Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 23 a 29 de janeiro:

Etanol caiu em 18 estados e no Distrito Federal, já gasolina teve retração em 21 unidades da federação
O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
O valor do hidratado caiu nas usinas paulistas, goianas e mato-grossenses
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 376 municípios, nove a mais do que na semana anterior
Os preços dos combustíveis voltaram a cair na média dos postos brasileiros. Isto ocorre após oito semanas de redução e uma de aumento para o etanol e duas de incremento para a gasolina, decorrentes do reajuste realizado pela Petrobras no último dia 12.
No período de 23 a 29 de janeiro, o biocombustível passou por uma retração de 0,91%, indo de R$ 5,053 por litro para R$ 5,007/L. A gasolina, por sua vez, saiu de R$ 6,664/L para R$ 6,658/L na média nacional no período, queda de 0,09%.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Entretanto, as altas do petróleo e a defasagem em relação ao mercado externo fazem com que novos aumentos sejam esperados, ainda que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos combustíveis siga congelado.
Na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 75,2%, abaixo do resultado do período anterior, quando era de 75,8%. Isso ocorreu, pois a queda da gasolina foi inferior a do etanol.
Ainda assim, o biocombustível não é considerado comercialmente competitivo e segue distante do limite estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é tido como vantajoso para os consumidores.

As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 376 municípios, nove a mais do que no período anterior.
Por sua vez, o preço do hidratado caiu 4,22% nas usinas paulistas, de R$ 3,3041/L para R$ 3,1648/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve uma redução de 3,71% nas produtoras goianas e de 1,29% nas mato-grossenses.
A proposta de emenda constitucional (PEC) que, conforme a promessa de Jair Bolsonaro (PL), deve promover a redução dos impostos federais e gerar contenção dos preços pode ter efeitos limitados, conforme fontes ouvidas pelo jornal O Globo.
Por conta disso, auxiliares do governo, que são responsáveis pela elaboração PEC, teriam solicitado a inclusão da criação de um fundo de compensação para reduzir o preço dos combustíveis quando o preço do barril de petróleo e do dólar estiverem altos.
Entretanto, após uma reunião com ministros, Bolsonaro teria solicitado que uma proposta similar, já em tramitação, não seja colocada em pauta. O presidente teria sido convencido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a criação de um fundo teria pouco impacto na contenção do preço dos combustíveis, mas um custo alto para os cofres públicos.
Outro ponto discutido foi a possibilidade de manter apenas o diesel na PEC. O texto final ainda não está finalizado.
Os governadores, por sua vez, resolveram prorrogar o congelamento do imposto estadual ICMS por mais 60 dias. Em nota, eles cobraram do governo a mudança na política de paridade internacional nos preços dos combustíveis, praticada pela Petrobras.
Segundo a ANP, entre 23 e 29 de janeiro, o preço do etanol subiu na média de sete estados, caiu em 18 e no Distrito Federal e não foi contabilizado no Amapá. A gasolina, por sua vez, caiu em 21 unidades da federação.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma redução de 1,26%, custando R$ 4,789/L na média. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,370/L, retração de 0,22%. Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 75,2% ante os 76% do período anterior. A pesquisa foi feita em 106 cidades paulistas, mesma quantidade do que na semana anterior.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 5,075/L na média da semana analisada, com uma redução semanal de 0,72%. Enquanto isso, a gasolina apresentou diminuição de 0,53%, para R$ 7,107/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 71,4%, pouco abaixo dos 71,5% de uma semana antes e a mais favorável ao etanol dentre todos os estados. Segundo a ANP, 14 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesmo número do que uma semana antes.
Por sua vez, Minas Gerais registrou redução de 0,81% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,174/L. A gasolina passou por uma queda de 0,16% e foi negociada a R$ 6,966/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 74,3% do preço do combustível fóssil, índice inferior ao visto na semana anterior, de 74,8%. No total, 46 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a mais do que na semana anterior.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma queda de 2,33%, para R$ 4,776/L, o valor mais baixo dentre todas as unidades da federação. Na semana, a gasolina também caiu 0,75%, passando a custar R$ 6,522/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 73,2%, abaixo dos 74,4% de uma semana. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, um a mais do que no último levantamento.
Já em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol diminuiu 0,63%, ficando em R$ 5,185/L. A gasolina, por sua vez, teve uma redução de 1,31%, para R$ 6,475/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 80,1% do preço de seu concorrente fóssil, superior aos 79,5% de uma semana antes e a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Somente seis cidades do estado participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 79,4% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma redução de 0,82%, sendo vendido por R$ 5,086/L na média estadual. Já a gasolina caiu 0,23%, para R$ 6,409/L. No total, 24 cidades foram pesquisadas no estado, uma a mais do que que o total visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 23 e 29 de janeiro, 376 cidades foram pesquisadas, nove a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana