Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 21 a 27 de novembro:

O preço médio da gasolina diminuiu 0,06% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol caiu 0,35%
O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
O valor do hidratado caiu nas principais usinas paulistas e goianas e cresceu nas mato-grossenses
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 360 municípios, dez a mais do que na semana anterior
Após acumular 16 semanas de alta nos postos, o etanol teve, finalmente, uma queda em seu preço médio nacional. Entre os dias 21 e 27 de novembro, o valor do produto passou de R$ 5,414 por litro para R$ 5,395/L, queda de 0,35%.
Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, este decréscimo pode ser atribuído à baixa do petróleo no mercado global, causado pela piora da pandemia na Europa, à possibilidade de menor recuperação da economia global e à liberação de reservas de petróleo dos Estados Unidos, além de possibilidades de mudanças no imposto de importação do etanol no Brasil.
Já a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) afirma que a perda de competitividade do produto em relação à gasolina tem promovido diminuição do consumo do hidratado e, consequentemente, redução em seu preço. Além disso, o etanol anidro também é afetado, impactando no valor da gasolina.
A gasolina, por sua vez, teve sua segunda semana consecutiva de retração, com queda de 0,06%. O valor do combustível fóssil saiu de R$ 6,752/L para R$ 6,748/L na média nacional.
Com isso, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil no período foi de 79,9%, pouco abaixo do resultado de uma semana antes, quando era de 80,2%. Isso ocorreu, pois a redução de preço da gasolina foi inferior à do renovável. Este indicador não sofria diminuição desde o período de 10 a 16 de outubro deste ano.
Ainda assim, o renovável segue não sendo comercialmente competitivo e segue distante do limite estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No entanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 360 municípios, dez a mais do que no período anterior.
Nas usinas paulistas, por sua vez, os preços do hidratado caíram 3,31%, de R$ 3,6563/L para R$ 3,5351/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Enquanto isso, nas produtoras goianas, a retração foi de 4,68%. Já nas mato-grossenses houve aumento de 5,14%.
Segundo a ANP, entre 21 e 27 de novembro, o preço do etanol subiu na média de dez estados, caiu em 14 e no Distrito Federal, teve estabilidade em Pernambuco e não pode ser comparado no Amapá. A gasolina, por sua vez, aumentou em dez unidades da federação.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma redução de 0,63%, custando R$ 5,220/L na média – e seguindo com o menor valor estadual registrado. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,420/L, aumento de 0,22%.
Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 81,3% ante os 82% do período anterior. Ainda assim, o índice segue longe da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 105 cidades paulistas, mesma quantidade da semana anterior.
Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 5,490/L na média da semana analisada – a única alta para o produto dentre os seis estados que mais produzem. No período, houve um aumento de 3,35% no preço do biocombustível, enquanto a gasolina apresentou crescimento de 0,72%, sendo vendida a R$ 7,251/L.
Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 75,7%, acima dos 73,8% de uma semana antes, mas a menor dentre todas as unidades da federação. Segundo a ANP, 14 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a mais do que no período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou redução de 0,56% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,513/L, o maior valor dentre os seis grandes estados produtores. A gasolina passou por uma breve redução de 0,07% e foi negociada a R$ 7,018/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 78,6% do preço do combustível fóssil, índice inferior ao visto na semana anterior, de 78,9%. No total, 43 municípios mineiros participaram da pesquisa, dois a mais do que na semana anterior.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um decréscimo de 1,44%, o maior dentre os seis maiores produtores, e foi vendido a R$ 5,426/L. Na semana, a gasolina caiu 0,01%, passando a custar R$ 6,788/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 79,9%, acima dos 81,1% de uma semana antes. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantia do período anterior.
Já em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol caiu 0,67%, para R$ 5,471/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 0,02%, ficando em R$ 6,549/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 83,5% do preço de seu concorrente fóssil. Somente Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.
Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o biocombustível custando o equivalente a 84,6% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma retração de 1,01%, sendo vendido por R$ 5,463/L na média estadual. Já a gasolina teve uma queda de 0,8%, para R$ 6,456/L. No total, 23 cidades foram pesquisadas no estado, mesma quantidade do que uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 21 e 27 de novembro, 360 cidades foram pesquisadas, dez a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana