biocombustíveis que as refinarias americanas precisariam misturar usando uma média de três anos de isenções, conforme dados do Departamento de Energia.

“O aviso suplementar contém uma proposta nunca discutida para estimar as isenções de pequenas refinarias, sem garantia de que a estimativa se aproximará das isenções reais”, afirmou o Conselho Nacional de Biodiesel, em comunicado.

As companhias de petróleo também não estão felizes. Eles têm resistido constantemente a medidas para expandir o mercado de biocombustíveis, que consideram um concorrente. Os refinadores reclamam que os requisitos do RFS ampliam os custos e que ter refinadores compensando aqueles que recebem isenções seria um dano adicional.

“Simplesmente não há lógica em forçar as refinarias a suportar o ônus de decisões fora de seu controle”, disse o vice-presidente do Instituto Americano de Petróleo, Frank Macchiarola.

Em seu aviso complementar, a EPA reconheceu que há incertezas na projeção de volumes isentos para 2020.

Além disso, a entidade informa que o plano não alteraria os volumes propostos para 2020 e 2021. Em julho, a EPA pediu que a indústria de refino adicionasse 75,86 bilhões de litros de biocombustíveis, incluindo 56,78 bilhões de litros de etanol, em 2020.

Stephanie Kelly – Reuters
Com tradução novaCana.com

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