Os postos de combustíveis em Alagoas já vendem o etanol comprado direto das usinas. A comercialização reduziu o preço final do combustível para o consumidor, mas segundo um especialista, a redução foi menor que a esperada.
Em um posto de São Miguel dos Campos, o litro do etanol era vendido por R$ 4,99 e, após o início da venda direta, o preço baixou para R$ 4,79, uma redução de R$ 0,20 por litro pago pelo consumidor final. A diminuição, ainda que menor que a esperada, já alivia o bolso dos alagoanos.
“Eu viajo muito. Consigo economizar até R$ 75 em um tanque de 50 litros. Uma economia muito grande. Hoje, vale a pena trocar a gasolina pelo álcool”, disse o representante comercial Márcio Cavalcante.
Em Alagoas, apenas uma usina realizou esse tipo de venda, feita diretamente aos postos de combustíveis. Por enquanto, apenas os postos de Maceió, Arapiraca, Penedo e São Miguel dos Campos vendem o etanol mais barato.
Mas, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 237 postos podem adquirir o etanol direto das usinas. Em breve, Palmeira dos Índios também venderá o combustível comprado direto do produtor.
“Melhor para o posto e para os nossos clientes. Quando a usina me falou que já podia comprar, eu já garanti a primeira compra e mudei o preço na bomba, pensando na nossa clientela de etanol”, disse Lodorvaldo Tenório, dono de um posto de combustíveis em São Miguel dos Campos.
O gerente de mercado interno da única usina de Alagoas que está operando com venda direta explicou que, nesse primeiro momento, apenas os postos de bandeira branca, ou seja, sem identificação de marca, podem adquirir o combustível na venda modalidade de venda direta.
“Com pouco mais de cinco dias de cadastro de clientes, nós tivemos uma adesão muito grande, acima da nossa expectativa. Já fizemos alguns negócios, destinados aos postos não bandeirados, que detém uma participação de até 45% de mercado. E 30% desses postos já se cadastraram para receber o álcool da venda direta”, explicou o gerente de mercado interno da usina, André Bulhões.
Mesmo assim, o consumidor precisa ficar atento e fazer as contas para saber se é vantajoso trocar de combustível. Para o economista Cícero Péricles, a redução acaba sendo benéfica para consumidor, mas os principais beneficiados serão os que usam muito combustível mensalmente.
“A expectativa é de que se repita aqui o que acontece em todo o Brasil. Diminuição de preço, sim! Acontece a diminuição de preços, mas insignificante, em centavos apenas. É bom para as empresas? Sim. É bom para consumidor final? Sim, principalmente para os que usam de forma intensiva o etanol, como taxistas e motoristas de aplicativos”, avalia.
Péricles alerta ainda para o fato de que o preço do etanol é influenciado pelo mercado internacional. “O etanol é vinculado ao preço do petróleo. Quando a gasolina sobe, o preço do etanol, que vale 70% do preço da gasolina, sobe”, avaliou.
A liberação da venda direta ocorreu após uma disputa travada de forma jurídica e política, envolvendo produtores e distribuidoras de combustíveis. Após autorização no país, a modalidade foi regulamentada pelo governo de Alagoas em janeiro deste ano, estabelecendo como será o sistema de arrecadação de ICMS do combustível.
Na prática, as usinas de Alagoas passam a funcionar no sistema de substituto tributário, sendo responsável pelo recolhimento antecipado do ICMS. Dessa forma, qualquer posto pode comprar o etanol direto na indústria, retirando o produto no local.
Em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro, sancionou, com vetos, a lei que autoriza os postos de combustível a comprarem etanol hidratado diretamente dos produtores ou importadores, desobrigando-os de recorrerem à intermediação de distribuidoras.
A lei também permite a revenda varejista de gasolina e etanol hidratado fora do estabelecimento autorizado, desde que limitada ao território municipal onde o revendedor está estabelecido.
Ela ainda exime as empresas ou consórcios de comprovar que estão em situação regular perante as fazendas federal, estadual e municipal e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para obter, da própria agência, autorização para atuar no setor de biocombustíveis.
Erik Maia e Abidias Martins