Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 6 e 12 de fevereiro:

Etanol caiu em 20 estados e no Distrito Federal, já gasolina teve retração em 19 unidades da federação
O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso somente em Goiás
O valor do hidratado caiu nas usinas paulistas, goianas e mato-grossenses
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 374 municípios, quatro a menos do que na semana anterior
A queda dos preços dos combustíveis já ocorre pela terceira semana consecutiva nos postos brasileiros. Entre 6 e 12 de fevereiro, o biocombustível passou por uma retração de 2,9%, indo de R$ 4,938 por litro para R$ 4,794/L na média nacional. A gasolina, por sua vez, saiu de R$ 6,637/L para R$ 6,617/L, queda de 0,3%.
Na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 72,4%, abaixo do resultado do período anterior, quando era de 74,4%. Isso ocorreu porque a queda da gasolina foi menor que a vista pelo etanol.
Embora esta seja a quinta semana consecutiva de queda no indicador, o biocombustível ainda não é considerado comercialmente competitivo na média nacional. O resultado segue acima do limite de 70% do custo da gasolina, faixa em que o etanol é tido como vantajoso para os consumidores. Ainda assim, o renovável voltou a ser favorável em um estado: Goiás.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 374 municípios, quatro a menos do que no período anterior.
Por sua vez, o preço do hidratado caiu 2,4% nas usinas paulistas, de R$ 2,9073/L para R$ 2,8383/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve uma redução de 3,8% nas produtoras goianas e de 3,4% nas mato-grossenses.
Conforme reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, o presidente da Datagro, Plínio Nastari, vê que a queda no preço do etanol ao produtor, que deveria estar beneficiando os consumidores finais, não vem sendo repassada na mesma intensidade e rapidez.
Também em entrevista à Folha, a S&P Global Platts acredita que, com o aumento na diferença entre o preço do etanol e da gasolina, o consumidor brasileiro deve começar a optar pelo biocombustível, o que pode voltar a pressionar os preços antes do início da safra.
Por sua vez, a Associação Brasileiras dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou que a defasagem dos preços da gasolina praticados pela Petrobras no mercado interno já atinge 12%, o que indica futuras elevações no preço do combustível fóssil.
Conforme especialistas, os próximos aumentos nos preços dos combustíveis devem ser escalonados, com a empresa acompanhando as movimentações e as tendências de preços no exterior.
As Propostas de Emenda à Constituição (PEC) relacionadas à tributação dos combustíveis vêm perdendo força, com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) chegando a dizer que elas podem não ser necessárias.
Ao mesmo tempo, Jean Paul Prates (PT-RN), relator de dois projetos em tramitação no Senado, fez alterações nos textos em busca de apoio dos governadores e maior aceitação na Casa.
Por sua vez, a equipe econômica do Senado teme que a discussão formulada pelo Palácio do Planalto para cortar impostos de combustíveis sem compensação orçamentária possa pressionar ainda mais o câmbio.
Em uma linha similar, o Banco Central alertou que a PEC dos Combustíveis pode contribuir para deteriorar o cenário fiscal, levando a um aumento das projeções de inflação adiante. E o Observatório da Petrobras afirmou que os quatro projetos apresentados para redução dos preços dos combustíveis são ineficazes e não resolverão a crise atual.
Segundo a ANP, entre 6 e 12 de fevereiro, o preço do etanol subiu na média de cinco estados, caiu em 20 e no Distrito Federal e ficou estável no Amapá. A gasolina, por sua vez, caiu em 19 unidades da federação.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma redução de 3,6%, custando R$ 4,539/L na média, o valor mais baixo dentre todas as unidades da federação. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,330/L, retração de 0,57%. Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 71,7% ante os 73,9% do período anterior. A pesquisa foi feita em 107 cidades paulistas, duas a mais do que na semana anterior.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,778/L na média da semana analisada, com uma redução semanal de 3,3%. Enquanto isso, a gasolina apresentou diminuição de 1,9%, para R$ 6,827/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 70%, abaixo dos 71% de uma semana antes e o único favorável ao etanol dentre todos os estados. Segundo a ANP, 15 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesma quantia do que uma semana antes.
Por sua vez, Minas Gerais registrou redução de 3% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 4,972/L. A gasolina passou por uma queda de 0,3% e foi negociada a R$ 6,933/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 71,7% do preço do combustível fóssil, índice inferior ao visto na semana anterior, de 73,7%. No total, 46 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantidade da semana anterior.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma queda de 2,6%, para R$ 4,546/L. Na semana, a gasolina caiu 1,1%, passando a custar R$ 6,423/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 70,8%, abaixo dos 71,9% de uma semana antes. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, um a menos do último levantamento.
Já em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol diminuiu 0,3%, ficando em R$ 5,097/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 0,7%, para R$ 6,475/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 78,7% do preço de seu concorrente fóssil, inferior aos 79,5% de uma semana antes, mas ainda assim a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Somente seis cidades do estado participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 76,6% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma redução de 1,4%, sendo vendido por R$ 5,966/L na média estadual. Já a gasolina subiu 0,3%, para R$ 6,485/L. No total, 24 cidades foram pesquisadas no estado, uma a mais do que o total visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 6 e 12 de fevereiro, 374 cidades foram pesquisadas, quatro a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana