Contratos de longo prazo serão liquidados com prêmio de quase 13% em 2021; aumento na participação de mercado da gasolina em 2020 dá suporte à diferença
Por Nicolle Monteiro de Castro*
Na média da safra 2020/21, oficialmente encerrada na última quarta-feira, 31, o mercado à vista de etanol na região Centro-Sul registrou um prêmio de 14,3% do anidro sobre o hidratado. O valor representa um aumento de 3% em relação à safra anterior e é o maior já registrado desde que a S&P Global Platts começou a acompanhar este preço, em 2014/15.
O maior prêmio, 26,8%, foi durante os três primeiros dias da temporada 2020/21, enquanto o menor, 4,2%, ocorreu em 10 de março. Para o cálculo, a Platts considerou valores isentos de impostos.
Historicamente, o preço do hidratado no mercado à vista apresenta uma volatilidade maior do que o do anidro. Assim, os primeiros impactos da queda na demanda de combustível – causada pela chegada da pandemia do coronavírus ao Brasil – e nos preços internacionais do petróleo foram rapidamente refletidos no valor do hidratado.
Na primeira quinzena de março de 2020, a Platts avaliou o preço do etanol hidratado nas usinas de Ribeirão Preto (SP) em R$ 2.440/m³. Já na segunda quinzena, este valor caiu 23%, para R$ 1.875/m³. A avaliação do etanol anidro caiu 14,3% no mesmo comparativo.
Em grande parte, o maior suporte ao prêmio do anidro em 2020 é o comportamento dos consumidores de combustíveis, que demonstraram preferência pelo abastecimento com gasolina, que contém uma mistura obrigatória de 27% de anidro.
Leia a análise completa e as perspectivas para 2021/22 no texto exclusivo para assinantes NovaCana.
Por Nicolle Monteiro de Castro*
Na média da safra 2020/21, oficialmente encerrada na última quarta-feira, 31, o mercado à vista de etanol na região Centro-Sul registrou um prêmio de 14,3% do anidro sobre o hidratado. O valor representa um aumento de 3% em relação à safra anterior e é o maior já registrado desde que a S&P Global Platts começou a acompanhar este preço, em 2014/15.
O maior prêmio, 26,8%, foi durante os três primeiros dias da temporada 2020/21, enquanto o menor, 4,2%, ocorreu em 10 de março. Para o cálculo, a Platts considerou valores isentos de impostos.
Historicamente, o preço do hidratado no mercado à vista apresenta uma volatilidade maior do que o do anidro. Assim, os primeiros impactos da queda na demanda de combustível – causada pela chegada da pandemia do coronavírus ao Brasil – e nos preços internacionais do petróleo foram rapidamente refletidos no valor do hidratado.
Na primeira quinzena de março de 2020, a Platts avaliou o preço do etanol hidratado nas usinas de Ribeirão Preto (SP) em R$ 2.440/m³. Já na segunda quinzena, este valor caiu 23%, para R$ 1.875/m³. A avaliação do etanol anidro caiu 14,3% no mesmo comparativo.

Em grande parte, o maior suporte ao prêmio do anidro em 2020 é o comportamento dos consumidores de combustíveis, que demonstraram preferência pelo abastecimento com gasolina, que contém uma mistura obrigatória de 27% de anidro.
O consumo de etanol hidratado no Brasil somou 19,26 bilhões de litros em 2020, queda de 14,6% no ano, enquanto a demanda por gasolina somou 35,8 bilhões de litros, retração de 6,1%. Com isso, o consumo de anidro também caiu 6,1%.
Embora parte do prêmio mais alto possa ser explicado pelo comportamento dos consumidores, a produção reduzida de anidro na safra 2020/21 e a queda no volume de etanol importado dos Estados Unidos também contribuíram para este cenário.
A S&P Global Platts Analytics estima que a produção total de etanol no Centro-Sul chegue a 30,4 bilhões de litros em 2020/21, queda de 8,4% em relação aos 33,2 bilhões de litros do ciclo anterior.
As importações de anidro, por sua vez, foram limitadas devido à forte desvalorização do real em relação ao dólar norte-americano. Além disso, desde 14 de dezembro de 2020, o Brasil passou a aplicar uma tarifa de 20% sobre todas as importações de etanol provenientes de países que não sejam membros do Mercosul.
As importações brasileiras de anidro entre março de 2020 e fevereiro de 2021 somaram 532 milhões de litros, uma queda de 62% em relação aos 1,4 bilhão de litros desembarcados no mesmo período da safra anterior. Este menor volume gera um aumento da demanda pelo produto fabricado internamente.
A Platts Analytics estima que, em 2021, a demanda brasileira por combustíveis de ciclo Otto deve aumentar 6% ante 2020. Assim, apesar do melhor cenário de consumo, o volume estimado ainda ficará 4% abaixo do registrado em 2019, no cenário pré-pandêmico.
Considerando um aumento da demanda por combustíveis em 2021 e uma produção de etanol em queda pelo segundo ano consecutivo no Centro-Sul – a Platts Analytics projeta um volume de 29 bilhões de litros –, os participantes do mercado estimam uma disponibilidade reduzida de anidro. E a perspectiva de uma oferta apertada já está se refletindo nas primeiras discussões de mercado sobre os contratos de longo prazo para o etanol anidro na safra 2021/22.
Conforme regulação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as distribuidoras de combustível e as usinas de etanol que comercializam anidro precisam firmar contratos de longo prazo com quantias equivalentes a 90% do volume total negociado no ano anterior, como medida para garantir a segurança do abastecimento do país.
Nos últimos anos, o prêmio médio do anidro liquidado nos contratos ficou entre 10,5% e 11% sobre o valor do hidratado no mercado à vista, segundo fontes consultadas. Agora, as primeiras conversas para a safra 2021/22 apontam para um prêmio de 13% ou mais.
Um grande grupo produtor de etanol declarou que as primeiras negociações sugeriam ganho de entre 14% e 15%, enquanto uma das maiores distribuidoras de combustíveis afirmou que visa a meta do teto de 13%.
* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana