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Venda de anidro pelas usinas do Centro-Sul sobe 35% no ano; produção cresce 11,3%

Preço do biocombustível misturado à gasolina tem prêmio de 14,4% no mercado à vista ante o valor do etanol hidratado

NovaCana 5 min de leitura

Por Nicolle Monteiro de Castro*

As vendas de etanol anidro pelas usinas do Centro-Sul no mercado interno somaram 1,48 bilhão de litros no primeiro bimestre da safra 2021/22, alta de 35% no ano, enquanto a produção atingiu 1,85 bilhão de litros, elevação de 11,27% no mesmo comparativo. Os dados foram divulgados ontem, 10, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O etanol brasileiro vem quebrando recordes de preço desde o final de janeiro, apesar da demanda pelo combustível ainda ser limitada devido à pandemia de coronavírus.

De acordo com cálculos da S&P Global Platts, o preço médio do etanol hidratado vendido pelas usinas do Centro-Sul no acumulado da safra 2021/22 foi de R$ 3.335/m³, alta de 92% em relação ao mesmo período do ano passado.

Por sua vez, o prêmio médio do etanol anidro sobre o hidratado atingiu a média de 14,4% no mercado à vista, após ter chegado a 14,3% em toda a safra 2020/21 (considerando valores isentos de impostos). Este resultado explicaria em parte a mudança na estratégia das usinas, que passaram a priorizar a fabricação de anidro ante o hidratado.

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Por Nicolle Monteiro de Castro*

As vendas de etanol anidro pelas usinas do Centro-Sul no mercado interno somaram 1,48 bilhão de litros no primeiro bimestre da safra 2021/22, alta de 35% no ano, enquanto a produção atingiu 1,85 bilhão de litros, elevação de 11,27% no mesmo comparativo. Os dados foram divulgados ontem, 10, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O etanol brasileiro vem quebrando recordes de preço desde o final de janeiro, apesar da demanda pelo combustível ainda ser limitada devido à pandemia de coronavírus.

De acordo com cálculos da S&P Global Platts, o preço médio do etanol hidratado vendido pelas usinas do Centro-Sul no acumulado da safra 2021/22 foi de R$ 3.335/m³, alta de 92% em relação ao mesmo período do ano passado.

Por sua vez, o prêmio médio do etanol anidro sobre o hidratado atingiu a média de 14,4% no mercado à vista, após ter chegado a 14,3% em toda a safra 2020/21 (considerando valores isentos de impostos). Este resultado explicaria em parte a mudança na estratégia das usinas, que passaram a priorizar a fabricação de anidro ante o hidratado.

Entre os fatores que explicam o maior prêmio do etanol anidro nos dois primeiros meses da safra estão o aumento do preço do hidratado nos postos e, principalmente, a maior demanda proveniente da região Norte-Nordeste, que está dependente dos volumes vindos do Centro-Sul.

O Norte-Nordeste tem um déficit estrutural de etanol, que costumava ser parcialmente suprido pelas importações vindas dos Estados Unidos. Porém, a arbitragem de importação está fechada devido à combinação da forte desvalorização do real frente ao dólar e da alta do preço do etanol de milho nos Estados Unidos, ao que se soma a aplicação da tarifa de importação de 20%, em vigor desde dezembro de 2020.

As importações de etanol feitas pela região Norte-Nordeste somaram 94 milhões de litros entre janeiro e abril de 2021, o que representa uma queda anual de 59%.

De acordo com cálculos da Platts feitos em 4 de junho, o anidro importado dos Estados Unidos, incluindo a tarifa de 20%, poderia chegar ao porto de Suape (PE) a R$ 4.902/m³. Entretanto, o valor seria R$ 942/m³ superior ao preço de entrega (DAP, na sigla em inglês) do etanol ao porto.

Caso a cota para importação de etanol fosse reestabelecida, o biocombustível dos Estados Unidos poderia chegar a Suape por R$ 4.098/m³, ainda acima do preço calculado pela Platts para a região. Ou seja, mesmo com a valorização do real frente ao dólar vista na semana, a arbitragem de importação continuaria fechada.

Produção, preços e estoques

O mercado já sabia que as usinas do Centro-Sul iriam maximizar a produção de açúcar na safra 2021/22. Porém, além disso, tem sido necessário contabilizar a queda no volume de cana, causada pelo clima seco na região.

A moagem acumulada até 1º de junho ficou em 129 milhões de toneladas, redução anual de 10,88%. Isso se converteu em uma diminuição de 6,66% na produção de etanol, para 5,8 bilhões de litros, e de 11% na de açúcar, para 7,15 milhões de toneladas.

Considerando o volume total de etanol produzido, o hidratado teve uma queda anual de 13,18%, com 3,9 bilhões de litros, enquanto o anidro subiu 11,27%, para 1,8 bilhão de litros.

Apesar dos altos preços históricos para ambos os tipos de etanol, o preço do açúcar para exportação ainda tem um prêmio em relação ao hidratado vendido no mercado interno.

A Platts calculou o valor médio do etanol hidratado na safra 2021/22, convertido em açúcar bruto equivalente, em 15,26 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato futuro de açúcar negociado em Nova York registrou uma média de 16,69 centavos no mesmo período.

Além da menor produção, os dados de estocagem mais recentes divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) trazem que a armazenagem de anidro em meados de maio totalizava 907 milhões de litros, queda de 37% na comparação anual; já os estoques de hidratado estavam em 2,1 bilhões de litros, redução de 10%.

* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts

Com tradução NovaCana

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