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Etanol: Preços

Preços nos postos: Gasolina e etanol apresentam altas na média nacional

Valor do combustível fóssil teve aumento de 8,74% e o do biocombustível de 6,28%; relação entre os preços caiu para 68%


NovaCana - 21 mar 2022 - 10:50 - Última atualização em: 28 mar 2022 - 11:16

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 13 a 19 de março:

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  1. Etanol subiu em 23 estados e no Distrito Federal, enquanto a gasolina aumentou em 26 unidades da federação

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e São Paulo

  3. O valor do hidratado subiu nas usinas paulistas, goianas e mato-grossenses

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 388 municípios, quatro a menos do que na semana anterior


Pela segunda semana consecutiva, o etanol sofreu um aumento de preço na média dos postos brasileiros; para a gasolina, esta foi a terceira semana.

Entre 13 e 19 de março, o biocombustível passou de R$ 4,646 por litro para R$ 4,938/L na média nacional, aumento de 6,28%. Já a gasolina subiu de R$ 6,683/L para R$ 7,267/L, alta de 8,74%.

Apesar da defasagem de preços do combustível fóssil com o mercado internacional ter caído no início da última semana, uma virada no mercado de petróleo – que vive um momento altamente volátil – fez com que os valores voltassem a ficar abaixo das cotações externas.

Na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 68%, abaixo do resultado do período anterior, quando era de 69,5%. Isso ocorreu porque o aumento da gasolina foi superior ao do etanol.

Esta é a décima semana consecutiva de redução no indicador. Com isso, o etanol segue comercialmente competitivo na média nacional. Ou seja, a relação entre os preços ficou abaixo do limite de 70% do custo da gasolina, faixa em que o renovável é tido como vantajoso para os consumidores.

Conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as vendas do etanol no Centro-Sul aumentaram 26,2% em fevereiro, demonstrando um crescimento da preferência do consumidor pelo renovável decorrente dos altos preços da gasolina.

Considerando as médias estaduais, o biocombustível segue economicamente vantajoso nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e São Paulo.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 388 municípios, quatro a menos do que no período anterior.

Por sua vez, o preço do hidratado subiu 3,86% nas usinas paulistas, indo de R$ 3,1606/L para R$ 3,2827/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve um acréscimo de 6,7% nas produtoras goianas e de 10,99% nas mato-grossenses.

Reações às altas

As elevações nos preços dos combustíveis seguem causando diferentes reações, especialmente no setor público.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu na última quinta-feira, 17, a necessidade de um subsídio temporário que ajude a minimizar o impacto do aumento de combustíveis no país. Ele aproveitou a oportunidade para criticar a política de preços da Petrobras.

Na mesma linha, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, falou sobre a criação de um colchão tributário para amortecer as altas.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), por sua vez, afirmou no início da última semana que a Petrobras tem “função social” e tem a obrigação de participar do esforço em prol da redução dos preços.

A petroleira se defendeu dizendo que a suspensão do reajuste poderia causar “desabastecimento” e “caos” no mercado. Além disso, também alegou que possui sensibilidade ao impacto dos aumentos, mas que a volatilidade inerente ao atual cenário impede antecipação das decisões de ajuste dos preços.

A cúpula da estatal não tem previsão para baixar os preços dos combustíveis mesmo com as pressões exercidas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para esta queda.

Variações nos estados

Segundo a ANP, entre 13 e 19 de março, o preço do etanol subiu na média de 23 estados e no Distrito Federal, caiu em dois e não foi verificado no Amapá. A gasolina, por sua vez, subiu em 26 unidades da federação.

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Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma alta de 6,95%, custando R$ 4,694/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,867/L, aumento de 8,45%. Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 68,4% e se mantendo favorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 108 cidades paulistas, duas a mais do que na semana anterior.

Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,929/L na média da semana analisada, com um incremento semanal de 3,36%. Enquanto isso, a gasolina subiu 6,73%, para R$ 7,457/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 66,1%, abaixo dos 68,3% de uma semana antes e ainda mais favorável ao etanol. Segundo a ANP, 15 cidades goianas foram consideradas no levantamento, duas a menos do que uma semana antes.

Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 7,1% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,070/L. A gasolina passou por uma alta de 9,21% e foi negociada a R$ 7,538/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 67,3% do preço do combustível fóssil, índice inferior ao visto na semana anterior, de 68,6%, mantendo a competitividade no estado. No total, 49 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a menos do que na semana anterior.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma alta de 9,9%, a maior elevação dos seis maiores produtores, para R$ 4,619/L, o menor valor entre todas as unidades da federação. Na semana, a gasolina subiu 9,49%, passando a custar R$ 7,058/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 65,4%, pouco acima dos 65,2% de uma semana antes, mas seguindo economicamente vantajoso ao consumidor. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, um a menos do que no último levantamento.

Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 3,21%, ficando em R$ 5,079/L. A gasolina, por sua vez, teve um incremento de 7,82%, para R$ 7,035/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 72,2% do preço de seu concorrente fóssil, inferior aos 75,4% de uma semana antes, mas ainda a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.

Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 72,4% do preço da gasolina. No período, o renovável teve um incremento de 7,81%, sendo vendido por R$ 5,260/L na média estadual, o valor mais alto entre os principais produtores do biocombustível. Já a gasolina subiu 11,55%, indo para R$ 7,264/L. No total, 23 cidades foram pesquisadas no estado, duas a menos do que o visto uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 13 e 19 de março, 388 cidades foram pesquisadas, quatro a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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