PUBLICIDADE
BN novacana 1300x150
Política

Bolsonaro reconhece que tentou interferir nos preços da Petrobras

Presidente afirmou que governo pediu para que reajuste fosse adiado, mas que solicitação não foi aceita


O Globo - 17 mar 2022 - 08:56

O presidente Jair Bolsonaro revelou que o governo federal foi avisado antecipadamente que a Petrobras iria realizar um reajuste no preço dos combustíveis, que foi anunciado na quinta-feira passada. Bolsonaro disse que foi feito um pedido para que a empresa adiasse por um dia o aumento, mas afirmou que essa solicitação não foi aceita.

A declaração ocorreu em entrevista à TV Ponta Negra, gravada na manhã de terça-feira e transmitida nesta quarta. “Por questão de um dia, foi feito contato com a Petrobras, porque chegou para nós que eles iriam ajustar na quinta-feira da semana passada, né, foi feito um pedido para que deixasse para o dia seguinte, atrasasse um dia. Eles não nos atenderam”, disse Bolsonaro na entrevista.

O presidente disse que o pedido foi feito de forma não oficial porque poderia classificar interferência na empresa: “A (recusa da) solicitação feita, não oficialmente, porque não podemos interferir na Petrobras nem vamos interferir, de atrasar um dia o anúncio do pagamento, isso pegou muito mal aqui em Brasília”.

Bolsonaro também classificou o reajuste como um "crime" cometido pela Petrobras. “Por um dia, a Petrobras cometeu esse crime contra a população, esse aumento absurdo no preço dos combustíveis. Isso não é interferir na Petrobras, a ação governamental. É apenas bom senso. Poderiam esperar”, disse.

Na semana passada, horas antes do reajuste ser anunciado, Bolsonaro disse que “achava” que haveria reajuste, mas que não decidia nada na Petrobras.

Na mesma entrevista, o presidente afirmou que se dependesse dele a Petrobras poderia ser privatizada “hoje”, para que ele pudesse ficar “livre desse problema”.

Bolsonaro também foi questionado se planeja substituir o presidente da empresa, Joaquim Silva e Luna, e respondeu que todos os integrantes do governo podem ser trocados. “Existe essa possibilidade. Todo mundo no governo, ministros, secretários, diretores de empresas, presidentes de estatais, podem ser substituídos, se não estiverem fazendo seu trabalho a contento. Não quer dizer que vai ser trocado ou que não vai ser trocado. Eu só não posso trocar o vice-presidente da República”.

Nesta quarta-feira, o presidente voltou a criticar a Petrobras e disse que a empresa não é o que ele “gostaria” que fosse.

Daniel Gullino


Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail

PUBLICIDADE
Card image


x