Etanol: Mercado

Usinas já emitiram mais de 15 mi de CBios em 2021; aposentadorias chegam a 2,8 mi

Soma dos títulos disponíveis no mercado e dos que já saíram de circulação neste ano é suficiente para cumprimento de 75,9% da meta do RenovaBio


NovaCana - 02 jul 2021 - 14:01

Com a escrituração de 1,59 milhão de créditos de descarbonização (CBios) na segunda quinzena de junho, as unidades produtoras de biocombustíveis chegaram a um total de 15,05 milhões de CBios no primeiro semestre de 2021. Caso o ritmo seja mantido nos próximos seis meses, o total de CBios deve ultrapassar em mais de 5,24 milhões de unidades a meta para 2021, de 24,86 milhões.

Os dados correspondem ao acompanhamento diário realizado pela B3, única entidade a atuar como registradora do RenovaBio.

Este volume está 67,46 mil créditos acima do acompanhamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), baseado nas notas fiscais de comercialização cadastradas para gerar o lastro dos CBios em 2021. A diferença pode ser justificada por lastros contabilizados em 2020, mas que foram escriturados – ou seja, transformados em CBios – apenas neste ano.

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Levando em conta também o saldo ao final de 2020, o volume total de títulos disponibilizados ao mercado é de 18,87 milhões. Esta quantia é suficiente para atender a 75,9% do objetivo estipulado pelo RenovaBio para este ano.

Segundo a B3, o número de créditos gerados desde a implementação do RenovaBio já chega a 33,48 milhões. Por sua vez, conforme a ANP, o total de lastros alcança a marca de 33,7 milhões, uma diferença de 217,38 mil unidades.

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Atualmente, de acordo com a ANP, 279 unidades participam do RenovaBio; destas, duas fabricam biometano e 28, biodiesel. Dentre as 249 usinas de etanol certificadas, 241 utilizam apenas a cana-de-açúcar; cinco processam milho e cana; duas, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Posse e aposentadoria

Em 1º de julho, o número de CBios disponível para compra e venda era de 16,01 milhões. A maior parte destes títulos está em posse das usinas, com 8,49 milhões de unidades. Na sequência, as distribuidoras de combustíveis fósseis – que possuem metas a cumprir no RenovaBio – detinham 7,48 milhões de créditos. E, por fim, investidores sem metas armazenavam 35,21 mil CBios.

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Esta posição marca uma mudança ante o encerramento da quinzena anterior, quando as distribuidoras possuíam mais créditos que as usinas produtoras. O motivo para isso foi o crescimento no número de aposentadorias, processo que retira os CBios de circulação: somente na segunda metade de junho, 1,95 milhão de CBios foram aposentados.

Considerando o acumulado de janeiro a junho, 2,85 milhões de títulos saíram do mercado. Este montante é equivalente a 11,5% da meta para 2021, que deve ser cumprida até 31 de dezembro. Ao final da quinzena anterior, a taxa de cumprimento era de 3,6%.

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A B3, entretanto, não informa se as aposentadorias foram feitas por distribuidoras ou por investidores. Conforme regulamentação aprovada pela ANP no final de maio deste ano, os CBios que forem aposentados por agentes sem metas a cumprir poderão ser abatidos das obrigações das distribuidoras. A redução, entretanto, só deve ser contabilizada para os objetivos de 2022.

Negociação e preços

Durante a segunda quinzena de junho, a B3 contabilizou 783 negociações contendo CBios, totalizando 1,41 mil no mês e 8,14 mil no semestre. “Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

De acordo com a registradora, os créditos atingiram um preço médio de R$ 28,16 na quinzena, mantendo a tendência de queda observada desde a segunda quinzena de abril. O valor ficou 7,1% abaixo da média de 2021 (R$ 30,30) e 26,2% aquém da histórica (R$ 38,16). Por fim, o preço também representa uma redução de 3,5% ante os R$ 29,18 registrados na primeira metade de junho.

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O valor mais alto observado no período ocorreu em 23 de junho, R$ 30,99; já o mais baixo foi no dia 25, R$ 27,50 – renovando a mínima do ano. Apesar de terem ocorrido flutuações ao longo do período, os preços médios tiveram quedas, encerrando o mês a R$ 27,80.

Com isso, os valores estão abaixo da projeção feita em março pelo Santander. Conforme o banco, os CBios deveriam ficar em torno de R$ 30 no decorrer do ano, uma vez que produtores de etanol e biodiesel não teriam tanto interesse em vender abaixo deste patamar.

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Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, seu valor oscilou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a variação foi menos ampla, indo de R$ 27,50 a R$ 35,70.

Renata Bossle – NovaCana


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