Mesmo em plena entressafra, as usinas certificadas no programa RenovaBio continuam aumentando suas emissões de créditos de carbonos (CBios).
Nas duas últimas semanas de janeiro, as produtoras de biocombustíveis escrituraram 1,85 milhão de títulos, um aumento quinzenal de 60,9%. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram emitidos 1,41 milhão de CBios, o acréscimo foi de 30,8%.
Os números fazem parte do acompanhamento do mercado dos créditos realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do RenovaBio.

Contando com as emissões desde janeiro de 2022, já foram colocados em circulação 34,22 milhões de títulos. O montante representa 95,1% da meta oficial do ano passado, de 35,98 milhões de CBios, que deverá ser comprovada até setembro de 2023, de acordo com decreto do Ministério de Minas e Energia (MME).
Já as obrigações de 2023, que somam 37,47 milhões de CBios, deverão ser entregues até 31 de março de 2024.

Considerando também estoques de anos anteriores, o total de créditos disponibilizados ao mercado sobe para 54,92 milhões, o que ultrapassaria a meta anual de 2022 em 52,7%.
Até o fechamento desta reportagem a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ainda não havia divulgado o montante de notas fiscais geradas pelas usinas certificadas para geração de novos CBios em janeiro deste ano.
Desde a implementação do RenovaBio até o momento, 83,69 milhões de CBios já foram emitidos.

De acordo com a ANP, 317 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel.
Dentre as 282 usinas de etanol certificadas, 271 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Os preços dos CBios também seguem tendência de aumento. Ao final de janeiro, os títulos custaram entre R$ 85,10 e R$ 92,99. O preço mais baixo foi registrado no dia 25, enquanto o mais alto foi visto no dia 30. No mesmo período em 2022 os títulos variaram entre R$ 55,01 e R$ 71.
Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 1 mil.

De acordo com cálculos realizados pelo NovaCana a partir de dados da B3, os papéis foram negociados, em média, a R$ 88,03 na quinzena. O valor está 1,8% acima do visto na primeira metade de janeiro.
Além disso, o preço atual está 20,7% acima da média histórica do programa, de R$ 72,92. Entretanto, ele é 21,1% inferior ao da média fechada de 2022, de R$ 111,63.

De acordo com a B3, 3,85 milhões de CBios foram negociados na quinzena, aumento de 50,8% em relação à anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve um acréscimo de 19%, afinal, na segunda metade de janeiro de 2022 foram negociados 3,12 milhões de títulos.
“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a entidade.
No último dia de janeiro, a B3 iniciou a sessão com 23,96 milhões de CBios em circulação. Do total, 14,84 milhões de créditos, ou 62%, estavam em posse de distribuidoras com metas a cumprir. Já 8,44 milhões, estavam sob posse das usinas certificadas, 35,2% do montante. Por fim, 672,51 mil títulos estavam com investidores sem metas (2,8%).

Entre janeiro de 2022 e 30 de janeiro de 2023, 20,70 milhões de créditos foram aposentados, com 184 mil saindo de circulação nesta última quinzena.
Desta forma, o equivalente a 57,5% da meta oficial para 2023 foi realmente atingido até o momento.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte das aposentadorias seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias de 2022 devem ser contabilizadas em 2023.
Giully Regina – NovaCana
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